Antes quebrado financeiramente e vivendo com incógnitas sobre sua participação no Novo Basquete Brasil (NBB), o Franca Basquete (SP), enfim, dá os primeiros sinais de que está deixando a crise.
Tudo começou quando o seu patrocinador máster, a Vivo, não renovou o contrato em agosto, prejudicando as receitas do clube em R$ 200 mil mensais.
Devendo salários, o Franca temeu uma debandada dos jogadores e chegou a cogitar o abandono do NBB7. Pressionado, o então presidente Paulo Nocera, eleito em abril do ano passado, deixou o cargo para dar lugar ao vice na época, Alexandre Rezende, que assumiu em agosto, mês em que se encerrou o contrato com a antiga patrocinadora.
Em entrevista à Gazeta Esportiva, o atual mandatário revelou que não sabe até hoje o motivo da saída de Nocera: “Como vou saber? Ninguém sabe o porquê dele ter saído”.
Visando quitar as dívidas, Rezende decidiu pedir ajuda aos torcedores do clube da cidade que respira basquete. Foi criada a campanha “Franca patrocina Franca”, uma vaquinha virtual para arrecadar fundos e deixar em ordem a folha salarial da equipe.
Segundo o presidente, a ideia foi lançada acreditando que se cada um dos seguidores do Franca no Facebook – cerca de 77 mil – doasse R$ 5,00, o clube atingiria um montante superior a R$ 300 mil, o que bastaria para acertar os três meses de salários atrasados. Até o dia 12 de janeiro, pouco mais de R$ 23 mil foram acumulados, quantia que, mesmo longe de atingir o objetivo inicial, será aproveitada futuramente.
“Essa campanha dura três meses. A gente queria esperar até mais, mas como a gente não conseguiu (atingir a meta de R$ 300 mil), isso vai ser juntado muitas vezes para ajudar a quitar a folha de pagamento dos jogadores’’, explicou o mandatário.
A campanha "Franca patrocina Franca" arrecadou até agora pouco mais de R$ 23 mil - Credito: Reprodução
Soluções
Buscando, então, outras medidas para solucionar os problemas financeiros, a diretoria francana foi atrás de novos patrocinadores para ocupar o lugar da Vivo. Sem sucesso, foi atrás de empresas, inclusive dentro da própria cidade, que juntas poderiam cumprir o papel do patrocinador máster.
Em meados de dezembro, o Franca acertou com a rede de varejo Magazine Luiza e a EMS, do ramo farmacêutico, totalizando agora 17 parceiros. Os varejistas representam o maior patrocínio, porém a diretoria diz estar negociando para aumentar os valores. Com a casa em ordem, Rezende revelou que o Franca deve apenas metade do salário referente ao mês de dezembro. Ainda de acordo com o dirigente, o programa de sócio torcedor passou a receber uma atenção especial em sua gestão, dobrando o número de vinculados ao clube, sendo quase 1.000 no total.
“Está faltando pouca coisa para a gente conseguir chegar no salário total do elenco”, diz o otimista presidente, que também conta com um projeto, através da Lei de Incentivo ao Esporte, para alcançar os R$ 220 mil da folha salarial.
A lei federal permite que qualquer pessoa física aplique parte de seu imposto – até 6% - para projetos esportivos de participação, educacional ou de rendimento. As empresas também podem participar com até 1% do imposto de renda em cima do lucro real para apoiar o projeto, enquanto pessoas físicas podem doar até 6%.
Sobre a possibilidade de abandonar o NBB7 por falta de recursos, o presidente tranquiliza os torcedores do Franca: "Não tem mais nada disso, não. Corria o risco, mas agora ele não existe mais".
O Franca segue atrás de diversos patrocínios para enterrar a crise financeira instalada em 2014 - Credito: Reprodução/Facebook
Dentro de quadra
Embora tenha convivido com inúmeras adversidades em 2014, o Franca faz boa campanha no NBB7, na quinta colocação, com nove vitórias e seis derrotas. Se o campeonato terminasse hoje, o time do interior paulista estaria classificado para os playoffs.
Questionado sobre como a motivação foi mantida no elenco, mesmo com salários atrasados, Rezende ressaltou a transparência da diretoria com os atletas.
“A honestidade com eles. Não escondemos nada deles em nenhum momento. Em todas as minhas reuniões tinha um deles presente para saber o que realmente estava acontecendo com o clube e eles acreditaram totalmente no projeto que nós estamos propondo”, ressaltou Alexandre.
“Quando eu assumi a presidência, eu estava com um fósforo na mão para poder acender. Ou ele podia apagar ou não acender. Hoje, já passei para uma lanterna e estou começando a chegar em um holofote”, concluiu o mandatário.
A motivação do elenco francano estará à prova no próximo dia 20, quando enfrentará o Basquete Cearense, pela primeira rodada do segundo turno do NBB.