Um suspiro antecedeu a principal resposta de Muricy Ramalho em sua entrevista após a vitória desta quarta-feira sobre o Capivariano. "É um negócio chato de estar falando", armou-se, antes de rebater – sem citar nomes – as recorrentes declarações da diretoria a respeito de sua obrigação de ganhar títulos neste ano.
"Eu já vi tudo no futebol. Agora, você (mesmo) se pressionar, nunca tinha visto. A gente está se pressionando. Não é a torcida, não. É um negócio chato, não agrega nada, não ajuda em nada. Acabamos em segundo lugar no ano passado", disse o treinador do São Paulo, recentemente pressionado pelo presidente do clube, Carlos Miguel Aidar, e o vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro.
Ambos, com palavras diferentes, disseram publicamente que Muricy foi atendido em todos os seus pedidos por reforços e agora tem obrigação de conquistar campeonatos nesta temporada. No início do segundo tempo do duelo desta noite, parte da torcida passou a gritar o nome do treinador, enquanto outra parcela tratava a Libertadores da mesma forma que os dirigentes, como "obrigação".
Muricy Ramalho foi cobrado pelo presidente Carlos Miguel Aidar a ganhar um título em 2015 - Credito: Djalma Vassão/Gazeta Press
"É isso. Aí tem essa divisão. Também não entendi muito, mas às vezes é (por causa de) uma declaração que não é legal. Às vezes, (o torcedor) fica bravo, como alguns ficaram. Tem que ter cuidado quando falar", continuou a alfinetar. Mais tarde, ao ser questionado sobre o desafio imposto pelo vice de futebol (de administrar um elenco com muitas opções), Muricy se irritou.
"Estou há 40 anos na profissão, esse sempre foi o meu forte. Isso aqui era um desastre quando eu cheguei, olhe como está. Tem disciplina, boa postura, um time que não precisa nem concentrar. Ninguém precisa me falar o que tenho que fazer", falou, com semblante fechado e tom de voz elevado. "Sou profissional, há 40 anos que eu faço isso. O melhor que eu tenho é ambiente. Não tenho que administrar nada, porque o jogador sente confiança em mim, sabe que não tem sacanagem, sabe que aqui a coisa é justa. Administro isso facinho, tenho 40 anos nisso".
O contrato de Muricy com o São Paulo, encerra-se no final do ano. Em algumas oportunidades, o técnico admitiu que gostaria de renová-lo uma última vez para encerrar a carreira no clube pelo qual foi tricampeão brasileiro de forma consecutiva (2006, 2007 e 2008) em sua segunda passagem no comando do time).