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Recusas de Larry e Hettsheimeir geram dúvidas em Magnano

Em Basquete, Mais Esportes, Olimpíadas 2016
Atualizado em 20/08/2015 - 13:14:14 Compartilhe
André Sender - São Paulo , SP
Pedidos de dispensa de Larry e Hettsheimeir não convenceram técnico Rubén Magnano. (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
Pedidos de dispensa de Larry e Hettsheimeir não convenceram técnico Rubén Magnano. (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

O técnico Rubén Magnano recebeu com surpresa os pedidos de dispensa do armador Larry Taylor e do pivô Rafael Hettsheimeir da Seleção Brasileira que vai à Copa América de basquete. O treinador estranhou as justificativas apresentadas pelos jogadores, campeões dos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015 em julho.

Tanto Larry quanto Hettsheimeir foram figuras importantes nas convocações de Magnano em seus anos à frente da Seleção. O técnico argentino defendeu a naturalização do armador norte-americano, que não tinha chances na equipe de seu país e disputou pelo Brasil os Jogos Olímpicos de Londres 2012 e o Mundial da Espanha 2014. Já Hettsheimeir se destacou no Pré-Olímpico de Mar del Plata 2011 e só não participou das Olimpíadas da capital inglesa por lesão.

“Fiquei muito surpreso. Muito, muito surpreso”, revelou Magnano à Gazeta Esportiva ao comentar os pedidos de dispensa dos atletas que comandou à medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015.

A Copa América do México, disputada entre 31 de agosto e 12 de setembro, é o Pré-Olímpico continental do basquete masculino. O Brasil, no entanto, como país-sede em 2016, vai ao torneio sem precisar brigar pela classificação, já que a Federação Internacional de Basquete (Fiba) confirmou a vaga direta da Seleção nos Jogos do Rio.

A dispensa de Larry foi a que mais gerou estranheza em Magnano, campeão olímpico com a Argentina em Atenas 2004. O armador, nascido em Chicago e naturalizado brasileiro com apoio do técnico, alegou uma lesão na mão direita, sofrida durante o Pan de Toronto, para justificar sua ausência.

A naturalização do norte-americano Larry Taylor foi defendida pelo técnico Rubén Magnano. (Foto: William Lucas/Inovafoto)
Naturalização do norte-americano Larry Taylor foi defendida pelo técnico Rubén Magnano. (Foto: William Lucas/Inovafoto)

Segundo Magnano, Larry foi avaliado por um médico especialista em mãos, que lhe recomendou apenas alguns dias de descanso e repouso. A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) diz também ter colocado sua estrutura à disposição do atleta, que mesmo assim optou por se tratar no Mogi das Cruzes/Helbor, equipe pela qual foi contratado em junho.

“O médico falou de quatro a cinco dias de repouso e recuperação, o que tranquilamente poderíamos ter dado. Mas ele preferiu ir embora para se recuperar em Mogi. Tenho minhas dúvidas. Realmente tenho muitas dúvidas dessa situação”, afirmou o técnico argentino.

Em nota, a diretoria do Mogi informou que pediu para Larry ficar no clube porque queria acompanhar de perto a recuperação do atleta, um dos principais de seu elenco. “O clube tentou resolver da maneira mais transparente possível para que ele se tratasse diariamente na clínica própria, com o médico e o fisioterapeuta da equipe, para que a situação fosse acompanhada de perto, considerando a importância que o atleta tem hoje para o projeto”, diz o texto enviado à Gazeta Esportiva.

Já Hettsheimeir pediu dispensas alegando razões pessoais. De acordo com o técnico Rubén Magnano, afirmou que não poderia integrar o grupo da Copa América porque faria um teste para atuar na NBA, porém não respondeu aos questionamentos do treinador sobre a data e local da prova. O experiente Guilherme Giovannoni foi convocado em seu lugar.

“Com o Rafael, ainda estou esperando uma resposta, uma ligação, sobre a situação. Ele disse que faria um teste na NBA, mas ainda não deu respostas porque perguntei ‘quando é essa prova? Onde é essa prova?’ para tentar coordenar a possibilidade de ele voltar e jogar a Copa América. Ainda não respondeu, então tivemos que chamar outro jogador”, disse o técnico.

Rafael Hettsheimeir foi campeão pan-americano com a Seleção em Toronto. (Foto: William Lucas/Inovafoto)
Pivô Rafael Hettsheimeir foi campeão pan-americano com a Seleção Brasileira em Toronto. (Foto: William Lucas/Inovafoto)

O pivô defende o Paschoalotto/Bauru, equipe que em setembro disputa o título da Copa Intercontinental contra o Real Madrid, em São Paulo, e participará da pré-temporada da NBA, enfrentando o New York Knicks e o Washington Wizards, do brasileiro Nenê, nos Estados Unidos em outubro.

À Gazeta Esportiva, por meio da assessoria de imprensa do Bauru, Rafael se disse concentrado nos objetivos do time. “Já conversei com o técnico Rubén Magnano e expliquei minha situação. A dispensa foi por motivos pessoais e já acertei isso com ele. Atualmente estou trabalhando e focado com a minha equipe. Temos importantes competições pela frente, como a reta final do Campeonato Paulista, o Mundial contra o Real Madrid e os amistosos nos Estados Unidos”, declarou.

A Copa América é a última grande competição da Seleção Brasileira em sua preparação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016, em que buscará quebrar um jejum de medalhas de 52 anos. O país foi bronze em Londres 1948, Roma 1960 e Tóquio 1964.

Por isso, Magnano convocou a Seleção Brasileira sem algumas de suas principais estrelas, como os atletas que atuam na NBA, Marcelinho Huertas, ex-Barcelona, e Alex, companheiro de Hettsheimeir no Bauru, a fim de testar nomes que possam figurar na lista olímpica da próxima temporada.

“Os jogadores têm claro que não vou mexer com questões de sentimento pessoal, e sim pensar em uma boa equipe para o Brasil. Mas é evidente que um atleta que vai embora desse jeito deixa um buraco, um espaço. E se vem outro jogador com capacidade, seguramente há risco de perder a vaga na equipe. É uma questão lógica, natural e é tratada assim”, afirmou.

Comente

  • Fredy Neto

    Será que isso acontece com outras seleções???? Para mim Magnano sempre foi boicotado, por ser estrangeiro e principalmente argentino… Porém Magnano tem feito um trabalho digno e de total respeito à frente da seleção com todas as limitações que nossos atletas possuem, coisa que nossos técnicos reclamões nacionais não conseguiriam porque são ruins, fracos. Jogador pedir dispensa e não defender seu país por qualquer motivo q seja, para mim é falta de comprometimento, falta de respeito, falta de patriotismo, deserção, digno de punição. Isso tem q ser apurado pela fraquíssima Confederação Brasileira de Basquete e tomar as devidas atitudes com relação a esses tipos de jogadores que adoram pedir dispensa.