Tiffany cogita recorrer à Justiça para disputar Superliga e diz: “Vou lutar até o final”

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Foto: Carol Fotografia/ Osasco

Tiffany Abreu quer terminar a carreira dentro das quadras e cogita recorrer à Justiça para conseguir disputar a Superliga 2026/27. A jogadora esteve no lançamento da competição, nesta quinta-feira, em São Paulo, representando o Osasco, e afirmou que pretende lutar até o fim para ter a oportunidade de continuar atuando.

 

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A oposta foi diretamente afetada pela nova política de elegibilidade adotada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que passou a seguir critérios do Comitê Olímpico Internacional (COI) e impede atletas que não comprovem a elegibilidade de disputar as competições femininas. O Osasco havia renovado o contrato de Tiffany para a temporada e pretendia contar com a atleta.

Durante o evento, Tiffany afirmou que deseja encerrar sua trajetória como atleta de forma digna e não ser retirada das quadras após dez anos atuando no vôlei brasileiro.

“Quero terminar a minha temporada. Eu não fiquei dez anos à toa. Foram dez anos lindos, que eu inspirei muitas pessoas, muitos atletas que hoje estão dentro de quadra, atletas que me viram jogar e compartilham a quadra comigo e dizem que fui inspiração dela”, afirmou.

A jogadora também admitiu a possibilidade de buscar uma solução por meio da Justiça caso não consiga chegar a um acordo com a CBV.

“Quero terminar a minha carreira de atletas com o pé direito, digna de uma aposentadoria, digna de falar eu comecei, eu terminei, eu inspirei e agora vou começar a ajudar outras pessoas fora de quadra. Não assim expulsa, não assim proibida, jogada na sarjeta como se nada tivesse acontecido. Eu espero que algo possa mudar. Se não for uma boa conversa, de bom acordo, que seja na Justiça. E que a justiça possa estar do meu lado, porque não faço nada de errado, só estou trabalhando”, desabafou.

A atleta afirmou ainda que gostaria de estar no lançamento apenas celebrando o esporte, em vez de precisar lutar para continuar atuando.

“É saber que eu poderia estar aqui sorrindo e representando meu esporte e não lutando por ser quem eu sou. É muito difícil porque são sonhos. Eu vou lutar até o final para que a história de Tifanny Abreu não termine desse jeito, que a história de pessoas trans não termine desse jeito e que eu continue inspirando pessoas”, declarou.

Tiffany também destacou o apoio recebido durante o lançamento da Superliga e reforçou que pretende continuar presente no ambiente do vôlei.

“Infelizmente vim em uma época não tão favorável, mas aqui estou presente para mostrar que eu existo, que eu também tenho direito de estar aqui, de estar jogando essa Superliga. Fui muito bem recebida, todos me dando apoio em um momento tão difícil. Recebi esse apoio como muito amor e muito carinho”, afirmou.

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Osasco promete defender Tiffany

O técnico Luizomar de Moura também participou do lançamento representando o Osasco e afirmou que o clube pretende utilizar os meios jurídicos disponíveis para tentar contar com Tiffany na Superliga.

“O Osasco, como um clube tão importante do voleibol feminino, lógico que vai procurar defender os seus direitos. Isso aí está com o departamento jurídico. Eu, como treinador, lamento muito, porque fui pego de surpresa. Recebi essa notícia, eu não estava nem aqui, estava com a seleção cubana. E às vésperas da estreia do Campeonato Paulista. Isso não vai diminuir nada o nosso trabalho e nós vamos com tudo para a Superliga”, afirmou Luizomar.

O treinador também criticou a forma como o clube tomou conhecimento da nova situação envolvendo a atleta. Segundo Luizomar, o Osasco recebeu a informação pela internet e não foi comunicado previamente pela CBV.

“A gente recebeu essa notícia pela internet e fomos pegos de surpresa. Temos um bom relacionamento com a CBV. Fui técnico da seleção brasileira durante 15 anos e tenho muito carinho pela instituição. Faltou um pouco de zelo, e o momento foi muito ruim. A temporada estava em andamento, a Tifanny está sob contrato. Não tem o que fazer. Temos que lutar para que ela esteja em quadra e defenda nossa equipe nesta temporada”, disse.

Tiffany relata exclusão de foto no lançamento

A presença de Tiffany também provocou uma mudança na dinâmica do lançamento da Superliga. A jogadora afirmou que, diferentemente de outras edições, não participou da tradicional foto com representantes dos clubes durante a cerimônia.

“Eu tenho 27 fotos no palco, junto com todos os treinadores, tanto masculino como feminino, todos os atletas. Isso é uma grande recordação. E esse ano a gente não pôde ir a essa foto”, afirmou.

Luizomar também lamentou a situação e disse que, caso a ausência tenha ocorrido por causa da presença de Tiffany, o episódio é motivo de preocupação.

“Eu peço, se o porquê é pela presença da Tiffany aqui, a gente só tem que lamentar. (...) Eu acho que vai ficar manchada essa foto na Superliga 26/27”, afirmou.

CBV mantém nova política

A CBV, por sua vez, mantém a decisão de adotar os critérios de elegibilidade alinhados ao COI. A entidade também afirmou durante o lançamento da Superliga que não houve pressão para a adoção da nova política.

A Superliga 2026/27 começa em 17 de outubro no feminino e no dia 24 de outubro no masculino. O Osasco estreia na competição diante do Brasília, fora de casa, no dia 19 de outubro (segunda-feira), à 18h30 (de Brasília).

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