Análise: Palmeiras evolui em casa, mas peca em transformar volume em vantagem confortável

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(Foto por NELSON ALMEIDA / AFP)

O Palmeiras deu um passo importante para se classificar às semifinais da Libertadores ao vencer a LDU-EQU por 1 a 0 no Nubank Parque, na noite da última terça-feira, mas deixou o campo com a sensação de que poderia ter construído um placar mais robusto. Superior durante todo o confronto, o Verdão controlou as ações, teve volume e criou oportunidades, mas esbarrou na falta de eficiência no último terço para transformar o volume ofensivo em um vantagem mais confortável. Embora a evolução coletiva apresentada em relação aos últimos jogos em casa anime para a sequência da temporada, o desperdício de chances mantém o confronto aberto para o duelo decisivo na altitude de Quito, que merece todo o carinho e atenção do clube.

Como foi o jogo?

Primeiro tempo

O técnico Abel Ferreira fez poucas mudanças na escalação palmeirense. Com a suspensão de Andreas Pereira, ele mudou o esquema tático utilizado no empate com o Botafogo para usar a linha com três zagueiros. Murilo retornou ao time para formar trio com Gómez e Barboza. No meio, Evangelista fez dupla com Marlon Freitas, com Giay e Piquerez abertos como alas. Por fim, no ataque, vieram as principais novidades do time: Vitor Roque retomou a condição de titular após dois jogos entre os reservas, enquanto Arias também saiu jogando após iniciar o jogo contra o Botafogo no banco.

Os primeiros dez minutos de jogo foram de um Palmeiras que, em casa, dominou a posse e girou a bola com paciência em busca de espaços. Em fase ofensiva, atacava praticamente com cinco homens. Giay e Piquerez ficavam muito abertos pelos lados, com Arias e Flaco tendo mais liberdade para cair pelo meio para iniciar uma construção, e Vitor Roque espetado como um camisa 9, ora pelos francos, ora mais centralizado. Por volta dos oito minutos, a equipe já tinha criado duas grandes chances. A primeira saiu justamente com Flaco construindo pelo meio e servindo Arias, que bateu para defesa do goleiro.

A LDU respondeu rapidamente em contra-ataque que terminou com chute de Yerlin Quiñónez, jogador mais talentoso do rival, nas mãos de Carlos Miguel. As transições em velocidade foram a forma encontrada pelo time equatoriano para tentar agredir o Palmeiras. Enquanto isso, o Verdão se manteve no controle do jogo e apresentou um grande volume ofensivo no início da partida. Depois das duas chances criadas em oito minutos, porém, a equipe alviverde baixou um pouco o ritmo.

Após a pausa técnica, o Palmeiras voltou a crescer no jogo. Empurrado pela torcida, o Verdão seguiu com a maioria de seus jogadores no campo de ataque. No entanto, foi no mérito individual de Vitor Roque que o time abriu o placar. Carlos Miguel bateu tiro de meta e o camisa 9 ganhou a dividida com o zagueiro da LDU. No rebote, Giay, que vinha atuando muito aberto, pisou na área e completou para as redes de cabeça. As únicas chances do time equatoriano no primeiro tempo foram criadas, de certa forma, em erros dos próprios donos da casa.

Depois de abrir o placar, o Palmeiras seguiu em cima da LDU. O time alviverde exerceu uma pressão muito bem encaixada, subindo a marcação e dificultando a saída de bola do rival. Além disso, a equipe, mesmo muito ofensiva, ganhou praticamente todas as segundas bolas e conseguiu muitas recuperações no último terço do campo. A postura apresentada pelo Verdão foi diferente dos últimos jogos em casa, com direito a uma performance melhor que foi coroada pela boa fase de alguns atletas e pela recuperação de outros, como Vitor Roque.

Fato é que foi um primeiro tempo excelente do Palmeiras. A equipe palmeirense soube se aproveitar das fragilidades da LDU, sobretudo na saída de bola, e gerou muitas dificuldades ao rival. Abriu o placar em um lance com mais mérito individual, é verdade, mas poderia ter feito ao menos mais um gol. Defensivamente, o time também foi bem. Giay, Murilo e Gómez contiveram as escapadas de Quiñónez e Estrada. O lado esquerdo esteve um pouco mais desprotegido, mas o lance de maior perigo da LDU foi criado pelo próprio Verdão, quando Carlos Miguel entregou a bola nos pés de Estrada. Em suma, o Palmeiras fez por merecer a vitória parcial.

