Análise: Palmeiras corre risco e quase perde vaga, mas vê Carlos Miguel evitar desastre na altitude

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(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

O Palmeiras está na semifinal da Libertadores, mas a classificação veio cercada de riscos desnecessários. Ao tentar administrar a vantagem construída no confronto, o time de Abel Ferreira teve dificuldades para competir na altitude de Quito e chegou a deixar a vaga escapar nos minutos finais ao sofrer dois gols de cabeça, levando o agregado ao 3 a 3. Quando o cenário poderia apontar para uma eliminação traumática, Carlos Miguel assumiu o protagonismo nas cobranças de pênalti, defendeu duas batidas e evitou um desastre, apesar do objetivo alcançado.

Como foi o jogo?

Primeiro tempo: Palmeiras vacila e cede empate frustrante à LDU

O técnico Abel Ferreira surpreendeu na escalação ao deixar Vitor Roque entre os reservas. O treinador sacou o camisa 9 e optou por fortalecer e preencher o meio-campo com três volantes, com Andreas Pereira, Marlon Freitas e Lucas Evangelista como trio. Na defesa, o escolhido para substituir Gómez, suspenso, foi Bruno Fuchs. Por fim, Piquerez saiu como titular após se recuperar de uma dura entrada no Choque-Rei, e o banco ganhou os reforços de Mauricio e Ramón Sosa, recuperados dos respectivos problemas físicos.

Naturalmente, a LDU iniciou o jogo com o controle da posse de bola. O Palmeiras, mesmo na altitude, não abriu mão de fazer seu jogo. No primeiro minuto, pressionou a saída de bola do adversário. Depois, se recolheu um pouco mais e assistiu ao rival trocar passes e apostar nos lançamentos em profundidade de seus atacantes nas costas dos zagueiros, principalmente tendo em conta a velocidade da bola a quase 3.000 metros acima do nível do mar. A primeira chance do jogo, inclusive, foi do time equatoriano.

O Palmeiras, porém, também tinha suas armas na altitude. E assim como contra o Cerro Porteño, a bola parada foi fundamental para Verdão, que teve o início dos sonhos. Na tentativa de afastar da pequena área, González chutou em cima de Marlon Freitas, e a bola acabou no fundo das redes. O Alviverde, com uma vantagem de dois gols no agregado, se viu mais confortável na partida. O sonho, porém, se tornou pesadelo rapidamente. Cinco minutos depois, o time palmeirense foi punido justamente na bola parada, e Segovia deixou tudo igual de cabeça.

O gol sofrido deixou o Palmeiras um pouco assustado. A LDU tirou o Verdão da zona de conforto, deixando a equipe palmeirense muito travada, sem encontrar soluções para retomar a posse e sair jogando. A marcação reforçada deixou os três homens de meio-campo muito presos a suas atribuições defensivas, sem ter a posse para criar jogadas e com os atletas se livrando da bola facilmente. A parada técnica, porém, voltou a equilibrar as coisas no Equador. O Alviverde conseguiu segurar um pouco mais o time equatoriano ao reter a bola no campo de ataque, sobretudo pelo lado direito.

A estratégia do Palmeiras deixou Flaco López muito isolado no ataque, sem companheiros disponíveis para associação devido ao recuo das linhas para marcação. A impressão deixada pelo primeiro tempo é que, ao ceder a posse à LDU, o Verdão precisou correr atrás do rival a todo momento, se desgastando mais na altitude e sentindo mais o cansaço na reta final do primeiro tempo.

O primeiro tempo do Palmeiras, de modo geral, não foi grandes coisas. O time alviverde não conseguiu manter a posse e viu a LDU rodar a bola sem conseguir pressionar para retomar. A equipe também não criou praticamente nenhuma chance de gol e deu campo, muitas vezes, para o rival construir jogadas pelos lados, embora o clube equatoriano não tenha oferecido grande perigo após anotar o gol de empate. A altitude precisa ser levada em consideração, claro. O lado positivo é que o Verdão, apesar de não ter criado, também pouco sofreu. A impressão era que, se pressionasse um pouco mais, o time encontraria espaços para fazer o segundo gol, mas isso não aconteceu na primeira etapa.

