Antes de abrir a entrevista pós-jogo para perguntas, neste domingo, Juan Carlos Osorio pediu para consultar anotações em papel e dar um recado. O técnico são-paulino, expulso no intervalo, no túnel de acesso aos vestiários do Palestra Itália, estava revoltado com arbitragem da derrota por 4 a 0 para o Palmeiras e falou em castelhano.
"Assumo a derrota e quero pedir desculpas à nossa torcida, porque não há quatro gols de diferença entre Palmeiras e São Paulo. Quero pedir desculpas também por haver deixado Milton (Cruz, coordenador técnico) sozinho pela minha expulsão. Mas não pude me conter em fazer uma reclamação formal, educada ao árbitro", disse, visivelmente nervoso.
"Trabalhei na América (Estados Unidos) e na Inglaterra, dois países líderes do mundo, onde se respeita o ser humano. Lá, se permite falar com o árbitro. Não sabia que aqui no Brasil os árbitros eram figuras intocáveis. Pensava que essas figuras fossem os jogadores", continuou.
A reclamação feita ao árbitro Anderson Daronco foi referente ao cartão amarelo dado a Bruno. Para o treinador colombiano, por ter sido advertido, o lateral direito ficou receoso de dar combate em Egídio no cruzamento que originou o primeiro dos quatro gols palmeirenses.
"Em nenhum momento, fui mal educado com ele. Disse que tinha sido injusto o cartão para o Bruno. Nós tínhamos planejado não tomar cartão, como o time tomou no clássico anterior. Até os 30 minutos, tudo estava bem. Quando o Bruno ficou condicionado pelo mau cartão, ele não pode competir. Pensava que, no mundo do futebol, se podia dizer as coisas", queixou-se, ainda avermelhado e trêmulo.
Juan Carlos Osorio se irritou pela expulsão e criticou árbitros "intocáveis", mas se desculpou com a torcida - Credito: Djalma Vassão/Gazeta Press
Por nova orientação para a edição atual do Campeonato Brasileiro, os árbitros têm tomado "medida disciplinar adequada" diante de "acintosas reclamações, individuais ou em grupo de jogadores, contra as decisões do árbitro e de qualquer oficial da arbitragem, tanto durante como após o encerramento das partidas". Foi com base nisso que Anderson Daronco mostrou a Bruno o cartão amarelo.
A circular emitida em fevereiro aos clubes tem também como recomendação também expulsar imediatamente "qualquer pessoa, jogador ou substituto que, ao término do primeiro tempo ou ao final da partida, se dirija à equipe de arbitragem, ofendendo, ou aplaudindo de forma irônica". O comandante colombiano do São Paulo nega que tenha sido ofensivo, mas disse que não tinha conhecimento prévio dessa orientação.
"Não sabia. Estamos falando de coisa muito diferente, de culturas de dois países que são líderes do planeta. Considero que se se pode falar na Inglaterra e nos Estados Unidos, com educação, cara a cara, com qualquer ser humano, no resto do mundo deveria ser igual", falou, sacando os óculos do rosto. "Não sabia que o Brasil era exceção, que ao árbitro não se pode dizer absolutamente nada. Não tinha conhecimento".