A flotilha dos barcos Clássicos veio em peso para a disputa da 49ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela. Dentre os doze veleiros na disputa, um deles é especial.
O barco modelo 12 metros construído na França por um designer suíço, o Chancegger, de 1970, faz parte da história do esporte. Ele disputou a competição mais antiga do esporte, a America´s Cup (primeira edição em 1851), pela desafiante equipe da França.
O material foi adquirido há doze anos pelo argentino Jose De la Vega, que viveu por 40 anos em Sydney, na Austrália, e mantém uma bandeira deste país na popa. A tripulação é 90% de argentinos acostumados a disputarem a SIVI.
"Jose De la Vega primeiro restaurou na Birmânia, correu na Europa, Mediterrâneo, Mônaco, St. Tropez, voltou a Buenos Aires e fez a restauração toda de madeira", conta Martin Billoch, de 62 anos, velejador olímpico que venceu regatas na classe 470 em Atlanta 1996.
Apesar de ter muita experiência em raias pelo mundo, a tripulação nunca andou junta e por isso veio para a capital da Vela para curtir e disputa o maior evento da América do Sul que conta com 115 barcos.
"O barco é a primeira vez em Ilhabela, a tripulação toda disputou muitas vezes. Sempre tentamos vir, às vezes conseguimos, às vezes não, é um evento super atrativo. Em Buenos Aires estamos no inverno , 5º C, e aqui é assim (sol e calor) e a competição é legal", completou.
O objetivo da equipe não é vencer e nem derrubar outros concorrentes como o Atrevida ou o Lady Lou, mas sim desfrutar de boas velejadas no histórico modelo.
Saga para chegar em Ilhabela
Se por um lado a diversão começou nesta terça-feira, a aventura começou bem antes para os tripulantes argentinos que encararam uma saga e alguns problemas para chegarem na capital da vela brasileira após três dias de atraso no cronograma.
"Os primeiros dias foram bons de viagem, saímos de Punta del Este (Uruguai), depois tivemos um dia de mau tempo, tivemos que parar em Itajaí , quebramos uma parte do motor, abastecemos, seguimos e por aqui, a 50 milhas de Ilhabela, ficamos presos em uma rede de pesca. Tivemos que ser rebocados pois acabou o vento, o motor estava quebrado. Tivemos três dias de atrasos no total."
Veleiro gaúcho supera barco com Scheidt e lidera na classe C-30
A terça foi o dia da retomada das regatas válidas pelo campeonato com destaque para a classe C-30 onde o veleiro gaúcho e carioca, Loyalty 06, desbancou o Caballo Loco, que tem o bicampeão olímpico Robert Scheidt, e ficou na liderança no geral.
Mario Tinoco, carioca e trimmer da equipe, comentou que a condição está ótimo e o dia foi produtivo.
“Conseguimos ter um bom resultado, tripulação super entrosada e o resultado veio após muito trabalho. Robert é meu ídolo, me espelho bastante nele, estar na raia com ele é uma grande satisfação. O campeonato está só começando, ainda temos mais dias de regatas e vamos buscar continuar buscando bons resultados.”
Na classe Bico de Proa, o Blue Wind III, de James Bellini, do YCI, ficou em segundo e lidera com três pontos perdidos a frente do BL3 Mangalô, de Pedro Rodrigues, que está logo atrás com quatro. Nos Multicascos, o Aventureiro de Hans Hutzler, barco pernambucano, é o líder com duas vitórias seguido pelo Guará 3, de Ubatuba (SP) e pelo Maré XX, de Paraty (RJ). Entre os Minis, o Daddy 0, do Guarujá (SP), é o primeiro no geral.