Após experiência negativa, Sette se vê mais preparado para entrar na F1

José Victor Ligero - São Paulo , SP
09/11/2018 08:00:15 — 09/11/2018 08:38:43

Em: Escolha do editor, Fórmula 1, Motor
O mineiro Sérgio Sette Câmara é o mais novo piloto de testes da McLaren (Foto: McLaren/Divulgação)

Dois anos após sua primeira passagem na Fórmula 1, Sérgio Sette Câmara está de volta à principal categoria do automobilismo mundial. O novo piloto de testes da McLaren, inclusive, se diz mais preparado para a função, após uma experiência negativa na Red Bull, em 2016.

“A autoanálise que eu fiz depois que saí do programa da Red Bull é que no meio da temporada já tinha percebido que não estava preparado para aquela oportunidade. Achava que era tudo ou nada. Na verdade, tinha muita coisa para acontecer ainda”, afirmou o brasileiro, na última quinta-feira, no autódromo de Interlagos.

Natural de Belo Horizonte, o piloto de 20 anos voltou à F1 após duas boas temporadas na Fórmula 2. Em 2018, correndo pela equipe Carlin, Sette Câmara não conquistou nenhuma vitória, mas foi ao pódio oito vezes e se encontra no sexto lugar da competição.

“É ter calma, entender que o que importa é o resultado. Neste ano aconteceram várias coisas: o meu carro quebrou muito, eu quebrei o meu braço, perdi duas corridas, mas ninguém lembra disso. Eu não reclamo, porque o que importa é o resultado no final do ano”, conscientizou-se, antes de completar.

“E eu já sei disso para esta e para a próxima temporada. Preciso levar o carro até o final da corrida, estar pontuando, entender como é disputar um campeonato, coisas que eu não havia aprendido antes. O programa me ajudou a amadurecer mais rápido”, avaliou.

Durante a coletiva de imprensa, o brasileiro afirmou que ainda não traçou um planejamento de tarefas com a McLaren para 2019, o que deve ser feito após a atual temporada.

Relação com futebol

Filho do presidente do Atlético-MG, de mesmo nome, Sérgio Sette Câmara afirmou não ser um amante do futebol e que torce pelo Galo apenas em função de seu pai e de conhecidos que trabalham no clube.

“Eu não sou muito fã de futebol. Por isso mesmo vim parar aqui (risos)”, brincou Sette, diante dos jornalistas no paddock da McLaren, em Interlagos. “Torço pelo clube porque desde que eu nasci meu pai está ligado a ele. Conheço pessoas que trabalham lá”, explicou.

“Obviamente torço pelo sucesso do meu pai. Esse é o tipo da torcida, se resume a torcer pelas pessoas que trabalham naquele clube. Não é como um torcedor de futebol normal”, completou o mineiro, que acompanhará o GP Brasil neste final de semana, em São Paulo.

Arte: AFP

McLaren à brasileira

Sérgio Sette Câmara ainda minimizou a presença de brasileiros na McLaren como aspecto positivo em sua adaptação à equipe inglesa. Além do diretor esportivo Gil de Ferran, bicampeão da Fórmula Indy, que contribuiu em sua contratação, o time de Woking conta com a Petrobrás como sua parceira.

Além disso, ícones do automobilismo nacional passaram pela McLaren, como Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna, campeões mundiais com o histórico carro branco e vermelho.

“Ajuda no sentido de o ambiente ser mais confortável, poder conversar com alguém em português é mais confortável. Ter uma empresa brasileira no time traz uma sensação de que meu País está envolvido com isso. Mas aqui as decisões são feitas baseadas no resultado, no profissionalismo. Não pretendo me beneficiar por isso”, declarou, tendo a opinião corroborada por Gil de Ferran.

“O Sérgio falou bem em relação ao profissionalismo. Aqui temos engenheiros franceses, italianos, japoneses, ingleses, de várias nacionalidades dentro da empresa. No dia a dia a nacionalidade não é um assunto que venha à tona na minha cabeça. Acho um pouco indiferente. Não sei se isso é uma coisa que no dia a dia pesa muito”, disse o diretor brasileiro.