Fifa estuda "privatizar" Copa do Mundo e europeus ameaçam boicote; entenda

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Foto por CARL RECINE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Os países europeus podem boicotar a próxima Copa do Mundo, segundo informação da emissora inglesa Sky Sports. A postura seria uma reação ao plano divulgado pela Fifa nesta terça-feira de criar uma empresa responsável pela operação de suas principais competições, entre elas a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. O objetivo da entidade é vender participações minoritárias nessa nova empresa.

A próxima edição da Copa do Mundo, em 2030, terá Espanha e Portugal, ambos da Europa, como duas de suas principais sedes.

As confederações associadas à Uefa já debatem um possível boicote à Copa do Mundo, e uma reunião virtual está prevista para ocorrer nesta semana a fim de definir uma estratégia para evitar que a Fifa crie a empresa destinada à venda de ações a investidores privados.

Vale destacar que a Uefa, entidade máxima do futebol europeu, também se posicionou frontalmente contra a ideia encampada pela Fifa e questionou a transparência do processo.

Entenda o caso

No centro da polêmica que revoltou a Uefa e suas federações filiadas, está a empresa a ser criada: a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária cujo controle majoritário seria da Fifa. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações comerciais e as principais competições organizadas pela entidade.

A Fifa acredita que a FFE teria um valor de mercado de US$ 20 bilhões (R$ 102,3 bilhões). Por isso, afirma que a venda do equivalente a US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) em ações faria com que os investidores privados tivessem participação minoritária na nova empresa.

Com o dinheiro arrecadado, a Fifa promete aumentar a quantia distribuída às federações de cada país membro da entidade. Atualmente, ela repassa R$ 41 milhões para cada associação nacional. Se o plano for aprovado, o valor poderá chegar a R$ 102 milhões no ciclo até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e R$ 123 milhões até 2038.

Na nota publicada em seu site oficial, a Fifa afirma que a injeção de capital privado pode ser decisiva para "alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base".

Leia a nota da Uefa na íntegra:

"Isso ultrapassa um limite que as instituições responsáveis pelo futebol jamais deveriam cruzar. A Uefa trata esse assunto com extrema seriedade. O mesmo deveria acontecer com todas as associações nacionais de futebol. O mesmo vale para todas as partes envolvidas: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos aqueles que se preocupam com o futuro do esporte.

A essência e a governança do futebol não são ativos para serem comercializados — especialmente sem qualquer transparência sobre quem obtém benefícios financeiros. Nenhum de nós é dono do futebol. O futebol não pertence à Fifa para que ela possa vendê-lo."

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