Gazeta Esportiva

Futebol do meia Arrascaeta tem espaço na "Celeste"?

AFP - São Paulo,SP

22/11/22 | 15:58

Melhor jogador da Copa do Brasil, escolhido para a seleção da Copa Libertadores e autor do gol que selou a classificação do Uruguai para a Copa do Mundo do Catar. Apesar de todas essas credenciais, o meia Giorgian De Arrascaeta, do Flamengo, não consegue se firmar como titular da "Celeste".

Bicampeão da Libertadores pelo time carioca, Arrascaeta cumpre a função de um 10 clássico, encarregado de servir Gabigol e Pedro, embora também se transforme em um terceiro atacante em algumas ocasiões.

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Essa polivalência levou o jogador, nascido há 28 anos na cidade de Nuevo Berlín, no oeste do Uruguai, a se destacar no futebol do Brasil, onde antes de chegar ao Flamengo atuou por quatro temporadas no Cruzeiro.

"É um grande jogador e inclusive diria que facilmente poderia jogar na Seleção Brasileira se tivesse nascido no nosso país, porque hoje em dia não há muitos jogadores no mundo com as suas características", expressou há algum tempo o ex-meia Rivaldo.

Faz a diferença

Segundo o camisa 10 do penta em 2002, "De Arrascaeta está jogando muito bem em uma posição onde há poucos jogadores hoje em dia. Faz a diferença com seus passes e gols, surpreendendo muitas vezes o adversário pela extrema qualidade que tem".

No entanto, 'Arrasca' não conseguiu ter em sua seleção a continuidade que merece. Revelado pelo Defensor Sporting, onde estreou na primeira divisão do Campeonato Uruguaio aos 18 anos em 2012, apareceu pela primeira vez na seleção sub-20 do Uruguai que chegou à final do Mundial da categoria em 2013, perdendo para a França de Paul Pogba, eleito o melhor jogador do torneio.


No início de 2015, chegou ao Cruzeiro e começou sua jornada no futebol brasileiro, até se transferir ao Flamengo em 2019, onde se tornou ídolo. "Passa mais pelo meu estilo de jogo, que se adapta ao que é jogado no Brasil. Já tenho muito tempo e me sinto em casa", disse De Arrascaeta sobre a idolatria que recebe dos torcedores rubro-negros.

Meses antes de ir para o Brasil, em setembro de 2014, o então técnico do Uruguai, Oscar Tabárez, o convocou pela primeira vez para defender a "Celeste". Foi em um amistoso contra a Coreia do Sul, exatamente o primeiro adversário dos uruguaios na Copa do Mundo do Catar.

Oito anos na seleção

Desde então, fez 40 jogos por sua seleção, dois deles na Copa do Mundo da Rússia, em 2018, nas vitórias na fase de grupos contra Egito (1 a 0) e Rússia (3 a 0), 11 das Eliminatórias Sul-Americanas, oito da Copa América e 19 amistosos.

Apesar de ser geralmente escalado por Tabárez como ponta esquerda, onde sua falta de velocidade e a obrigação de ajudar na recomposição o deixavam afastado da área adversária, De Arrascaeta tem oito gols marcados pela 'Celeste', quatro deles nas últimas Eliminatórias.

Mas desde a chegada do técnico Diego Alonso, em janeiro, o meia parece se sentir mais à vontade no time. Com o novo treinador, diz De Arrascaeta, a seleção e o Flamengo têm "formas de jogar quase iguais, já que se pressiona muito e se tenta ter a bola, embora na seleção talvez se pressione mais".

Tanto é assim que nas últimas quatro rodadas das Eliminatórias, quando Alonso assumiu o Uruguai na sétima posição - fora da zona de classificação -, o time conseguiu quatro vitórias para garantir uma vaga no Catar, com De Arrascaeta vestindo a camisa 10.

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O meia terminou por convencer definitivamente a torcida uruguaia quando marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Peru em março, no estádio Centenário, que significou a classificação da 'Celeste' para a Copa do Mundo.

Agora, diz ele, tem "um sonho e ao mesmo tempo um objetivo que definimos com os companheiros e a comissão técnica, de lutar (pelo título mundial) e a intenção é essa, fazer uma grande Copa".

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