Segundo tempo: Palmeiras quase coloca tudo a perder, mas Carlos Miguel salva

O Palmeiras voltou do intervalo sem mudanças, e o cenário dos dez primeiros minutos da segunda etapa foi muito parecido ao primeiro tempo. O Verdão assistiu à LDU ficar com a posse e seguiu cometendo erros técnicos, com alguns erros de passe e lançamentos. O time não soube aproveitar os momentos em que conseguia recuperar a posse, perdendo a bola logo em seguida com erros técnicos ou tomadas de decisão precipitadas.

Com cerca de 20 minutos, a LDU mantinha a posse, mas falhava em tentar agredir o time palmeirense, rondando a área mas sem finalizar. Por volta desta minutagem, a comissão técnica alviverde fez a primeira mudança na equipe, colocando Vitor Roque no lugar de Flaco López. Com a entrada do camisa 9, o time palmeirense teve uma melhora, trazendo maior capacidade para atacar o espaço em velocidade e fornecer chances para o Palmeiras.

Com maior capacidade ofensiva com Vitor Roque, a comissão técnica também liberou Andreas Pereira para pisar um pouco mais no campo de ataque. Foi justamente de uma subida do volante ao ataque que o Verdão conseguiu um pênalti a seu favor, convertido pelo camisa 9, que entrou bem no jogo. O Palmeiras, então, voltou a ficar à frente no placar e basicamente controlou o restante da partida, com as entradas de Maurício e Felipe Anderson nas vagas de Andreas e Arias, até que quase colocou tudo a perder nos minutos finais.

O Alviverde teve uma pane defensiva total e concedeu dois gols num espaço de dois minutos. A LDU voltou a empatar o jogo com Estrada, de cabeça. Já nos acréscimos, o atacante novamente se antecipou a Bruno Fuchs e balançou as redes. A desatenção coletiva palmeirense quase custou caríssimo no Equador, assim como o grande volume criado na ida e não transformado em oportunidades claras. A decisão da vaga, então, encaminhou-se para os pênaltis.

Nas penalidades, Carlos Miguel defendeu duas cobranças e salvou o Palmeiras do que seria um vexame. Afinal, depois de um jogo de ida controlado e de ter a classificação nas mãos, o time quase foi eliminado. No fim das contas, o Verdão conseguiu uma importante classificação. É possível, porém, ver o copo meio-cheio, levando o contexto da altitude em consideração. O time se classificou, é verdade, mas isso não o torna isento de críticas. Apesar de tudo, o time segue vivo em três frentes, saiu triunfante e ainda terminou a noite vendo o maior rival ser eliminado nas quartas.

Situação na Libertadores

Com o resultado, o Palmeiras garantiu vaga nas semifinais da Libertadores, enquanto a LDU se despediu da competição. Agora, o Verdão, que é o clube brasileiro com mais semifinais na história do torneio, com 13, e terá pela frente o Fluminense, que eliminou o Platense-ARG com um agregado de 3 a 2 na última terça-feira.

Datas e horários dos confrontos de ida e volta ainda serão confirmados pela Conmebol, mas as semifinais da Libertadores estão previstas para as semanas de 14 e 22 de outubro. Os mandos, porém, já estão definidos. O Fluminense será o mandante do primeiro jogo, enquanto o Palmeiras, por ter campanha superior, terá a vantagem de decidir em casa.

Próximos jogos do Palmeiras

Grêmio x Palmeiras (28ª rodada do Brasileirão)
Data e horário: 20/09 (domingo), às 11h (de Brasília)
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)

Palmeiras x Bahia (29ª rodada do Brasileirão)
Data e horário: 08/10 (quinta-feira), às 21h30 (de Brasília)
Local: Nubank Parque, em São Paulo (SP)

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