Atletismo/São Silvestre

Secretário parabeniza São Silvestre e vê SP como cidade das corridas

GazetaEsportiva.net - São Paulo, SP - Brasil
10/12/2014 08:00:42

Em: Atletismo, Corrida Internacional de São Silvestre, Entrevistas, Mais Esportes

Criada pelo jornalista Cásper Líbero em 1924, a Corrida Internacional de São Silvestre terá sua 90ª edição realizada no próximo dia 31 de dezembro. Na esteira da prova disputada pelas ruas de São Paulo, a capital paulista tornou-se um polo de eventos do gênero.

“São Paulo é, definitivamente, a cidade das corridas de rua”, define Celso Jatene, secretário municipal de esportes, lazer e recreação, entidade responsável por organizar o Circuito Popular de Corridas de Rua, disputado de forma gratuita em bairros da periferia.

Formado em direito, Celso Jatene foi eleito para o quarto mandato consecutivo como vereador em São Paulo no ano de 2012 e tirou licença do cargo ao ser nomeado pelo prefeito Fernando Haddad para comandar a Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação.

Em entrevista à Gazeta Esportiva.net, além de parabenizar a São Silvestre, o secretário defendeu o incentivo ao ciclismo e manifestou o desejo de ver o Pacaembu passar por um processo de modernização – conselheiro vitalício do Santos, ele garantiu que a ligação com o clube não implica em qualquer privilégio em relação ao estádio.

Gazeta Esportiva – Em 2014, a Corrida Internacional de São Silvestre chega aos 90 anos e a São Silvestrinha terá sua 21ª edição. O que isso representa para São Paulo?
Jatene – É muito importante podermos ter a oportunidade de participar da São Silvestre, que em 2014 comemora seus 90 anos. É um momento de muita alegria, porque São Paulo definitivamente virou a cidade das corridas de rua. Em 2014, mesmo parando um mês por conta da Copa do Mundo, vamos superar a marca de 140 provas. Em 2015, teremos mais de 160. São Paulo é a cidade dos eventos de rua. As atividades ciclísticas vêm crescendo muito e chegam a reunir 120 mil pessoas em um domingo de sol. As pessoas estão se acostumando a fechar as ruas e ocupar os espaços públicos com atividades físicas.

Gazeta Esportiva – Dentro desse contexto, a Prefeitura organiza o Circuito Popular de Corridas de Rua… 
Jatene – Nesse ano, já promovemos 16 etapas. As corridas do Circuito ocorrem nos bairros que normalmente não recebem essas provas. Temos eventos em todas as regiões da cidade, dando preferências aos moradores locais, com inscrições gratuitas nas subprefeituras. Em 2015, serão 24 etapas e vamos tentar ampliar um pouco mais a infraestrutura, oferecendo melhores condições aos corredores. Após as provas, acontece a caminhada da família, no mesmo percurso.

Celso Jatene, secretário municipal de esportes, lazer e recreação, vê São Paulo com vocação para provas de rua
Celso Jatene, secretário municipal de esportes, lazer e recreação, vê São Paulo com vocação para provas de rua – Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press
Gazeta Esportiva – Uma marca da atual gestão é o incentivo ao ciclismo por meio das ciclofaixas e ciclovias. De que forma a Secretaria de Esportes participa disso? 
Jatene – O programa das ciclovias é coordenado pela Secretaria de Transporte. A Secretaria de Esportes participa com a criação de atividades para os ciclistas. Só quem não quer enxergar não percebe que o número de ciclistas na cidade é gigantesco, tanto os que utilizam a bicicleta no dia a dia quanto os que encaram apenas como lazer. Aumentou demais, são famílias inteiras. As pessoas gostam e querem usar a bicicleta na cidade de São Paulo. Nós temos que criar condições para isso.

Gazeta Esportiva – Recentemente, foi inaugurada uma pista de skate na Praça Roosevelt, tradicional reduto da modalidade…
Jatene – O skate na cidade de São Paulo com certeza vai ter outra cara. Além do espaço delimitado na Praça Roosevelt, vamos construir uma pista no Ceret, que deve ser inaugurada no começo de 2015. O centro esportivo de Ermelino Matarazzo e os novos CEUs também terão pistas. No antigo Clube de Regatas Tietê, faremos a maior da cidade, com uma área de quase 3 mil metros quadrados. Já estamos em fase de licitação e ficaria pronta no final do ano que vem.

