"Outro lado da moeda", Juventus da Mooca é símbolo de resistência

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Crianças, jovens e idosos. Ricos e pobres. Descendentes ou não de italianos. Moradores ou não da Mooca. O tradicional Cannoli. O alambrado. A arquibancada de concreto. Quem costuma ir ou já foi ao estádio da Rua Javari assistir a um jogo do tradicional Clube Atlético Juventus sabe o que  significado de todos os termos acima.

A paixão dos torcedores pela equipe, que hoje disputa a Série A3 (terceira divisão) do Campeonato Paulista, e vai muito bem, liderando a competição, é algo que vai totalmente contra o conceito de torcedor-consumidor moderno.

“O Juventus é o outro lado da moeda. É um polo de resistência contra tudo isso que virou o futebol, um comércio midiático que explora a paixão do torcedor”, afirmou Melvin Traldi, torcedor do Moleque Travesso.

Clube da Móoca não disputa a primeira divisão paulista desde 2008

Clube da Móoca não disputa a primeira divisão paulista desde 2008 - Credito: Gazeta Press

A Rua Javari, casa grená no coração da Mooca, zona leste de São Paulo, é o principal foco dessa resistência. O estádio extremamente pequeno, que abriga 5 mil pessoas, nem de longe lembra as modernas novas arenas brasileiras. Atrás de um dos gols, no Setor 2, fica a principal torcida juventina, que leva o nome do próprio espaço do estádio. Durante os 90 minutos, a barra-brava grená entoa seus cantos empurrando a equipe e alfinetando alguns rivais. Em alguns momentos, o grito de “ódio eterno ao futebol moderno” também pode ser ouvido no Estádio Conde Rodolfo Crespi.

“Hoje em dia, o futebol ficou muito mercenário. Falta paixão clubística. Esse pessoal que você vê aqui na Javari, você não vê em outro lugar. Aqui no Setor 2 todo mundo está vestindo a camisa do Juventus. Não é uma torcida uniformizada, daquelas briguentas. Essa é a diversão do futebol, um esporte muito bonito, que o dinheiro estragou”, disse Edgard Vieira de Souza, filho de Manoel Vieira de Souza, um dos fundadores do clube da Mooca.

Torcedores do Juventus cantam sem parar atrás de um dos gols na Rua Javari

Torcedores do Juventus cantam sem parar atrás de um dos gols na Rua Javari - Credito: Gazeta Press

Para o torcedor grená Ramon Isla, a paixão bairrista difere a torcida juventina das demais. “Desde pequeno vinha aqui no Setor 2 e me apaixonei. A gente vem, grita, acompanha, até viaja para acompanhar o Juve quando visitante. Na chuva, no sol, estamos sempre aqui cantando. A torcida do Juventus é amor. É o time do bairro.”, disse.

Com sua simplicidade e sua tradição em um dos mais peculiares bairros da capital paulista, o Juventus conquista muitos simpatizantes. Na Javari, é comum ver a presença de são-paulinos, corintianos, palmeirenses e santistas, atraídos pelo carisma do clube da Mooca.

Proximidade do campo é um dos charmes da tradicional Rua Javari

Proximidade do campo é um dos charmes da tradicional Rua Javari - Credito: Gazeta Press

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