México reprime protesto de professores perto de ‘fan fest’ do Mundial com gás lacrimogêneo

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Foto por ALFREDO ESTRELLA / AFP

A polícia mexicana utilizou gás lacrimogêneo nesta segunda-feira para impedir que um protesto de professores chegasse ao Zócalo, principal praça da Cidade do México, onde está instalado o “fan fest” da Copa do Mundo de 2026.

O local, que receberá uma grande estrutura com telão para a transmissão dos jogos do torneio — cuja abertura está marcada para 11 de junho no estádio Azteca — foi cercado por grades metálicas e fortemente policiado.

Início da confusão

O confronto teve início quando manifestantes romperam uma das barreiras de segurança posicionadas a cerca de um quarteirão da praça. A resposta das forças de segurança foi imediata, com o uso de bombas de gás para dispersar o grupo.

A mobilização foi convocada por um setor dissidente do sindicato dos professores, a CNTE, que reivindica aumento salarial e a revogação da lei de aposentadorias. A entidade já havia alertado que poderia levar “milhões” de educadores à capital durante o Mundial caso não haja avanço nas negociações.

“Essa atividade deveria ser suspensa. Nossa causa está muito acima de um momento de diversão”, afirmou Filiberto Frausto, representante sindical.

Durante o confronto, manifestantes reagiram com fogos de artifício e alguns encapuzados danificaram estruturas públicas, incluindo o vidro de uma grua policial e partes de um edifício do governo. Segundo líderes do movimento, ao menos duas pessoas ficaram feridas — uma delas atingida no olho. Jornalistas no local também registraram a retirada de um ferido com sangramento na cabeça.

Pressão contra restrições no Zócalo

O uso do Zócalo para o “fan fest” também gerou críticas dos professores, que historicamente utilizam a praça como ponto de mobilização. O acesso ao espaço está restrito há semanas, e uma tentativa anterior de entrada já havia sido bloqueada.

“O Zócalo está totalmente privatizado”, protestou o professor Francisco García, vindo do estado de Guerrero.

Sem conseguir avançar até a praça, os manifestantes realizaram um ato improvisado a cerca de 100 metros do cordão policial.

Apesar de o governo ter anunciado um reajuste salarial de 9% — negociado com a ala oficial do sindicato (SNTE) —, a CNTE considera a proposta insuficiente e cobra aumento de até 100%, além de mudanças na política educacional.

“Não vamos sair até que a presidente nos dê uma data para retomar o diálogo”, afirmou a dirigente sindical Elvira Veleces.

Governo pede protestos pacíficos

Em nota, o Ministério do Interior mexicano declarou estar aberto ao diálogo, mas pediu que as manifestações ocorram de forma pacífica. A pasta também criticou a presença de “provocadores” nos protestos.

A situação evidencia a tensão social às vésperas da Copa do Mundo, que será organizada conjuntamente por México, Estados Unidos e Canadá, e deve atrair cerca de cinco milhões de turistas ao país.

Para quem estava na região central, o clima foi de insegurança. A estudante Paola Olivares, de 20 anos, que passava pelo local no momento do confronto, precisou buscar abrigo às pressas.

“O México definitivamente não está pronto para o Mundial”, afirmou.

*Conteúdo produzido pela AFP

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