Confederação Asiática segue Uefa e Concacaf em boicote contra a Fifa

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Foto: Fifa/Divulgação

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) afirmou, em comunicado divulgado nesta sexta-feira, que apoia as decisões da Uefa e da Concacaf contra a proposta da Fifa de vender uma participação nas operações comerciais da Copa do Mundo.

"A AFC está solidária à Uefa e à Concacaf ao expressar sérias preocupações com a proposta da Fifa de permitir investimentos privados em suas principais competições e com o processo de tomada de decisões relacionado à FFE", afirmou a entidade.

Pouco depois do encerramento da Copa do Mundo da América do Norte, em 19 de julho, a Fifa anunciou a intenção de criar a FFE, empresa destinada a gerenciar suas atividades comerciais e atrair investidores externos. A entidade prometeu captar US$ 10 bilhões (cerca de R$ 50,8 bilhões na cotação atual) para financiar projetos de desenvolvimento do futebol ao redor do mundo.

Para a AFC, porém, a questão vai além da criação da FFE e expõe problemas estruturais nos mecanismos de consulta e tomada de decisão da Fifa.

"Embora o debate imediato esteja centrado na FFE, a AFC entende que essa questão vai muito além de uma única proposta. Na verdade, ela expôs fragilidades fundamentais nos processos de consulta e de tomada de decisões da Fifa, que agora precisam ser enfrentadas", prosseguiu o comunicado.

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A entidade asiática argumenta que uma proposta dessa magnitude, com potencial para impactar o futuro comercial, esportivo e estratégico do futebol mundial, não deveria avançar sem ampla participação das confederações, associações-membro e órgãos de governança da própria Fifa, incluindo o Conselho da entidade.

Além disso, a AFC afirmou que não é a primeira vez que iniciativas de grande relevância são apresentadas sem a participação adequada dos órgãos responsáveis pela condução do futebol mundial. Segundo a confederação, esse tipo de prática enfraquece a confiança na gestão da Fifa e reduz a importância de seus órgãos de decisão.

"Esta não é a primeira vez que partes interessadas importantes são confrontadas com iniciativas de grande relevância quando os rumos da discussão aparentemente já estavam definidos. Essa abordagem enfraquece a confiança no modelo de governança da Fifa e diminui a autoridade de seus órgãos estatutários. Nenhum processo de consulta posterior, por mais bem-intencionado que seja, pode substituir o envolvimento antecipado dos órgãos competentes da Fifa e da família do futebol", destacou.

A AFC também afirmou que não acredita que a FFE consiga avançar sem amplo apoio das confederações e associações nacionais.

"A AFC acredita que a proposta da FFE não tem condições reais de obter o amplo consenso e a unidade necessários para avançar", declarou.

Por fim, a AFC pediu uma revisão urgente do modelo de governança da Fifa para garantir que propostas de alcance global sejam debatidas e desenvolvidas de forma transparente e participativa.

"Dessa forma, a AFC pede à Fifa que realize uma revisão urgente de seu modelo de governança e de seus processos decisórios para garantir que propostas de alcance global sejam desenvolvidas por meio de consultas adequadas, diálogo efetivo e supervisão apropriada por parte dos órgãos estatutários da entidade", concluiu.

Comunicado completo

A AFC (Confederação Asiática de Futebol) está solidária à Uefa e à Concacaf ao expressar sérias preocupações com a proposta da Fifa de permitir investimentos privados em suas principais competições e com o processo de tomada de decisões relacionado à FFE.

O fato de a situação ter chegado ao ponto em que a possibilidade real de um boicote à Copa do Mundo da Fifa passou a fazer parte do debate público deve preocupar todos aqueles que se importam com o futuro do nosso esporte. O futebol jamais deveria ter sido colocado nessa posição.

Diante desse cenário, e à luz das posições claras expressadas pela Uefa e pela Concacaf, bem como das divisões sem precedentes que surgiram no futebol mundial, a AFC acredita que a proposta da FFE não tem condições reais de obter o amplo consenso e a unidade necessários para avançar. A Copa do Mundo da Fifa é o principal torneio do futebol global e sua força decorre da participação de todas as confederações e das principais nações do esporte. Qualquer proposta que coloque em risco a unidade e o caráter universal da competição deve ser reconsiderada.

Embora o debate imediato esteja centrado na FFE, a AFC entende que essa questão vai muito além de uma única proposta. Na verdade, ela expôs fragilidades fundamentais nos processos de consulta e de tomada de decisões da Fifa, que agora precisam ser enfrentadas. Embora a AFC registre os esclarecimentos mais recentes da Fifa sobre a proposta, as principais preocupações relacionadas à governança, aos processos institucionais e à realização de consultas efetivas continuam sem resposta.

Uma proposta dessa magnitude, com potencial para impactar o futuro comercial, esportivo e estratégico do futebol mundial, não deve surgir por meio de processos que deixem as confederações, as associações-membro (MAs) e até mesmo os órgãos de governança da própria Fifa, incluindo o Conselho da Fifa, à margem das discussões. O objetivo primordial do futebol mundial deve ser garantir que decisões desse porte sejam desenvolvidas por meio de processos baseados na transparência e que contem com a confiança da comunidade do futebol.

Esta não é a primeira vez que partes interessadas importantes são confrontadas com iniciativas de grande relevância quando os rumos da discussão aparentemente já estavam definidos. Essa abordagem enfraquece a confiança no modelo de governança da Fifa e diminui a autoridade de seus órgãos estatutários. Nenhum processo de consulta posterior, por mais bem-intencionado que seja, pode substituir o envolvimento antecipado dos órgãos competentes da Fifa e da família do futebol.

A AFC acredita que este momento deve servir como um catalisador para o fortalecimento das reformas institucionais. Embora cada associação-membro da Fifa tenha o direito de analisar e decidir sobre propostas que afetem o futuro do futebol mundial, uma democracia efetiva não se mede apenas pela oportunidade de votar. Ela começa com governança transparente, consultas oportunas, debates bem informados e participação genuína durante todo o processo de tomada de decisões.

Dessa forma, a AFC pede à Fifa que realize uma revisão urgente de seu modelo de governança e de seus processos decisórios para garantir que propostas de alcance global sejam desenvolvidas por meio de consultas adequadas, diálogo efetivo e supervisão apropriada por parte dos órgãos estatutários da entidade.

A Copa do Mundo da Fifa, assim como o próprio futebol, pertence a toda a família global do esporte. Seu futuro deve ser construído coletivamente, por meio de instituições que reflitam a voz de todas as confederações e associações-membro.

Boicote da Uefa e rejeição da Concacaf

Na última quinta-feira, Uefa e Concacaf também se manifestaram contra o projeto da Fifa. Enquanto a Concacaf rejeitou oficialmente a proposta, a Uefa anunciou que suas associações filiadas não participarão de competições organizadas pela Fifa enquanto o plano permanecer em vigor.

"A Copa do Mundo não pode ser tratado como um produto de investimento", afirmou o comunicado da Uefa. "Nenhuma seleção nacional da Uefa participará em qualquer competição da Fifa enquanto estas propostas se mantiverem em vigor", enfatizou.

Já a Concacaf afirmou que seus membros demonstraram preocupação com a condução do processo pela Fifa.

"Durante a reunião, os membros manifestaram profunda preocupação com a falta do devido processo em torno da proposta, o prazo artificialmente curto imposto e a ausência de qualquer revisão ou aprovação pelos órgãos dirigentes da Fifa", informou a confederação.

"Por esses motivos, a Concacaf e suas 41 associações-membro rejeitaram a proposta", concluiu o comunicado.

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