Uma das filhas de Diego Maradona afirmou nesta terça-feira que o médico pessoal do ex-jogador incentivou a internação domiciliar que antecedeu sua morte, em 2020. A declaração foi feita durante o julgamento da equipe de saúde responsável por cuidar do ídolo argentino em seus últimos dias.
Jana Maradona, de 30 anos, relatou uma conversa entre o principal acusado, o neurocirurgião Leopoldo Luque, e a família do ex-atleta, na qual foi decidido que Maradona continuaria a recuperação em casa após passar por cirurgia para tratar um hematoma subdural, em 3 de novembro daquele ano.
#Reconocimiento Un día como hoy, pero de 1994, Diego Maradona le convirtió a Grecia su último gol con la camiseta de la Selección @Argentina 🇦🇷 pic.twitter.com/voJ2e7vo30
— 🇦🇷 Selección Argentina ⭐⭐⭐ (@Argentina) June 21, 2019
O caso
“Ele nos disse que tínhamos uma única chance e que precisávamos decidir bem o que fazer. A casa funcionaria como uma clínica de reabilitação, mas de forma mais acolhedora para o meu pai. Achei que era a melhor decisão”, declarou Jana em depoimento a um tribunal de San Isidro, na região metropolitana de Buenos Aires.
Segundo ela, Luque também sustentava que Maradona não aceitaria ser internado em uma clínica.
“Disseram que seria uma internação séria e que a Swiss Medical estaria totalmente à disposição do meu pai”, completou.
Julgamento
O julgamento, iniciado em abril, busca determinar a responsabilidade da equipe médica que acompanhou Maradona durante o período de internação domiciliar, que terminou com sua morte em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, em decorrência de um edema pulmonar e uma parada cardiorrespiratória.
O processo analisa tanto as condições quanto a adequação da decisão de manter o ex-jogador em casa, opção defendida por Luque em detrimento de um centro de reabilitação sugerido por profissionais da clínica onde foi realizada a cirurgia, segundo relato de Jana, que durou quase quatro horas.
Ao menos dez testemunhas descreveram a residência em Tigre, onde Maradona foi atendido, como inadequada para cuidados médicos, apontando problemas de higiene e estrutura.
O psicólogo Carlos Díaz também prestou depoimento e afirmou que a pandemia afetou significativamente o estado emocional do ex-jogador. Segundo ele, Maradona enfrentava transtorno bipolar, traços de personalidade narcísica e dependência de álcool e psicofármacos.
Além de Luque e Díaz, outros cinco profissionais de saúde respondem por homicídio com dolo eventual — quando há consciência de que a conduta pode levar à morte. A pena pode chegar a 25 anos de prisão. Uma oitava acusada será julgada separadamente.
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*Por AFP