Por Murilo Gomes
Campeã da Corrida Internacional de São Silvestre em 2001, Maria Zeferina Baldaia voltou a falar com emoção sobre a prova que marcou de forma definitiva sua trajetória no atletismo. Presente na Expo São Silvestre, no Parque do Ibirapuera, a ex-maratonista conversou com a Gazeta Esportiva, reviveu memórias, reforçou o caráter transformador da corrida e celebrou o centenário da principal prova de rua da América Latina, que chega à sua 100ª edição.
Para Zeferina, a vitória conquistada há mais de duas décadas representou uma virada completa de vida, tanto no aspecto pessoal quanto profissional. “Mudou tudo na minha vida, tudo, porque foi um sonho realizado que eu buscava e também consegui transformar e mudar a vida da minha família”, afirmou.
Ao falar especificamente sobre a prova paulistana, a emoção tomou conta. “A São Silvestre, para mim, é a maior prova do mundo. Foi ali que eu consegui realizar meu sonho”, disse. Para Zeferina, o diferencial da corrida vai muito além do aspecto competitivo. “Ela é no último dia do ano, vem pessoas do mundo inteiro, é uma confraternização, é uma inclusão. Você vê desde a caminhada até os atletas de elite, vê pessoas fantasiadas. É uma festa.”
"A São Silvestre é tudo para mim”
A campeã també lembrou que a São Silvestre foi o palco onde um sonho cultivado desde a infância finalmente se concretizou, após uma trajetória marcada por dificuldades extremas. Antes de chegar ao topo, Zeferina conciliava o atletismo com o trabalho no corte de cana-de-açúcar, muitas vezes treinando descalça e sem estrutura adequada. A corrida, no entanto, sempre foi o fio condutor da sua história.
“Minha vida inteira é corrida. Tudo que eu vivi e conquistei passa pela corrida. Por isso, só tenho gratidão", destacou, ao relembrar o impacto que a São Silvestre teve em sua caminhada.
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No ano do centenário, esse simbolismo ganha ainda mais força. Para a ex-maratonista, correr a São Silvestre representa um ritual coletivo de encerramento e recomeço. “Está todo mundo ali para celebrar, fechar um ano e abrir o outro correndo, buscando saúde, paz e amor”, afirmou.
“É uma energia diferente de qualquer outra corrida”, finalizou a campeã.
Além de revisitar sua relação histórica com a São Silvestre, Maria Zeferina também vive um novo momento fora das pistas. Sua trajetória de superação será retratada no documentário "Zeferina – Maria Brasileira", que acompanha desde a infância marcada pelo trabalho no corte de cana até as principais conquistas da carreira no atletismo.