O maior vencedor da história da Corrida Internacional de São Silvestre, o queniano Paul Tergat, voltou ao Brasil e foi homenageado nesta sexta-feira, no prédio da Fundação Cásper Líbero, responsável pela organização da prova de rua mais tradicional do atletismo brasileiro e que celebra sua 100ª edição em 2025.
Contando com a presença de fãs, personalidades do esporte e imprensa, Paul Tergat inaugurou o Hall da Fama da São Silvestre, uma das novidades neste ano que marca o centenário da prova. O queniano é o atleta masculino que mais venceu a tradicional corrida de rua. São cinco títulos no total: 1995, 1996, 1998, 1999 e 2000.
Além de ser o atleta masculino mais vitorioso da história da São Silvestre, ficando atrás apenas da portuguesa Rosa Mota, com seis títulos, Paul Tergat também deteve por muitos anos o recorde da prova, cruzando a linha de chegada em 43min12s em 1995. O queniano só teve sua marca superada em 2019, quando seu compatriota Kibiwott Kandie percorreu os 15km em 42min59s.
“Eu sou muito grato pela hospitalidade do povo brasileiro e o carinho que recebo sempre que venho para cá. São Paulo é a minha cidade, e o Brasil, minha segunda casa”, disse Paul Tergat em cerimônia no Teatro Cásper Líbero.
Hall da Fama
O queniano deixou suas pegadas na “calçada da fama” que contará com outros nomes que fizeram história ao longo das 99 edições da São Silvestre e fez questão de tirar fotos com cada um dos fãs que compareceram na cerimônia.
Responsável pela organização da prova, o editor-executivo da Gazeta Esportiva, Erick Castelhero, comentou sobre a grande celebração da 100ª edição da São Silvestre e a inauguração do Hall da Fama com a presença de ninguém mais, ninguém menos que Paul Tergat.
“Tudo no ritmo dele, rápido, veloz, ágil. Tivemos essa oportunidade incrível com ele, super generoso. Ele é apaixonado pela São Silvestre, é o que revelou ele para o mundo. Ele já tinha um histórico, mas ele cresceu muito com a São Silvestre e abriu agenda para vir aqui, receber essa homenagem”, afirmou.
Castelhero também antecipou que outros nomes serão incluídos no Hall da Fama em breve. Um deles é o de Rosa Mota, a portuguesa que venceu a São Silvestre seis vezes de forma consecutiva, entre 1981 e 1986.
“Nada melhor que, na edição centenária, inaugurar o Hall da Fama com um dos maiores de todos os tempos. No masculino é o maior vencedor, ninguém conseguiu cinco conquistas, só a Rosa Mota no feminino, que vamos trazer também. Nada melhor que premiar esses ícones do atletismo mundial, não só da São Silvestre”, concluiu.
O impacto da São Silvestre na carreira de Paul Tergat
Paul Tergat despontou nos anos 1990 como um dos mais promissores corredores do planeta. Enfileirou conquistas na São Silvestre e só não igualou o feito de Rosa Mota, vencendo seis vezes consecutivas, porque em 1997 o brasileiro Emerson Iser Bem conseguiu cruzar a linha de chegada à frente do queniano, que teve de se conformar com a segunda colocação.
Em meio aos títulos na prova de rua mais tradicional do atletismo brasileiro, Paul Tergat foi ganhando cada vez mais confiança. Se tornou medalhista de prata nos 10.000m nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, quebrou o recorde da meia-maratona, em 1998, em Milão, cravando 59min17s, e ganhou coragem para dar um passo ainda mais ambicioso na carreira.
“A São Silvestre teve um papel fundamental para que eu pudesse acreditar mais em mim. Jamais imaginei que poderia vencer tantas vezes no Brasil e isso me encorajou a dar um próximo passo, decidi correr maratonas”, disse o queniano.
Em 2003, três anos depois de vencer pela última vez a São Silvestre e conquistar mais uma medalha de prata olímpica nos 10.000m, desta vez nos Jogos de Sidney, na Austrália, Paul Tergat voltou a escrever seu nome na história do atletismo ao quebrar o recorde da maratona, se tornando o primeiro homem a correr os 42km abaixo das 2h5min, cruzando a linha de chegada em 2h04min55s na Maratona de Berlim, uma das chamadas “Majors”, as principais maratonas do mundo, grupo que inclui também Tóquio, Londres, Boston, Nova York e Chicago.
Não tem como pensar em São Silvestre e não associá-la a Paul Tergat por tudo o que ele fez nas ruas da capital paulista. O queniano, por sua vez, crê que a prova foi fundamental para alavancar a sua carreira e torná-lo um dos principais nomes do atletismo queniano e do mundo. Uma história de amor, que quase sempre teve um final feliz.