Ídolo no Borussia, Dedê considera 7 a 1 questão de ‘sorte da Alemanha’

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O brasileiro Dedê jogou 13 anos no Borussia Dortmund e se tornou ídolo do clube (Foto: Divulgação/BVB)

Um dos principais jogadores da história do Borussia Dortmund, o ex-lateral esquerdo Dedê trocou os gramados brasileiros pelos alemães em 1998, quando deixou o Atlético-MG e se transferiu para o clube aurinegro. Lá, permaneceu por 13 anos, se destacou e defendeu a Seleção em 2004. Com as experiências no futebol nacional e germânico, o jogador analisou a derrota para a Alemanha por 7 a 1, nas semifinais da Copa do Mundo de 2014.

“Foi um jogo atípico, não podemos julgar o Brasil só por aquele 7 a 1. Nós, brasileiros, julgamos muito pelo momento, mas, para mim, o diferencial foi que a Alemanha chegou mais preparada para aquela partida. Acho que foi um dia de sorte deles e de muito azar do Brasil. A Alemanha poderia ter ganhado de 2 a 1, ou o Brasil vencido. Em todas as chances que eles tiveram, as bolas foram entrando e, no fim, foi aquele resultado numa Copa do Mundo aqui, que todos achavam que seríamos campeões. Por isso, falam em vexame, até concordo com esse nome”, explicou à Gazeta Esportiva.

Além da seleção alemã ser a atual campeã mundial, os clubes do país vêm se tornando cada vez mais competitivos no cenário europeu. Entretanto, Dedê prefere adotar cautela para considerar o futebol germânico como o melhor da atualidade.

“Tem quarto anos que saí da Alemanha, e o futebol lá vem evoluindo muito desde 2000. Dos últimos seis anos para cá, a Bundesliga ficou exposta de uma maneira gigantesca. Muitos jogadores estão indo para lá, mas é complicado. Acho que só perde para o Campeonato Inglês em termos de público. Lógico que, na Itália e na Espanha, temos vários outros grandes times, como Real Madrid e Barcelona, que não se comparam. Mas, se pegarmos e vermos o histórico de público, o futebol alemão se tornou muito competitivo. O Borussia, por exemplo, leva 82 mil pessoas todo jogo. Em termos de campeonato, não tem um clube no mundo que faz isso”, disse, sem deixar de criticar a postura dos torcedores brasileiros. “Ganhou, a gente vai no estádio. Perdeu duas, não vamos mais. Essa educação vem de berço”.

O brasileiro Dedê jogou 13 anos no Borussia Dortmund e se tornou ídolo do clube (Foto: Divulgação/BVB)

O brasileiro Dedê jogou 13 anos no Borussia Dortmund e se tornou ídolo do clube (Foto: Divulgação/BVB)

Com a evolução do futebol da Alemanha, o Bayern de Munique se tornou um dos maiores clubes do mundo e tem dado trabalho na Bundesliga: na 23ª rodada, os bávaros são líderes com 62 pontos, oito a mais que o Borussia Dortmund de Dedê, segundo colocado com 54 somados. A discrepância não para por aí: o Hertha Berlim, terceiro lugar, tem apenas 39.

“Desde quando fui para o futebol alemão, sabia que existia o Bayern, que é um grande clube. O bom é que o Borussia não quer competir com ele financeiramente, porque sabe que irá demorar muito para atingir esse nível. Em termos de clube, de amor, eles nåo se comparam ao Borussia também, mas o Bayern compra quem ele quer. Eles tiraram Gotze e Lewandwski do Borussia, mas não temos poder para comprar um jogador do Bayern. Hoje, a realidade é essa, em cinco anos, o Bayern é campeão de dois, três campeonatos. Está sempre nivelado com o Borussia ou uma fase boa do Bremen, Wolfsburg, Sttutgart e Monchengladbach. Depois de se reestruturar em 2006, após passar a crise, quando quase faliu, o Borussia se tornou o time mais estável da Alemanha, cresceu muito. Mesmo não sendo campeão, está sempre em segundo, terceiro. O ano passado foi ruim, mas entrou na Copa da Uefa”, afirmou o ex-lateral esquerdo.

Com a camisa aurinegra, Dedê fez 399 partidas e ganhou dois títulos da Bundesliga, em 2002 e 2011, quando se transferiu para o Eskisehirspor, da Turquia. O ex-jogador se aposentou em 2014 e, em setembro de 2015, o Borussia organizou um jogo de despedida para o ídolo, que viu quase 82 mil torcedores homenageando-o no Signal-Iduna Park.

“Sei que fiz muito pelo Borussia, ganhei títulos, joguei várias partidas. Esse carinho vem por ter permanecido lá na fase mais difícil. Em 2003, 2004 e 2005, muitos jogadores saíram, e eu fiquei com alguns outros. Nós reconstruímos o clube, e o alemão reconhece essa lealdade. Fico feliz pela festa. Graças a Deus, nenhum jogador no mundo tem uma partida de despedida com 82 mil pessoas, ainda mais um lateral esquerdo. Não me comparo a Romário, Ronaldo, mas eles não tiveram essa oportunidade, essa alegria de ser reconhecido assim. Minha camisa ficou dois anos sem ser usada. Deixei de ganhar dinheiro, mas recebi uma coisa no futebol que, para um jogador, não é muito visível: a gratidão. A carreira é curta, e temos que ganhar dinheiro, eu concordo, mas, lá, consegui juntar as duas coisas. Recebi propostas de vários clubes, do Bayern, da Roma, mas sempre optei por ficar e não me arrependo”, concluiu.

 

*especial para a Gazeta Esportiva

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