Gazeta Esportiva – O antigo Clube de Regatas Tietê, retomado pela Prefeitura, foi aberto à população em setembro. Como tem sido a administração desse ‘novo’ equipamento? 
Jatene – Durante o ano de 2013, cuidamos e tratamos a área. Para você ter uma ideia, tiramos do Tietê mais de 500 toneladas de lixo, com escorpiões que precisamos matar. Em 2014, começamos a fazer a recuperação do local para poder entregá-lo à população. O espaço já recebeu um show e a abertura da Virada Esportiva. Agora, vamos fazer um evento de Natal e, no começo de janeiro, montar uma espécie de praia.

Criada pelo jornalista Cásper Líbero, São Silvestre terá sua 90ª edição realizada no dia 31 de dezembro
Criada pelo jornalista Cásper Líbero, São Silvestre terá sua 90ª edição realizada no dia 31 de dezembro – Credito: Djalma Vassão/Gazeta Press
Gazeta Esportiva – Qual é a situação do Clube Esperia? Ele também deve ser retomado pelo poder público? 
Jatene – O Esperia ainda não é responsabilidade da Secretaria de Esportes. O futuro tanto do Esperia quanto do Círculo Militar, que também já teve sua concessão vencida, será definido por quem cuida do patrimônio da Prefeitura. Se por acaso alguma área for retomada e vier para a responsabilidade da Secretaria de Esportes, estaremos prontos a retribuir e abrir gratuitamente à população. É sempre esse o nosso objetivo. Na Chácara do Jóquei, por exemplo, que voltou a ser um terreno público recentemente, estamos fazendo uma gestão compartilhada.

Gazeta Esportiva – Sobre o estádio do Pacaembu, a tendência é que a demanda diminua após a conclusão das arenas de Palmeiras e Corinthians. Quais são os planos para o estádio? 
Jatene – Faremos um chamamento público para o Pacaembu em 2015. Já tenho autorização do prefeito Fernando Haddad para isso. Na primeira etapa, vamos constituir um edital com uma série de exigências de padrão de qualidade para modernização, recuperação e restauração do espaço tombado. Quem vencer terá um prazo para apresentar o projeto e as garantias de que tem condições de executá-lo. Calculo que com menos de R$ 200 milhões ninguém consegue ser parceiro no Pacaembu. Não vamos fazer uma concessão pura e simplesmente para ficar livres do estádio.

Gazeta Esportiva – A Secretaria de Esportes tem condições de continuar administrando Pacaembu? 
Jatene – O custo fixo do estádio está totalmente inserido no orçamento da Secretaria de Esportes. Se for para permanecer como está hoje, a Secretaria fica com ele tranquilamente por mais 1.000 anos. Não tem dificuldade alguma. O que estamos querendo com o chamamento é abrir a possibilidade de modernizar as instalações do Pacaembu, de restaurar a parte tombada. Se surgir um parceiro capaz, partimos para a segunda etapa do chamamento.

Jatene é torcedor fanático do Santos
Jatene é torcedor fanático do Santos – Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press
Gazeta Esportiva – Como torcedor fanático do Santos, o senhor gostaria de ver o time jogar com mais frequência no Pacaembu? 
Jatene – Eu vou ver o Santos onde puder, sempre. Quando garoto, fui presidente da Torcida Jovem, de 1977 até 1979. Acompanhei o time no Brasil inteiro. Dormi muito em rodoviárias e viajei bastante de madrugada. Até tomo cuidado para que meus filhos torçam pelo Santos, mas não sejam tão fanáticos quanto eu. Vou acompanhar o clube onde e como ele estiver. Se for no Pacaembu, eu vou. Se for na Vila Belmiro, eu vou. Se não puder ir, ligo a televisão.

Gazeta Esportiva – A sua ligação com o Santos pode facilitar um eventual acordo pelo Pacaembu?
Jatene – Não, porque tenho plena consciência de que a minha missão é cuidar do Pacaembu e de todos os nossos equipamentos esportivos. Em momento algum passaria pela minha cabeça colocar o coração na frente da responsabilidade. Sei que o Pacaembu é um patrimônio da cidade inteira, que os torcedores de todos os clubes amam o estádio. Se o Santos quiser, quando o chamamento estiver na rua, que se viabilize para poder gerir o Pacaembu. Vai ter que fazer um investimento grande. Caso contrário, não leva.