Sofrendo com bastidores, Muricy diz: "Se quer, me manda embora"

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Sem citar nominalmente o presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, ou qualquer outro membro da diretoria, Muricy Ramalho aproveitou a entrevista deste sábado, após a vitória sobre o Audax, para mandar recado a quem, segundo ele, tem feito movimentos nos bastidores para tirá-lo do comando da equipe, principalmente depois da derrota de quarta-feira para o Corinthians.

"A gente precisa ser mais São Paulo", disse, no que foi questionado se existiam pessoas que o queriam fora do clube. "Esse negócio de querer fora, em time futebol... Ainda mais comigo, que sou chato, incomodo mesmo... A mim, o que me interessa é o São Paulo, em primeiro lugar. Quando não vejo isso, eu me incomodo mesmo. Se quer me ver fora, tem que me mandar embora, é simples".

O treinador vive sua terceira passagem pelo São Paulo

O treinador vive sua terceira passagem pelo São Paulo - Credito: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Desde o revés na estreia da Copa Libertadores, a principal organizada do clube – que tem apoio de Aidar – vinha pedindo em redes sociais pela saída do treinador. Na sexta-feira, no entanto, o grupo mudou de ideia, apagou postagens e se disse "fechado" com o comandante tricampeão brasileiro pelo clube. Neste sábado, antes até do triunfo por 4 a 0 sobre o Audax, os membros da torcida gritaram seu nome algumas vezes. Em um desses momentos, ele beijou e apontou o escudo do clube na camiseta.

"Comecei aqui com nove anos. É minha segunda casa, praticamente, ou minha primeira, porque fico mais aqui do que em casa. A torcida sabe o trabalho que desenvolvo aqui, é muito grata. É que, às vezes, há pessoas que querem fazer o torcedor pensar diferente. Estou há muitos anos neste clube, conheço tudo. Qualquer movimento que se faça aqui dentro eu sei, e eu não gosto dos movimentos. É muito difícil essas pessoas fazerem a cabeça do torcedor, mas elas tentam. Estou atento a tudo isso aí, estou ligado", comentou.

No início do ano, Aidar cobrou o técnico por títulos, através da imprensa, alegando ter dado a ele as contratações pedidas depois do vice-campeonato brasileiro de 2014. A pressão não caiu bem, e desde então Muricy tem dado indiretas e reclamado que a cobrança pública não agrega ao seu trabalho. Ao ouvir neste sábado que o problema talvez seja o fato de ainda conversar com o amigo ex-presidente Juvenal Juvêncio, antecessor e atual desafeto de Aidar, ele se irritou.

Muricy vem sendo cobrado pelo presidente Carlos Miguel Aidar desde o início do ano

Muricy vem sendo cobrado pelo presidente Carlos Miguel Aidar desde o início do ano - Credito: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

"Eu falo com quem eu quiser, esse negócio não existe. Não agrado a ninguém. Vou sair agora (do Morumbi) e vou para minha casa, no meio do mato. Ninguém me proíbe de nada. Meu negócio é trabalhar. E eu trabalho duro, sério, honesto. No Brasil, está ruim para ser correto hoje em dia. Eu sei, porque sofro com isso faz tempo, mas agora mais. Não tem esse papo. O seu Juvenal e eu trabalhamos juntos por muitos anos, gosto dele, e ninguém me proíbe de falar com ele. É minha vida. Sou um cara sério e vou continuar correto. É difícil ser assim, no futebol ainda pior, e eu estou sofrendo por causa disso", concluiu.

A atual e terceira passagem de Muricy como treinador do São Paulo começou no segundo semestre de 2013, quando foi contratado para evitar o rebaixamento à segunda divisão nacional. Feito isso, ele ficou com o vice-campeonato brasileiro no ano seguinte, além de ter levado o time à semifinal da Copa Sul-americana pela segunda vez seguida. Neste ano, cobrado por títulos, sofreu a primeira derrota na quarta-feira, quando foi criticado por ainda não ter dado identidade à equipe.

Seu contrato com o clube é válido até o fim de dezembro e, a despeito da pressão interna, recebeu respaldo público do vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro. O dirigente, de quem Muricy diz ser um antigo parceiro, assegurou que ele não será demitido e avisou que, inclusive, tem interesse em renovar seu vínculo. Neste sábado, porém, o único representante da diretoria no ônibus da delegação são-paulina foi Aidar.

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