Campeã, Maria Zeferina revive relação com a São Silvestre em documentário sobre sua vida

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(Foto por: Murilo Gomes/Gazeta Press)

Por Murilo Gomes

A trajetória de Maria Zeferina Baldaia, campeã da São Silvestre em 2001, é o ponto de partida do documentário "Zeferina – Maria Brasileira", dirigido por Lucas Bretas e produzido pela Grattitude Films. Exibido em sessões especiais durante a Expo São Silvestre, o filme vai além do esporte e retrata uma história marcada por fé, resistência e transformação social.

Para a Gazeta Esportiva, Maria Zeferina contou que ver sua vida retratada nas telas é mais um sonho realizado, ainda mais no contexto do centenário da corrida. “É mais outro sonho realizado. Centenário da São Silvestre, o lançamento do meu filme e tudo voltado para a corrida. Minha vida inteira é corrida”, afirmou. A atleta destacou que o documentário retrata sua caminhada desde a infância até os dias atuais, sempre marcada pela persistência. “Com muita luta, muita superação, com muita fé e acreditando no sonho, eu venci.”

O diretor Lucas Bretas explica que a ideia do filme surgiu após décadas acompanhando a carreira da atleta. “Quando ela anunciou que iria se aposentar, deu um clique. Ela tinha uma trajetória de vida e uma carreira como atleta muito bonita, profunda e representativa, que merecia ser contada num filme”, disse.

Segundo ele, o esporte é o fio condutor da narrativa, mas não o único elemento central.

“O filme fala de uma mulher negra, pobre, boia-fria desde os 12 anos, que começou a correr descalça porque não tinha tênis. É uma história de enfrentar dificuldades extremas e não desistir de um sonho”, destacou Bretas. Para o diretor, a relação de Zeferina com a São Silvestre é tão intensa que se confunde com a própria identidade da atleta. “Se fosse um personagem de ficção, não teria uma história de amor tão forte com a São Silvestre quanto a Maria teve”, pontuou Lucas.

Encontro com Rosa Mota

Um dos momentos mais simbólicos do documentário é o encontro entre Maria Zeferina e Rosa Mota, hexacampeã da São Silvestre, medalhista olímpica e grande inspiração da brasileira.

“Trazer a Rosa para o filme foi fundamental. Ela é um ícone do esporte mundial e foi decisiva para a Maria criar esse amor pela corrida”, afirmou Bretas. Zeferina reforça esse impacto. “Se eu sou quem eu sou, foi porque tive a Rosa como inspiração desde os meus 12 anos. Ela me ensinou a nunca desistir dos meus sonhos.”

Durante as gravações, a emoção esteve presente principalmente nas cenas que reconstituem a infância da atleta. “Ela acompanhava tudo e chorava ao ver aquelas cenas sendo reconstruídas. Isso nos deu a certeza de que estávamos sendo fiéis à história real”, contou o diretor.

Maria Zeferina e Rosa Mota se abraçando. (Foto: Murilo Gomes/Gazeta Press)

Maria Brasileira

Lucas Bretas também explicou a escolha do título "Zeferina – Maria Brasileira", que carrega um significado simbólico e coletivo. Para o diretor, o nome “Maria” representa não apenas a protagonista, mas milhares de mulheres brasileiras que enfrentam dificuldades semelhantes diariamente. “Maria é um nome que sintetiza a mulher comum do Brasil, a mulher trabalhadora, invisibilizada, que luta, cai e levanta. A história da Zeferina é única, mas ao mesmo tempo é a história de muitas Marias espalhadas pelo país”, cravou.

Para Maria Zeferina, a principal mensagem do documentário é simples e universal. “Quero plantar uma sementinha da fé, do sonho, da esperança e do amor. Se eu consegui vencer, mesmo com tantas dificuldades, todo mundo também pode vencer”, concluiu.

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