John Textor está afastado do comando da SAF do Botafogo, mas segue palpitando sobre os rumos tomados pelo clube. Nesta quarta-feira, o dirigente detonou a postura recente do volante Danilo e admitiu a provável saída do atleta após a disputa da Copa do Mundo, indicando o Palmeiras como um possível destino.
Danilo alegou "motivos pessoais" e ficou fora dos relacionados na partida contra o Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro, no último dia 17 de maio. Desde então, foi afastado pela alta cúpula dos treinos e não participou dos últimos quatro jogos do Botafogo antes da pausa para a Copa do Mundo. Textor não poupou críticas à postura do Cria da Academia.
"Quando um jogador faz isso, o orgulho e o respeito da organização, como você lida com isso vai determinar como os outros atletas te veem e vão se comportar no futuro. No caso do Danilo, ele é um jogador jovem brilhante, eu o amo, tenho uma boa relação com ele. Mas ele precisa entender: você está aqui, pagamos muito dinheiro por você, te contratamos quando ninguém mais contrataria, ajudamos a recuperar seu tornozelo, te recrutamos para te introduzir ao filho do técnico da Seleção. Você está agora na Seleção, e você não se retira porque quer preservar o direito de ir ao Palmeiras ou a outro clube. Você tem que jogar por nós, tem que honrar seu compromisso e sua lealdade à organização que arriscou tudo por você quando ninguém mais o faria", detonou.
Danilo é a contratação mais cara da história do Botafogo e chegou do Nottingham Forest, da Inglaterra, por 22 milhões de euros (R$ 142,7 milhões na cotação da época). Ele pediu para não jogar as últimas partidas do Brasileirão pelo Glorioso, uma vez que ultrapassaria os 12 jogos e ficaria impedido de disputar o torneio por outro clube brasileiro. O jogador de 25 anos mira um retorno ao futebol europeu, mas não descarta uma transferência no mercado interno.
"Você tenta negociar com o atleta, mas se ele tenta forçar a saída e diz que quer ir para o Palmeiras, você o coloca no banco. Não importa o quão bom ele é, o quanto os torcedores querem o ver em campo. Você tira ele, segue as regras, diz para ele treinar com o time B, e o mantém até conseguir uma oferta que te agrade, que você acha que o clube merece. Um atleta precisa saber que um dono de um clube é louco o suficiente para fazer o impossível. Todos querem vê-lo em campo e vão culpar o dono. Você precisa de um dono que seja forte o suficiente para lidar com isso para que nunca aconteça de novo", afirmou o dono da SAF do Botafogo.
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— Botafogo F.R. (@Botafogo) June 3, 2026
Textor citou o exemplo de Rayan Cherki, atualmente no Manchester City. O meia defendia o Lyon e tentou deixar o clube de graça em 2024. Contudo, segundo o dirigente, passou a treinar separado, voltou atrás e aceitou renovar com o time francês, sendo posteriormente vendido ao City por 35 milhões de euros (R$ 206 milhões na cotação atual).
"Rayan Cherki, hoje no City, fez isso conosco. Ele não queria assinar o contrato, tinha uma multa rescisória. Gastamos muito dinheiro para desenvolver a carreira dele, e ele tentava sair de graça para que o empresário dele fizesse muito dinheiro, e ele ganhasse mais dinheiro com bônus. O que eu fiz? Afastei ele, fiz ele treinar com o nosso sub-23, e deixei nosso melhor jogador para treinar lá até ele me implorar no telefone. Eles querem jogar. Eles irão ouvir o empresário para fazer essas coisas estúpidas, como o Danilo fez, até não jogarem. Cherki, então, assinou um contrato longo e o vendi por 35 milhões de euros, não 15. Transformei uma multa rescisória de 15 milhões, que quase se transformou em uma saída gratuita, para uma negociação muito difícil, mas ele cedeu e fizemos 35 milhões", apontou.
Danilo foi convocado para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Um bom desempenho pode despertar mais interessados, além do Palmeiras, que segue atento à situação do Cria da Academia. A presidente Leila Pereira já admitiu que o Verdão tem o atleta na mira.
"Danilo precisa respeitar seu compromisso com esse clube. O contratei quando ninguém o queria. Ele nunca deveria ter ficado fora daqueles jogos. Se eu estivesse no comando, aquilo não teria acontecido. Ele tem contrato, não tenho que vendê-lo. Eu enterro a carreira de um jogador antes de comprometer os interesses do meu clube. Eu queimo o melhor jogador do mundo para salvar o meu clube. Por 25, 30 milhões, independente de qual seja o número, não valem a pena perder o seu clube. O que vai acontecer agora, com o social: eles vão ceder, ele vai acabar indo para o Palmeiras se depender deles", concluiu Textor.