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Com chance de medalha, Isaquias destaca força de treinador falecido em 2018

Tomás Rosolino e Marina Bufon - São Paulo , SP
22/07/2019 08:00:51

Em: Jogos Pan-Americanos, Mais Esportes, Notícias

Era 11 de novembro de 2018 quando Isaquias Queiroz soube da morte de seu então técnico, Jesús Morlán, aos 52 anos. Desde então, o medalhista olímpico vem colhendo resultados para que, de alguma forma, presenteie o profissional que revolucionou a canoagem no Brasil desde sua chegada por aqui, em 2013 – e isso pode acontecer a partir do dia 26 de julho, na disputa do Pan-Americano de Lima.

“Ele se apartou da gente, saiu da casa, foi ficar em um hotel próximo de onde a gente treinava, no Batalhão da Polícia Especial de Minas Gerais. De vez em quando ia ao treino. Ele se afastou por pouco tempo… As lembranças dele, de 2013 para cá, foram muitos anos! Muita coisa que a gente viveu, muitos anos juntos”, disse o atleta.

Isaquias, Jesús Morlán e Erlon Souza (Foto: Divulgação/COB)

Morlán foi diagnosticado com câncer cerebral em novembro de 2016, tendo passado por uma cirurgia e intenso tratamento com quimio e radioterapia. Ainda assim, esteve próximo dos atletas em treinamentos, conforme dito por Isaquias, e também em competições. Depois que ele se foi, porém, a equipe precisou se recompor rapidamente para poder não só conquistar a vaga olímpica, como também chegar bem nas competições que disputa desde então.

Agora comandado por Lauro de Souza Junior, auxiliar naquela época, Isaquias conta que o contato com a família do ex-treinador não cessou. “Temos contato com a esposa e a filha dele, sempre conversamos e mandamos mensagem. A esposa sempre fala ‘lembre que Jesus está olhando para vocês, façam uma ótima prova’. Na Copa do Mundo agora, ela mandou um vídeo dele fumando cigarrinho. Rapaz, parecia que ele estava na Colômbia e ela tinha o filmado. Foi muito especial para a gente ver esse vídeo”, revelou. A família de Morlán reside país sul-americano.

Além disso, de alguma forma o espírito do ex-técnico se encontra presente nas preleções. “A filha dele também mandando mensagem, tanto de apoio quanto de cobrança, né, porque é a filha dele, tem a mesma personalidade dele e a gente gosta de ver isso. A personalidade dele nela, e ela exigindo da gente medalhas, exigindo da gente foco e determinação”.

Novo comando

Canoísta é dono de três medalhas olímpicas e uma das referências do Brasil no esporte (Foto: Damien Meyer/AFP)

Desde a morte de Jesús Morlán, quem assumiu a comissão de frente dos treinamentos foi Lauro de Souza Junior. Para Isaquias, seu trabalho é mais difícil, visto que ele é possivelmente mais cobrado por conta dos resultados de seu antecessor. Foram três medalhas olímpicas e dez medalhas em Mundiais de Morlán no comando da Seleção Brasileira.

“O Lauro está fazendo um ótimo trabalho, está focado também em Tóquio. Lógico que pra ele é uma pressão a mais, ele sempre tem aquela coisa de manter o trabalho… Mas o resultado dele é complicado, né, então ele tem queixas, dúvidas, mas quando ele vê o treinamento ele acaba ficando mais feliz, mais confiante, mas é aquela coisa, não depende muito dele, depende mais da gente. O treinamento está lá, estamos fazendo todo dia, depende só do querer ou não. E isso ele vê que a gente está todo dia querendo”, observou.

Por mais que Tóquio 2020 seja o grande objetivo do atleta e seu parceiro Erlon de Souza, há ainda outras competições importantes no calendário, o Mundial da modalidade a ser disputado em Hungria, no final de agosto, além de, claro, o Pan-Americano de Lima, a ser disputado entre os dias 26 de julho e 11 de agosto de 2019.