O técnico do São Paulo não negou que tenha sido fraca a atuação de seu time na vitória por 1 a 0 sobre o São Bento, nesta quinta-feira. Ao final do jogo com protestos e até ironias da principal torcida uniformizada, no entanto, Muricy Ramalho voltou a dar entender que a diretoria tem colocado pressão internamente e atrapalhado.
"Tem que ter união maior aqui dentro, é fundamental. Não adianta ter um baita time, se não tiver junto, como por exemplo a gente teve no ano passado. O time estava muito junto, era praticamente blindado o CT, agora está bastante aberto. Isso prejudica bastante, não é desculpa", disse o treinador, na primeira resposta da entrevista no Morumbi. "A gente está um pouco dividido, a verdade é essa, não pode esconder".
"O cara", continuou, sem citar nomes, "não chega em mim e me pressiona, porque tem que ter um pouco de coragem, precisa ser forte e me peitar. Mas eu gosto desse tipo de pessoa, que encara. Aconteceram fatos neste ano, não está igual ao ano passado, isso não é bom. Tira tranquilidade, não dá resultado esse tipo de coisa. Prejudica muito".
Entre os fatos que ocorreram em 2015, o que mais irritou Muricy foi a cobrança pública do presidente do clube, Carlos Miguel Aidar, por títulos. O mandatário chegou a dizer que o treinador lhe devia conquistas por ter recebido o elenco que pediu. Mesmo depois de ir ao CT da Barra Funda e conversar rapidamente com o técnico na tentativa de aparar qualquer aresta, a relação ainda não parece saudável, especialmente depois de a principal organizada – com quem Aidar tem boa relação – voltar a criticar seu trabalho nesta quinta-feira.
"É estranho, é uma torcida que grita sempre meu nome", lembrou. "Mas a gente vai continuar trabalhando mesmo assim. É nossa obrigação. Espero que eles apoiem a gente. Nosso momento é ruim, a gente entende, não fomos bem nesses jogos. A torcida está zangada pelo nosso momento. A única maneira de reverter isso é vencendo, e vamos atrás disso. A gente pede, até com humildade, que eles apoiem a gente. Não apoiem a mim, mas o time, que é fundamental".
Nesta quinta-feira, porém, independentemente dos protestos e gritos irônicos de "olé" a cada passe do time, o time não merecia mesmo aplausos. "É importante reconhecer. Não pode ficar com esse negócio de jogar mal e dar desculpe. A gente reconhece, os jogadores também, que a gente tem que melhorar muito. A gente tem que ter mais tranquilidade", avaliou Muricy, não sem ressalva. "Se analisar friamente, a gente está dentro das duas competições, estamos brigando pelas duas".