A manifestação pró-palestina que reuniu várias milhares de pessoas em Udine antes do jogo Itália-Israel (3-0) desenvolveu-se pacificamente, mas terminou com incidentes entre os participantes e a polícia.
A polícia utilizou canhões de água para dispersar dezenas de manifestantes, alguns armados com paus, que tentavam sair da área delimitada para a marcha e dirigir-se ao estádio, onde estava sendo disputada a partida válida pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026.
Alguns participantes vestidos de preto lançaram fogos de artifício e sinalizadores, e queimaram lixo público.
Vários foram detidos, constatou um jornalista da AFP. Segundo a agência AGI, uma jornalista da televisão Rai ficou ferida na cabeça, mas seu estado de saúde não apresenta risco de vida.
Esses incidentes ocorreram ao final da manifestação que reuniu, num primeiro momento de forma tranquila, várias milhares de pessoas procedentes de toda a Itália.
Os manifestantes marcharam pelas ruas de Udine para protestar "contra o genocídio" israelense. Os protestos ocorreram de forma pacífica, sob um forte esquema de segurança, que segundo as autoridades locais contou com mais de 1 mil policiais e militares, além de helicópteros e drones.
Os participantes exibiam bandeiras palestinas, cartazes nos quais denunciavam a morte de crianças e cartões vermelhos, em referência à punição no futebol para expulsar da partida um atleta ou membro de uma equipe, "contra o genocídio".
O acordo de cessar-fogo em Gaza firmado na segunda-feira e a troca de reféns e prisioneiros entre Israel e Hamas não conseguiram diminuir a determinação dos manifestantes.
Postos de controle também foram montados ao redor do estádio Bluenergy, e os espectadores da partida tiveram que passar por barreiras de concreto e detectores de metal para assistir a um jogo crucial para a Itália em busca de uma vaga na Copa do Mundo do ano que vem.
Job done. 💪#ITAISR #Azzurri #VivoAzzurro pic.twitter.com/bApM5qoGNY
— Italy ⭐️⭐️⭐️⭐️ (@Azzurri_En) October 14, 2025
Pedido de exclusão
"Estamos felizes que os bombardeios tenham parado, mas nossa mensagem vai além de Gaza: somos contra a política de ocupação e apartheid que afeta todos os palestinos", disse à AFP um membro do Comitê de Udine pela Palestina.
Esta associação é uma das cinco que organizaram a passeata, que contou com o apoio de mais de 340 grupos ativistas de toda a Itália.
Os organizadores também pediram à Fifa a exclusão de Israel das competições internacionais, "como já foi feito com a Rússia", após a invasão da Ucrânia em 2022.
No estádio, a partida foi disputada diante de pouco menos de 10 mil espectadores, uma centena de israelenses. Seu hino foi vaiado e apupado.
Uma espectadora que tentou mostrar a bandeira da Palestina foi retirada pelos agentes de segurança do estádio.
Graças a esta quarta vitória consecutiva, um percurso impecável sob a direção de Gennaro Gattuso, que chegou ao banco técnico em junho, a Itália tem garantido terminar pelo menos em segundo lugar no grupo I e, portanto, disputar a repescagem, que foi fatal para o país nas Copas do Mundo de 2018 e 2022.
"Tínhamos muito a perder, mas a equipe lidou bem com um evento que era complicado, em um contexto nada fácil", analisou Gattuso ao microfone da Rai.