O capitão Neymar não concedeu entrevista nem após deixar o vestiário (foto: Evaristo Sá/AFP)
O técnico Rogério Micale adotou um tom apaziguador após a Seleção Brasileira dar vexame no Mané Garrincha, neste domingo. Os seus comandados não passaram de um 0 a 0 com o inexpressivo Iraque (mesmo placar da estreia, contra a África do Sul), foram muito vaiados e, ao final do jogo, fugiram das entrevistas no trajeto até o vestiário.
“Peço desculpas por essa situação. Gostaria que entendessem. Houve um momento difícil. Empatamos um jogo que gostaríamos de ter ganhado”, lamentou Micale, com a voz serena. Naquele momento, muitos atletas já aceitavam atender a imprensa – ao contrário do astro e capitão Neymar, o primeiro a sair do vestiário.
O treinador também teve cuidado ao citar a torcida, que se enervou especialmente com o meia Renato Augusto e fez coro pela meia-atacante Marta – a boa campanha do time brasileiro feminino nos Jogos Olímpicos contrasta com a fraca participação dos homens até então.
“Volto a dar parabéns à torcida de Brasília, que nos incentivou. Saio daqui satisfeito com o público. Gostaríamos de ter dado algo melhor como presente, o que queremos fazer agora em Salvador”, projetou Micale, referindo-se ao confronto com a Dinamarca, o último pelo grupo A do torneio olímpico, às 22 horas (de Brasília) de quarta-feira.
No primeiro tropeço brasileiro, diante dos sul-africanos, o técnico dizia que precisava fazer a sua equipe trabalhar sob pressão caso não houvesse apoio do público. A ordem agora é aceitar todas as contestações.
“Em relação ao fim da lua de mel, não posso dizer. A gente preferia ter um convívio bom, mas entendo que as pessoas veem o jogo e omitem as sutas opiniões. Temos que estar preparados para assimilar as críticas quando são verdadeiras, fundadas, e tentar reverter essa situação com trabalho. Só assim reverteremos o cenário negativo que nós mesmos criamos”, conscientizou-se Rogério Micale.