Presidente interino do Conselho Deliberativo do Corinthians, Leonardo Pantaleão atendeu à imprensa após a votação que culminou na expulsão do ex-presidente Andrés Sanchez do quadro associativo do clube nesta segunda-feira. Ainda no Parque São Jorge, o dirigente contou detalhes da reunião, explicou o que o levou a recomendar a exclusão e confirmou, ainda, ter sido alvo de ameaças antes do pleito.
A reunião teve início por volta das 19h (de Brasília), com a leitura do parecer final da Comissão de Ética, a possibilidade de manifestação à defesa de Andrés Sanchez e, então, o início da votação. Alguns conselheiros eram a favor do voto secreto, mas Pantaleão manteve a decisão de promover o pleito com voto nominal e aberto.
"Logo no início, o conselheiro Mário Gobbi, de uma maneira pertinente, trouxe algumas coisas que ele entendia que precisavam ser corrigidas no curso do procedimento, como o rito, eventualmente o que teria acontecendo durante o transcorrer do processo ético. Automaticamente foi esclarecido, ficou claro que a prerrogativa de deliberar sobre voto aberto ou fechado é do presidente, isso o próprio regimento interno estabelece. Isso tudo foi esclarecido", afirmou.
(Foto: Reprodução/TV Gazeta)
"Depois houve um outro questionamento, do José Luis Cecílio, de eu estar na presidência da Comissão de Ética e conduzindo a questão relacionada à votação e que eu falaria pela Ética, o que geraria um conflito de interesses. Prontamente esclareci, dizendo que sequer votaria e quem representaria a Ética não seria eu", acrescentou.
Também presidente da Comissão de Ética e Disciplina do CD do Timão, Pantaleão foi o relator do caso e recomendou a expulsão de Andrés Sanchez. O órgão apurava o uso irregular do cartão corporativo alvinegro para despesas pessoais por parte do ex-presidente. Os demais membros seguiram o parecer final. O advogado, então, explicou o que o levou a tomar tal decisão.
"Pela gravidade da conduta. Na Comissão de Ética, nós não analisamos valor, muito se falou que ele não teve oportunidade de fazer o ressarcimento. Na Ética, não estamos falando da questão financeira do clube, mas sim da conduta. E a gravidade da conduta, diante de tudo que foi apurado, recomendava uma punição proporcional àquilo que se evidenciou. Por essa razão a Comissão deliberou de maneira unânime pela expulsão do quadro associativo", justificou.
Ameaças
Pantaleão também confirmou ter sido alvo de ameaças, junto de sua família, antes da votação que definiria o futuro de Andrés no Corinthians. O fato foi revelado mais cedo nesta segunda-feira pela Gaviões da Fiel, principal organizada do clube, que repudiou veementemente a maneira de coação.
"De fato [as ameaças] acontecem. Isso é uma coisa que até certo ponto é esperada. Obviamente, ilegítima, ilegal, criminosa esse tipo de conduta. Mas entendemos que esse tipo de conduta surge para tentar obstaculizar alguma providência, alguma postura. Mas não surte efeito. E assim aconteceu", comentou o advogado.
Próximos passos
A decisão do Conselho Deliberativo é final, ou seja, não precisa ser ratificada pela Assembleia Geral dos Associados. Andrés, então, apenas será comunicado do resultado da votação.
"Se trata de um julgamento do colegiado, o Conselho tem essa autonomia. Não há necessidade de Assembleia Geral para essa finalidade. Ele será formalmente comunicado do resultado e aí, consequentemente, essa decisão do Conselho já passa a ter os efeitos necessários", explicou Pantaleão.
Existe, porém, a possibilidade de que Andrés Sanchez leve à decisão à Justiça para tentar reaver sua posição como associado do Corinthians.
"A parte procedimental por parte do clube acaba se esgotando. Aí, caso ele entenda por bem trazer essa questão a uma discussão judicial, é um direito dele. Não temos controle sobre isso", concluiu o presidente interino do CD.