Gazeta Esportiva

Cyborg e Jacaré vencem, mas Werdum perde cinturão para Miocic

Do correspondente Luiz Felipe Fagundes - Curitiba,PR

15/05/16 | 01:42 - 25/05/17 | 18:05

Stipe Miocic venceu Fabrício Werdum na final dos pesos-pesados (Photo by Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images)
Stipe Miocic venceu Fabrício Werdum na final dos pesos-pesados (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Considerado por lutadores e organizadores o maior UFC da história, a edição 198 do principal evento de MMA, realizado na Arena da Baixada, em Curitiba, colocou definitivamente a capital paranaense na rota dos maiores eventos de MMA. Casa cheia, mais de 40 mil pessoas, para receber pela primeira vez no país os combates em um estádio de futebol. Mais do que isso, a chance de ver uma disputa pelo título mundial dos pesos-pesados. O final, no entanto, não foi o esperado.

O atual dono do cinturão, Fabricio Werdum, entrou o octógono para encarar o americano Stipe Miocic com o Tema da Vitória de fundo, trazendo uma bandeira com Ayrton Senna e bastante descontração. O clima era de total confiança. Concentrado, o desafiante também mostrava que estava no auge da forma e já nos primeiros movimentos demonstrou ter estudado bem o brasileiro.

O gaúcho, entretanto, tentou ser um pouco mais agressivo e partiu para o ataque. Faltando pouco mais dois minutos para o final do primeiro round, o banho de água fria. Miocic acerta um cruzado de direita potente no queixo de Werdum, que desaba. Fim de luta. O cinturão tinha um novo dono, que após suportar as vaias e xingamentos, seguiu sendo simpático e, ao final, recebeu merecidos aplausos.

Recuperado, o brasileiro deixou um recado para o torcedor, se mostrando bem tranquilo pela justiça do resultado. “Galera, tenho que falar a verdade. O Miocic foi melhor do que eu. Foi um detalhe, mas vou voltar e ganhar o centurão de novo”, afirmou.

Shogun volta para casa e vence Anderson - A noite começou com um encontro prevista para o card preliminar, mas que passou para o principal com a sápida de Anderson Silva. Warlley Alves entrou no octógono como invicto e favorito diante de Bryan Barbarena na categoria meio-médio. O brasileiro até começou bem e teve a chance de finalizar nos primeiros 30 segundos de combate. A partir daí o que se viu foi muito equilíbrio até o terceiro round, quando o americano acertou uma boa sequência de golpes. Decisão difícil, mas vitória para Barbarena, frustrando pela primeira vez a torcida.

Na sequência foi a vez de um curitibano. Maurício Shogun, duas vezes campeão do mundo, foi ovacionado em sua entrada para encarar Corey Anderson, em grande forma. O primeiro round teve certo equilíbrio, com o brasileiro disparando uma sequência de socos nos 10 segundos finais e o norte-americano salvo pelo cronômetro. No segundo, foi a vez de Anderson levar o paranaense duas vezes para o chão. Na resposta, mais 10 segundos de pancada.

O terceiro round foi de tensão para a torcida. O norte-americano dominou as ações, tentou inúmeras vezes derrubar o brasileiro, mas Shogun conseguiu manter sua defesa, embora, é bem verdade, pouco tenha atacado. Decisão difícil que ficou nas mãos dos juízes. Entretanto, a tensão virou festa com o anúncio da vitória do curitibano.

As palavras do vencedor pós-luta foram dedicadas a cidade natal. “Sabia que o Corey seria duro, mas treinei muito para essa luta para representar Curitiba e o Brasil. Curitiba é a capital mundial do MMA. Essa é a cidade do mundo que mais merecia um evento como esse”, declarou.

Cyborg confirma expectativas e massacra - Um dos duelos mais esperados do card principal também foi um dos mais rápidos da noite. Representante da capital paranaense, Cris Cyborg finalmente teve a oportunidade de voltar ao octógono para enfrentar Leslie Smith pela categoria especial peso-casado.

A festa da brasileira começou já na entrada, saudada com uma grande festa das arquibancadas. A história da luta é curta. Cyborg partiu para o ataque e dominou a adversária desde o primeiro segundo. Porém, precisou ainda de um minuto e meio para derrubá-la com uma direita certeira e seguir com uma sequência de golpes na cabeça que deram a vitória por nocaute técnico, resultado que Smith não aceitou bem.

Jacaré bate o ídolo Befort com facilidade O desafio da categoria peso-médio colocou frente a frente a lenda do MMA, Vitor Belfort, e um antigo fã, Ronaldo Jacaré, que ganhou o apoio da torcida local. Mas, para quem esperava um duelo duro e equilibrado, logo se surpreendeu com Belfort mais lento, sendo dominado pelo adversário facilmente. Após um grande corte no nariz, a situação só se complicou para o ex-campeão, que recebeu uma grande quantidade de socos e cotoveladas na cabeça, já no chão, antes de a luta ser interrompida. Mais um nocaute técnico na noite.

Jacaré contou que esperava um duelo muito duro diante de um dos mais experientes lutados do UFC e, agora que venceu, quer buscar o título. “Para mim é especial. Sabia que faria um grande trabalho. Sempre que me dão um grande desafio eu me supero. Agora eu mereço a oportunidade de lutar pelo cinturão”, concluiu.

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