Duelo entre mãe e filha marca 30 anos de Neymara Carvalho no Circuito Mundial de Bodyboarding

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(Foto: Divulgação)

Foram muitas ondas que trouxeram vitórias e títulos no Brasil e no exterior. E, também, aprendizado, experiência e resiliência, sempre com muita paixão pelo esporte. A bodyboarder Neymara Carvalho, pentacampeã mundial e dez vezes campeã brasileira, está completando 30 anos de Circuito Mundial de Bodyboarding nesta temporada.

Aos 49 anos, a capixaba segue competindo pelo mundo com a mesma garra das primeiras disputas. E, paralelamente, atua como uma verdadeira embaixadora do bodyboarding, participando de circuitos pelo Brasil, incentivando a nova geração de atletas e as crianças e jovens que querem se dedicar ao esporte.

Há 20 anos, ela comanda o Instituto Neymara Carvalho, em Barra do Jucu, Vila Velha (ES), praia em que aprendeu a surfar, buscando formar crianças, adolescentes e jovens campeões no esporte e na vida. O Instituto soma mais de 4 mil crianças e jovens atendidos, com mais de 12 mil pessoas impactadas indiretamente por meio de suas famílias.

Neymara começou a competir no final dos anos 1980. Em 1994, vieram as primeiras provas no Profissional e, em 1995, o início da carreira internacional, com as primeiras etapas do Circuito Mundial. São 30 anos de circuito, 31 anos como profissional.

"Iniciei indo pela primeira vez para o Havaí, onde tinha a etapa mais glamourosa e que dava o título de campeã mundial do Circuito, criado nesse mesmo ano de 95. E estou até agora participando. Mesmo grávida, continuei competindo até os cinco meses de gestação e, depois, retornei", explicou Neymara.

Mãe enfrenta a filha no Circuito Mundial

Patrocinada pela ArcelorMittal, pela Secretaria de Estado do Espírito Santo e pela Prefeitura de Vila Velha, Neymara Carvalho é mãe de Luna Hardman, bicampeã mundial Pro Junior aos 19 anos. Desde o ano passado, ela tem vivido uma nova experiência na carreira: a de ser adversária da filha na categoria profissional.

Luna está ligada ao bodyboarding desde a barriga da mãe e, aos 12 anos, começou a seguir seus passos no esporte. Em 2024, passou a se dedicar exclusivamente aos torneios profissionais. Neymara vibra muito a cada conquista da filha, considerada destaque da nova geração, e não esconde que ainda está aprendendo a enxergar nela uma adversária no bodyboarding.

"Eu acho muito legal competir com a minha mãe. Mas, na hora, quando a gente entra na bateria, consigo diferenciar bem o afeto e a competição. Eu trabalho muito bem isso e acredito que ela está começando a ficar melhor nisso agora. Está aprendendo e me dando dura", revelou Luna.

Luna com a mãe na conquista do bicampeonato mundial (Foto: Divulgação)

"Ela é um exemplo para todas as meninas do mundo. Então, disputar com minha mãe é muito importante para subir o meu nível e para viver essa experiência de competição mesmo", completou a bodyboarder.

Neymara, por sua vez, admite que ainda está aprendendo a lidar com essa situação.

"É um momento novo na minha carreira, porque já competi com todas as adversárias possíveis, mas uma mãe disputar com a própria filha, para mim está sendo lindo, maravilhosa experiência. Ao mesmo tempo, estou tendo de lidar com esse sentimento de mãe, protetora, acolhedora, e deixar todo esse papel de mãe de lado e focar na atleta. Olhar para o lado e encarar minha filha como uma adversária é hoje um dos pontos mais difíceis que estou vivendo na minha carreira, com certeza. Mas também um dos mais gloriosos", disse a atleta.

Luna e Neymara (Foto: Divulgação)

Primeiro título em 2003

No Circuito Mundial, Neymara competiu oito anos antes da comemoração do primeiro título em 2003. O bicampeonato veio na temporada seguinte, 2004. Depois da gravidez, mais três conquistas seguidas: 2007, 2008 e 2009.

"Um dos pontos mais difíceis, mas também de muito aprendizado, foi esperar esse tempo todo para ser campeã mundial, mesmo sendo citada como revelação, como possível candidata ao título durante muitos anos. Eu tive momentos muito difíceis, de acreditar mesmo no meu potencial ou não. Mas, aprendi muito com todas as brasileiras, principalmente as que foram campeãs mundiais na minha frente", garantiu.

Com elas, Neymara diz que observou como deveria fazer, como deveria treinar, como deveria se portar, como era uma atleta profissional. "Tudo o que me tornei eu devo a esse aprendizado de ter visto as outras campeãs na minha frente. Eu cito Mariana Nogueira, Daniela Freitas, Claudia Ferrari, Soraia Rocha, Carla Costa. Todas foram campeãs do Circuito Mundial, desde 95, na minha frente, nos oito anos antes".

Neymara não esconde a emoção quando fala desses 30 anos. "Foram anos de dedicação, desafios e conquistas. Sou imensamente grata por cada onda, cada título e, acima de tudo, por cada pessoa que fez parte dessa trajetória. O bodyboarding me ensinou resiliência, paixão e a importância de nunca desistir dos sonhos. Obrigada a minha família, aos fãs, patrocinadores e a todos que me apoiaram ao longo dessa jornada. Sigo com amor e gratidão pelo esporte que transformou minha vida".

Na atual temporada, Neymara já participou das etapas do Circuito Mundial no Marrocos (fevereiro) e no Chile (junho). Entre 3 e 7 de setembro estará em Sintra, Portugal, e em seguida será a vez do Wahine, de 11 a 21. Paralelamente, corre as três etapas do Circuito Cearense 2025.

Neymara Carvalho (Foto: Taghazout Bay World Bodyboard / IBC)

O ArcelorMittal Wahine Pro

Neste mês de setembro, Neymara Carvalho está organizando, no Brasil, mais uma edição da etapa feminina do Circuito Mundial: o ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro, que reunirá as principais atletas do mundo no Espírito Santo.

As melhores atletas do mundo estarão reunidas na praia de Jacaraípe, em Serra (ES). As disputas serão realizadas a partir do dia 11 e até o dia 21 de setembro, com cerca de 120 bodyboarders de mais de 10 países e premiação total de 45 mil dólares (R$ 250 mil na cotação atual).

Juntamente com as categorias Profissional, Pro Júnior e Máster, valendo o título mundial, serão realizadas categorias especiais: PCDs (amputadas, mastectomizadas e deficientes visuais), exclusiva no Wahine, sem contar pontos para o Circuito Mundial, e Mães & Filhos, celebrativa, sem caráter competitivo oficial.

Antes e ao longo do ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro estão programadas ações, como aulão social, limpeza de praia e roda de educação ambiental. Destaque, também, para o ônibus do Juizado Itinerante da Lei Maria da Penha, conhecido como Ônibus Rosa, uma iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo que tem como objetivo dar suporte às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.

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