Fundado em 1981, mas profissionalizado somente em 2011, o Água Santa, de Diadema, vem surpreendendo nas divisões inferiores do estado. Em menos de três anos, o Netuno, como é conhecido o time pela torcida, já está na Série A2 do Campeonato Paulista e promete disputar com os chamados “grandes” uma vaga na primeira divisão.
Em sua primeira participação em um campeonato profissional, o Água Santa mostrou sua força e avançando até a final da Série B do Campeonato Paulista, que é equivalente a quarta divisão do estado. Na decisão, após vencer o primeiro jogo por 5 a 2 contra a Matonense, o time acabou derrotado por 4 a 0 na partida de volta, ficando com o vice-campeonato, mas, pelo menos, conseguindo o acesso para a Série A3 do ano seguinte.
Deste modo, em 2014, mais uma vez o caçula espantou os experientes. Com 32 pontos, apenas oito a menos que o líder, o Água Santa se classificou para a segunda fase da Série A3 e estava cada vez mais perto de conseguir a vaga para a segunda divisão paulista. Apenas por causa dos critérios de desempate, o Netuno não chegou mais uma vez a decisão de um campeonato. Porém, mesmo não chegando a final, a equipe de Diadema conseguiu mais um acesso, o segundo em dois campeonatos, um aproveitamento de 100% na curta história do clube.
Em entrevista à GazetaEsportiva.net, Paulo Sirqueira, presidente do Água Santa, e Márcio Ribeiro, treinador do clube, revelaram alguns segredos deste bom trabalho que vem sendo realizado em Diadema. Eles revelaram o motivo de não contarem com muitos jogadores jovens no elenco e citaram projetos para o futuro, que envolvem a categoria de base, centro de treinamento e o estádio.
Em 2014, o elenco do Água Santa fez festa após garantir a vaga na final do Série-A3 e o acesso à Segunda divisão - Credito: Reprodução/Facebook
Tanto o presidente quanto o treinador não querem prometer que o clube vai conseguir mais um acesso em 2015. Contudo, eles esperam uma boa campanha na Série A2, já que eles priorizaram a contratações de jogadores mais experientes, que tenha o conhecimento das dificuldades e dos atalhos da competição.
“Para este ano, acredito que, no mínimo, vamos permanecer na A2. É uma nova etapa na vida do clube, mas acredito que estamos formando um elenco que vá conseguir disputar uma vaga para o acesso”, afirmou Paulo Sirqueira. Márcio Ribeiro seguiu as falas do mandatário do Água Santa e garantiu que a preparação do elenco para a competição está sendo muito boa. “Nós estamos fazendo um bom trabalho e vamos fazer uma boa competição, mas não posso garantir que conseguiremos o acesso. Existem muitos bons times na competição e eles também são fortes. Nós faremos nossa parte”, analisou o comandante.
Como o Netuno ainda é um time jovem, a diretoria e a comissão técnica preferiram contratar atletas mais veteranos, sendo alguns deles conhecidos como “medalhões” até, como, por exemplo, Francisco Alex e Makanaki. Contudo, o presidente garantiu que esse foco é apenas temporário, ele espera que, com o passar dos anos, mais jovens jogadores integrem o elenco profissional do Água Santa. “Como o clube ainda é muito novo, ainda não deu para formar uma grande categoria de base. Porém, em um futuro próximo, teremos um bom número de jovens atletas para mesclar com o elenco mais veterano”, contou o dirigente.
Já Márcio Ribeiro afirmou que não contratou nenhum atleta pelo nome, e sim pelo o que ele apresenta dentro de campo. “Não trouxemos apenas jogadores famosos, trouxemos jogadores que conhecem a divisão. Revelações são boas para o time e lógico que vamos aproveitá-las, mas nosso projeto está focado com atletas mais experientes”, explicou o treinador.
Durante a pré-temporada de 2015, o Água Santa fez um amistoso contra o São Paulo e não facilitou para o Tricolor - Credito: Divulgação/São Paulo FC
Entretanto, um fator ainda preocupa ambos os profissionais. O Água Santa ainda não tem um centro de treinamento próprio e precisa treinar em lugares fora do clube. Com um possível acesso para a primeira divisão paulista, o presidente espera conseguir aumentar suas verbas para, em um futuro não muito distante, idealizar o projeto de um CT. “Ainda não temos condições de construir um centro de treinamento próprio por causa do custo muito elevado. Assim, hoje em dia, nós treinamos em lugares que não nos dão despesas. Porém, com um acesso para a primeira divisão, a nossa verba vai aumentar e isso poderia ser um projeto a longo prazo”, revelou Paulo Sirqueira.
Um projeto que já está em andamento é a reforma do Estádio Municipal José Batista Pereira Fernandes, o Campo do Inamar. A torcida de Diadema é fanática pelo Água Santa e costuma lotar o estádio nas partidas do Netuno, foi assim no ano passado, na disputa da Série A3. Por isso, o presidente garantiu que está aumento a capacidade do Campo do Inamar. “Como nós ganhamos tudo na várzea e não mudamos o nome do clube, mantivemos nossa identidade com a torcida. Ela sempre apoia os jogadores e lota o estádio. Muitas vezes, temos que tomar cuidado com os jogos em casa pelo alto número de torcedores que querem assistir o jogo, mas que não conseguem ingressos. Por isso, já estamos trabalhando para aumentar a capacidade da nossa casa”, disse o mandatário.
A torcida do Água Santa costuma lotar o estádio e é uma das forças do clube na disputa da Série-A2 - Credito: Reprodução/Facebook
Diferente de diversos clubes do futebol nacional, os jogadores do Água Santa elogiaram a diretoria do clube por pagar os salários sempre em dia. Paulo Sirqueira revelou que o segredo para quitar os vencimentos é o planejamento bem feito pela diretoria. “Nós damos passos planejados. A gente paga menos, mas paga em dia. Nosso mês tem 30 dias, não 90 como o de outros clubes. Os jogadores preferem ganhar menos com a gente do que receberem atrasado em outros clubes. Com a renda dos patrocinadores e da torcida, conseguimos montar um bom elenco para a Série A2”, finalizou o presidente.
Com a estreia na Segunda Divisão do Campeonato Paulista marcada para o dia 31 de janeiro, em casa, diante do Santo André, rival da região metropolitana de São Paulo, o Água Santa espera, assim como fez nos dois anos anteriores, realizar uma campanha honrosa, que, talvez, seja coroada com o terceiro acesso seguido do clube.