Por Thais Bueno
Rogério Caboclo não irá disputar a presidência do São Paulo, em eleições programadas para acontecer na primeira quinzena de dezembro. O ex-mandatário da CBF anunciou neste sábado, em carta destinada a conselheiros, sócios, torcedores e apoiadores, que decidiu não dar sequência à sua candidatura.
Segundo ele, a decisão foi tomada após avaliar o cenário político interno e entender que a união da oposição deve estar acima de projetos individuais. Além disso, ele reforçou que sua decisão "não representa afastamento, recuo ou diminuição" de seu compromisso com o clube.
"Depois de avaliar com responsabilidade o cenário político interno, decidi não prosseguir com a construção de minha candidatura à Presidência do São Paulo. Essa decisão não representa afastamento, recuo ou diminuição do meu compromisso com o clube. Ao contrário: ela nasce da compreensão de que, neste momento, a unidade da oposição deve estar acima de qualquer projeto individual", declarou Caboclo.
"A partir de agora, caberá ao processo eleitoral encontrar outros caminhos para reunir experiência comprovada, capacidade de gestão e conhecimento das principais estruturas do futebol brasileiro", seguiu o dirigente.
Nas últimas semanas, Caboclo conversou com conselheiros do São Paulo, sócios, torcedores, lideranças políticas e pessoas da política do clube. O ex-mandatário da CBF surgia como um dos nomes da oposição são-paulina, que se vê fortalecida para o pleito diante do atual cenário de crise reputacional, financeira e esportiva do clube.
"Continuarei participando de forma ativa das discussões sobre o futuro do clube e contribuindo para o diálogo entre as diferentes correntes políticas. Minha experiência, minha capacidade de articulação e minha disposição de trabalho permanecerão a serviço da construção de uma alternativa sólida, responsável e preparada para conduzir as mudanças de que o São Paulo necessita", garantiu.
Na carta, Caboclo também agradeceu o apoio recebido de conselheiros, sócios, torcedores e lideranças, destacando que o respaldo representa o "desejo de mudança" de parte da comunidade são-paulina. Por fim, defendeu a necessidade de o São Paulo recuperar a "estabilidade, confiança e capacidade de planejamento", além de superar disputas políticas internas.
Cenário político do São Paulo
Atualmente, seis dos nove grupos políticos são apoiadores da atual gestão: Vanguarda, Legião, Participação, Sempre Tricolor, Somos SPFC e Super. Já a oposição é formada por Força, Salve o Tricolor Paulista e Novo São Paulo.
Com a desistência de Caboclo, Marcelinho Portugal Gouvêa, conselheiro vitalício do São Paulo e nome bem avaliado na oposição, fica com o caminho livre para ser o candidato. Por outro lado, a situação, ao lado do presidente Harry Massis Júnior, ainda não definiu qual candidato irá lançar ao cargo, mas Adilson Alves surge como nome forte para tal.
Veja o comunicado completo de Rogério Caboclo:
"CARTA AOS CONSELHEIROS, SÓCIOS, TORCEDORES E APOIADORES
Amigas e amigos,
Nas últimas semanas, tive a oportunidade de conversar com conselheiros, sócios, torcedores, lideranças políticas e pessoas profundamente comprometidas com o futuro do São Paulo Futebol Clube. Recebi manifestações importantes de apoio e confiança de integrantes do Conselho Deliberativo, de diferentes grupos políticos e de personalidades relevantes do futebol
e da sociedade. Esse reconhecimento muito me honrou e reforçou a convicção de que o clube precisa construir um novo caminho.
Depois de avaliar com responsabilidade o cenário político interno, decidi não prosseguir com a construção de minha candidatura à Presidência do São Paulo. Essa decisão não representa afastamento, recuo ou diminuição do meu compromisso com o clube. Ao contrário: ela nasce da compreensão de que, neste momento, a unidade da oposição deve estar acima de qualquer projeto individual. A partir de agora, caberá ao processo eleitoral encontrar outros caminhos para reunir experiência comprovada, capacidade de gestão e conhecimento das principais estruturas do futebol brasileiro.
Continuarei participando de forma ativa das discussões sobre o futuro do clube e contribuindo para o diálogo entre as diferentes correntes políticas. Minha experiência, minha capacidade de articulação e minha disposição de trabalho permanecerão a serviço da construção de uma alternativa sólida, responsável e preparada para conduzir as mudanças de que o São Paulo necessita.
O apoio que recebi durante esse processo não pertence apenas a uma candidatura. Ele expressa o desejo de mudança de muitos são-paulinos e aumenta minha responsabilidade de continuar participando ativamente das decisões sobre o futuro da instituição. A todos que estiveram ao meu lado, manifesto meu sincero agradecimento e reafirmo que nossa mobilização continuará tendo um papel relevante na construção desse novo projeto.
Como sócio e conselheiro vitalício, seguirei atuando de maneira sólida na vida política e institucional do clube. Minha experiência de gestão foi construída também dentro do próprio São Paulo, de 2000 a 2002, onde assumi a Diretoria Financeira em um cenário de déficit relevante e encerrei minha passagem com saldo em caixa. Depois, exerci funções de alta responsabilidade na Federação Paulista de Futebol, no Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 e na CBF, onde fui CEO e presidente. É uma trajetória de resultados, recuperação financeira, organização administrativa e desenvolvimento do futebol que continuará à disposição do São Paulo.
O São Paulo precisa recuperar a estabilidade, a confiança e a capacidade de planejar seu futuro. A escassez de novas lideranças firmes e vocacionadas, como aquelas que marcaram a trajetória singular do Clube em outros tempos, tem contribuído para a perda de referências, o enfraquecimento institucional e a dificuldade de construir um projeto consistente e duradouro.
Soma-se a isso a dificuldade de colocar os interesses da instituição ou 'o melhor para o clube' acima de disputas circunstanciais e o conforto pessoal. Superar esse quadro exige união, competência, independência, diálogo e coragem para promover mudanças. Continuarei trabalhando intensamente para que esses princípios se transformem em um projeto à altura da história e da grandeza do São Paulo.
Mais do que uma candidatura, permanece um compromisso. E esse compromisso é com o São Paulo Futebol Clube.
Rogério Caboclo
Sócio e conselheiro vitalício do São Paulo Futebol Clube"