São Paulo mergulha em crise desde saída de Crespo e completa quatro meses sem vencer no Brasileiro

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(Foto: Erico Leonan / São Paulo FC)

O São Paulo enfrenta uma crise sem fim, dentro e fora de campo, que teve como grande pontapé a demissão do técnico Hernán Crespo. O treinador foi desligado do cargo em março deste ano, em uma decisão interna que pegou a torcida de surpresa. Afinal, o time vinha de uma eliminação para o rival Palmeiras na semifinal do Paulista, mas havia encontrado um estilo de jogo e começou bem o Brasileirão, com 10 de 12 pontos conquistados.

Em nota oficial, o clube não chegou a dar explicações sobre o que motivou a demissão de Crespo. Posteriormente, o ex-diretor Rui Costa diria que a mudança foi "necessária" naquele momento. Internamente, porém, uma declaração do argentino gerou um forte incômodo.

Após uma derrota para o Palmeiras no Paulista, em janeiro deste ano, Crespo afirmou categoricamente que a meta do São Paulo no Brasileirão seriam "os 45 pontos", pontuação tida como necessária para evitar o rebaixamento. A fala não caiu bem nos bastidores, e foi rebatida publicamente por figuras como o próprio presidente, Harry Massis; o agora diretor de futebol Rafinha, à época anunciado como gerente esportivo; e o atacante Lucas Moura, que disse o seguinte: "Ele sabe que não foi feliz [na fala]".

Fato é que, nesta terça-feira, o São Paulo completa quatro meses sem vencer no Campeonato Brasileiro — vale citar que, em junho, o futebol nacional foi paralisado devido à Copa do Mundo. A última vitória tricolor no torneio aconteceu no dia 25 de abril, quando ganhou do Mirassol por 1 a 0, em Campinas (SP), pela 13ª rodada. Hoje, o Tricolor está mais próximo da zona de rebaixamento do que do G5.

A equipe são-paulina figura na 13ª colocação na tabela, com 27 pontos. O time tem somente três pontos a mais que o Mirassol, que abre a zona de rebaixamento. E a demissão de Crespo foi o pontapé inicial para a crise.

Demissão de Crespo foi pontapé para crise

Hernán Crespo foi demitido do São Paulo no dia 9 de março. A partir daí, uma série de eventos se desenrolaram, e o clube adentrou uma crise tanto dentro como fora dos gramados, com o descontentamento da torcida crescendo a cada dia. Com o argentino, o Tricolor somou 10 de 12 pontos disputados no Brasileirão, com três vitórias e um empate.

Crespo deixou o comando do São Paulo com 21 vitórias, sete empates e 18 derrotas em 46 jogos, totalizando um aproveitamento de 50,7%.

A escolha da diretoria para substituir o argentino foi por Roger Machado, o que gerou reação imediata de torcedores. Ainda assim, o brasileiro foi anunciado no dia 10 de março, um dia após a saída de Crespo. A onda de protestos contra a chegada do treinador foi grande. No Morumbis, o nome de Roger foi vaiado em pelo menos duas oportunidades no espaço de menos de um mês.

O técnico, diante de tamanha pressão, não conseguiu engatar uma grande sequência de resultados. Sob o comando dele, no Brasileiro, o São Paulo acumulou quatro vitórias, dois empates e cinco derrotas. Além disso, Roger foi um dos responsáveis pela eliminação precoce do Tricolor Copa do Brasil, para o Juventude, da Série B. Ele, inclusive, não resistiu à queda na quinta fase da competição e acabou demitido com pouco mais de dois meses de trabalho, no dia 13 de maio.

A contratação de Roger também fez crescer a pressão sobre o trabalho de Rui Costa. Em meados de abril, torcedores foram ao CT da Barra Funda, cercaram o carro do presidente Harry Massis e cobraram a demissão do executivo de futebol, que foi um dos principais entusiastas da chegada do treinador.

Roger se despediu do São Paulo com sete vitórias, quatro empates e seis derrotas, somando um aproveitamento de 49,01%.

Diretoria busca Dorival para estancar crise

A diretoria tricolor, então, foi ao mercado pela segunda vez no ano para contratar um novo técnico. Desta vez, porém, precisava de um nome 'de segurança'. Alguém que, além dos resultados, conseguisse blindar o CT dos problemas externos e retomasse a confiança da torcida. Dorival Júnior, que acabara de ser demitido do Corinthians, se tornou o principal alvo tricolor.

Dorival Júnior tem muita moral no São Paulo por conta da conquista inédita da Copa do Brasil em 2023. O treinador nunca escondeu o carinho pelo clube tricolor, e foi oficialmente anunciado no dia 15 de maio. No entanto, até o momento, o comandante não conseguiu engrenar e tem deixado a desejar nesta terceira passagem.

A principal decepção do trabalho de Dorival Júnior tem sido no Brasileirão. Desde sua chegada, o treinador ainda não venceu na competição de pontos corridos. São quatro derrotas e três empates no período, o que levou à derrocada da equipe na tabela. Roger Machado, aos trancos e barrancos, deixou o time no G4, mas o jejum de dez jogos - que se iniciou com ele, inclusive - deixou o time mais perto do Z4.

Um número de aproveitamento do São Paulo no Brasileirão ajuda a explicar a derrocada. Juntos, Roger Machado e Dorival Júnior conquistaram apenas 17 pontos de 54 disputados, o que representa apenas 31% de aproveitamento.

Até o momento, Dorival Júnior acumula duas vitórias, cinco empates e quatro derrotas, com um aproveitamento total de 33,3%.

Crise fora de campo 

A crise do São Paulo também ganhou diversos elementos fora dos gramados. A diretoria tricolor enfrenta uma grave crise financeira e deve um mês de direitos de imagem ao elenco profissional.

A pressão pelos resultados ruins também chegou de maneira robusta à diretoria. Em junho, Rui Costa foi demitido do cargo de diretor de futebol do São Paulo, e Rafinha foi efetivado. O presidente Harry Massis também já foi alvo de um pedido de afastamento por gestão temerária, protocolado no Conselho Deliberativo e encaminhado à Comissão de Ética.

No final de julho, o São Paulo ainda foi punido pela Fifa com um transfer ban pela dívida com a Lazio, da Itália. Em grave crise financeira, o clube não havia feito o pagamento da primeira parcela da compra do volante Marcos Antonio. O Tricolor, mesmo com dois novos reforços acertados, ficou impedido de registrar jogadores por 15 dias e precisou postergar a estreia de Domingos Duarte, por exemplo.

O transfer ban foi derrubado pela diretoria tricolor mediante o pagamento de 1,05 milhão de euros (R$ 6,2 milhões na cotação daquele momento), mas nem mesmo com os reforços o São Paulo conseguiu voltar a vencer no Brasileirão.

Insatisfeitas com o momento do clube, as torcidas organizadas se reuniram com elenco e diretoria no CT na última segunda-feira e prometeram uma onda de protestos direcionados à diretoria em breve. "Agora, a maior cobrança vai ser no Morumbis, em cima da diretoria, para cima dos verdadeiros culpados. [...] Quem faz mal ao São Paulo não são esses caras que estão correndo. Estão tudo com salário atrasado mesmo. Nós vamos para cima desses vagabundos aqui agora", disse Baby, um dos líderes da Independente.

Próximos jogos do São Paulo

São Paulo x Red Bull Bragantino (25ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: 29/08 (sábado), às 20h (de Brasília)
Local: Morumbis, em São Paulo (SP)

São Paulo x Atlético-MG (26ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: 05/09 (sábado), às 18h30 (de Brasília)
Local: Morumbis, em São Paulo (SP)

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