Segundo tempo

Abel pareceu satisfeito com o que viu no primeiro tempo, uma vez que o Palmeiras voltou do intervalo sem mudanças. Nos primeiros três minutos, o time palmeirense criou ao menos duas chances para ampliar a vantagem. Em determinados momentos, até mesmo o zagueiro Murilo tinha liberdade para subir um pouco mais e arriscar cruzamentos para a área., tamanha a ofensividade e a busca pela objetividade do gol por parte do Verdão.

Contudo, a determinação em busca do segundo gol pareceu deixar os jogadores do Palmeiras um pouco mais ansiosos, errando um pouco mais quando estiveram perto da área rival. Enquanto isso, a LDU passou a gostar mais do jogo e começou a levar mais perigo ao gol de Carlos Miguel. O goleiro, inclusive, esteve um pouco inseguro em campo, saindo errado na bola em alguns momentos. Os passes errados no último terço do campo começaram a gerar contra-ataques mais perigosos do time rival, que teve muitas escapadas em velocidade pelos lados.

Ainda assim, com mais de 25 minutos passados do segundo tempo, a comissão técnica palmeirense não se havia se movimentado na área técnica para mexer no time. A primeira mudança veio apenas com 33 minutos, quando o garoto Heittor entrou na vaga de Vitor Roque. Esta foi, na verdade, a única alteração feita por Abel durante todo o jogo. Em coletiva, o português justificou a decisão com base na dinâmica do time, pois entendia que o momento da equipe era bom na busca pelo segundo gol.

O panorama do jogo não mudou nos 15 minutos finais no Nubank Parque. A LDU chegou com um pouco mais de perigo à área alviverde, é verdade, mas não ameaçou verdadeiramente o gol de Carlos Miguel. Do outro lado, o Palmeiras foi capaz de agredir o time chileno e quase ampliou a vantagem em cabeceio de Heittor. O time alviverde continuou pressionando e não desistiu do segundo gol até o apito final, mas ficou claro que, com menos substituções, a equipe sentiu o cansaço bater na reta final. Com as pernas pesadas, os erros técnicos ficaram mais evidentes.

No fim das contas, o Palmeiras ficou com o gostinho de que poderia ter saído com uma vantagem maior no placar pelo número de chances e pelo volume de jogo apresentado em casa. Foi uma clara evolução de jogos recentes, em que a equipe deixou a desejar nos desempenhos em casa. Apesar disso, o jogo de volta merece todo o carinho e a atenção do clube justamente pelo cenário sofrido na Libertadores do ano passado, quando sofreu muito e perdeu por 3 a 0 para a LDU na altitude de Quito, no Equador. Ao fim do mata-mata, será possível saber se as oportunidades desperdiçadas no Nubank Parque farão falta ou não ao Alviverde.

Situação do confronto

Com o resultado, o Palmeiras largou na frente da LDU por uma vaga nas semifinais da Libertadores e poderá jogar pelo empate no duelo de volta. Em caso de igualdade no placar agregado, a vaga será decidida nos pênaltis. A partida decisiva está marcada para esta quarta-feira, às 19h (de Brasília), no Estádio Rodrigo Paz Delgado, na altitude de Quito (EQU).

O vencedor do confronto entre Palmeiras e LDU irá pegar o ganhador do duelo entre Fluminense e Platense-ARG nas semifinais da Libertadores. Na última terça-feira, o time carioca saiu na frente ao vencer o rival argentino por 2 a 0, no Maracanã.

Próximos jogos do Palmeiras

Palmeiras x São Paulo (27ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: 12/09 (sábado), às 18h30 (de Brasília)
Local: Nubank Parque, em São Paulo (SP)

LDU-EQU x Palmeiras (quartas de final da Libertadores — jogo de volta)
Data e horário: 16/09 (quarta-feira), às 19h (de Brasília)
Local: Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito (EQU)

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