Governo espanhol se declara envergonhado e polícia investiga gritos racistas durante Espanha-Egito

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Foto por LLUIS GENE / AFP

A polícia espanhola anunciou, nesta quarta-feira (1º), que investiga os cânticos "islamofóbicos e xenófobos" ouvidos durante um jogo amistoso na terça-feira entre a Espanha e o Egito em Barcelona, e que o premiê espanhol, Pedro Sánchez, disse que mancham a imagem do país.

O cântico "Quem não pular, é muçulmano" e as vaias ao hino egípcio durante a partida no estádio do Espanyol recebeu críticas da própria seleção espanhola, como a do craque do Barça Lamine Yamal, que é muçulmano e disputou a partida, aparentando se sentir abalado com a situação.

É "uma coisa intolerável", escreveu Yamal no Instagram. "Usar a religião como piada em um gramado os mostra como pessoas ignorantes e racistas", acrescentou, em alusão a quem proferiu os cânticos.

O jogador foi o único que não deu a volta para cumprimentar a torcida ao final da partida.

Por sua vez, o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, considerou "inaceitável" a conduta de "uma minoria incivilizada".

"É inaceitável e não deve se repetir. Não podemos permitir que uma minoria incivilizada manche a realidade da Espanha, um país plural e tolerante", escreveu o governante espanhol.

"Investigamos os cânticos islamofóbicos e xenófobos de ontem no RDCE Stadium", o campo do Espanyol, informaram na rede X os Mossos d'Esquadra, a polícia regional catalã.

Ao contrário, o líder do partido de extrema direita Vox, Santiago Abascal, criticou que se rasguem "as vestes por um cântico que nem sequer é um insulto, só uma manifestação de identidade".

"E fazem disso um problema de Estado. Pretendem que os espanhóis aguentem em silêncio obediente a invasão islamista e o governo mafioso", acrescentou Abascal em uma mensagem no X.

"Quem não pular, é muçulmano"

A Federação Egípcia de Futebol expressou, nesta quarta-feira, em sua conta no X, sua "total condenação a este incidente racista vil", e denunciou que "o comportamento de alguns espectadores presentes nas arquibancadas ultrapassaram os limites".

A partida foi manchada pelas vaias ao hino egípcio antes da bola rolar, algo "inaceitável" e uma "falta de respeito", segundo a Federação Egípcia, e pelos cânticos "Quem não pular, é muçulmano" durante o primeiro tempo por parte dos 35.000 torcedores que foram ao estádio do Espanyol.

Pelo equipamento de som e os placares eletrônicos do estádio, pedia-se precisamente que se evitassem os "cânticos ofensivos" no intervalo e no segundo tempo.

"Vergonha mundial", estampou na capa o jornal esportivo AS, com uma foto da mensagem transmitida nos placares eletrônicos.

"É preciso afastá-los da sociedade"

"Os violentos aproveitam o futebol para ter seu espaço. É preciso afastá-los da sociedade, identificá-los e mantê-los o mais longe possível", declarou o técnico da seleção espanhola, Luis de la Fuente, ao chegar à sala de imprensa após a partida. "É intolerável", insistiu.

O presidente da Federação Espanhola, Rafael Louzán, classificou o caso como um "acidente isolado que não deve voltar a ocorrer".

O problema é que este é apenas o mais recente de uma série de episódios semelhantes que mancharam o futebol espanhol nos últimos anos, com o atacante brasileiro do Real Madrid Vinicius Júnior, em particular, sendo repetidamente alvo de insultos racistas, o que demonstra que esse tipo de comportamento não é isolado no futebol espanhol.

Episódios frequentes de racismo

Em janeiro de 2023, torcedores do Atlético penduraram um boneco com a imagem de Vinicius em uma ponte próxima ao centro de treinamento do Real Madrid.

Em 2025, cinco torcedores do Real Valladolid que insultaram Vini Jr. racialmente em uma partida de 2022 foram considerados culpados por um tribunal por crime de ódio, no primeiro julgamento desse tipo na Espanha relacionado a insultos em um estádio de futebol.

Vários outros incidentes foram registrados, o mais recente quando torcedores do Albacete entoaram um cântico racista contra o atacante brasileiro fora de seu estádio antes de eliminar o Real Madrid da Copa do Rei em janeiro.

Mas Vinicius não foi o único a sofrer esses ataques nos estádios espanhóis, e outros jogadores, como o próprio Lamine Yamal e os irmãos Iñaki e Nico Williams, também receberam insultos racistas em diferentes arenas.

A Espanha será uma das sedes da Copa do Mundo de 2030 ao lado de Portugal e Marrocos, um torneio que também terá partidas na Argentina, no Uruguai e no Paraguai.

A imprensa espanhola afirmou que esse tipo de incidente pode afetar a organização do torneio e levar a Fifa a transferir a final para o Marrocos, embora inicialmente a decisão esteja programada para Madri.

*Por AFP

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