Melhores corredores brasileiros ressaltam preparação africana para São Silvestre

São Paulo , SP
01/01/2018 10:00:49

Em: Atletismo, Corrida Internacional de São Silvestre, Mais Esportes
Ederson Vilela encerrou a São Silvestre na 12ª colocação (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Não foi na 93ª edição da São Silvestre que o tabu de brasileiros no lugar mais alto do pódio foi quebrado. Desde 2010, o Brasil não possui um corredor vencendo a prova. Neste ano, os representantes do país não chegaram nem mesmo no pódio. Porém, a diferença de rendimento entre os fundistas brasileiros e os africanos tem uma explicação: a diferença na preparação.

Melhor brasileiro entre os homens, Ederson Vilela, que terminou a prova na 12ª colocação, explica que os atletas africanos chegam à esta prova com um desgaste muito menor, em decorrência de um calendário menos inchado.

“Nós sempre realizamos um trabalho específico para a São Silvestre. Mas como temos um calendário com várias provas, infelizmente chegamos um pouco desgastado. Porém não podemos não participar devido a patrocinadores e outras dificuldades. Os africanos disputam muito menos provas que nós. Eles possuem um trabalho em etapas e nós não temos essa cultura ainda implementada no Brasil. Tive a oportunidade de correr com alguns deles e sei que é uma estrutura diferente”, avaliou o corredor paulista.

Destaque entre as corredoras brasileiras, Joziane Silva Cardoso terminou a prova na 10ª colocação e também citou a preparação diferenciada das africanas para explicar o grande desempenho das atletas, que dominam as últimas onze edições do evento.

“As quenianas daqui são de nível europeu. Claro que não é impossível, mas precisamos priorizar bacana. Quero fazer isso no ano que vem, ir para a altitude, eles têm isso, treinam em lugar bem alto, o que ajuda muito. Elas são ótimas, mas a altitude ajuda um pouco. Com trabalho diferenciado, pode ser que a gente consiga quebrar essa hegemonia”, explicou.

Apesar das diferenças no planejamento prévio da competição, Ederson afirma que isso não pode ser utilizado como desculpa pelos corredores brasileiros, mas sim como uma maneira de igualar as condições. “Eles têm muito mais corredores na elite mundial, mas também temos bons brasileiros, alguns talentos. A gente tem que repensar para colocar algum brasileiro no meio deles em 2018. Falando por mim, pode parecer que não, mas feliz pelo meu resultado de melhor brasileiro. Falta muito, preparar melhor. A gente não pode dar a mesma desculpa sempre, repensar e ver uma melhor preparação”, completou o corredor.