A apresentação de Ceni, que estava marcada para esta terça, foi adiada em função do acidente com o avião da Chape (Foto: Fernando Dantas/ Gazeta Press)
Vinte e seis anos depois de deixar o modesto Sinop (MT) para integrar a base do São Paulo, Rogério Ceni se sente preparado para assumir o cargo de técnico da equipe, apesar de não ter exercido a função anteriormente.
No clube onde vestiu as luvas de goleiro de 1990 a 2015, o ídolo tricolor herdará a partir de 2017 alguns objetivos que não foram alcançados por seus antecessores Edgardo Bauza e Ricardo Gomes.
Melhorar a eficiência do setor ofensivo são-paulino será um deles. A uma rodada para o término do Campeonato Brasileiro, o time do Morumbi representa o quinto pior ataque da competição, com 39 gols. Após as saídas de Jonathan Calleri, Alan Kardec e Paulo Henrique Ganso, a equipe escancarou muitas dificuldades em balançar as redes, mesmo com as chegadas de Andres Chavez, Gilberto e Robson.
Sem contar com grande aporte financeiro do clube para contratações, o ex-goleiro de 43 anos terá que juntamente com a diretoria de futebol ir atrás de reforços pontuais para a parte da frente da equipe – o clube pretende acertar ao menos com mais um centroavante. Wellington Nem, do Shakhtar Donetsk, chegou de empréstimo para o ano que vem e Ceni será incumbido de encontrar a melhor posição para o meia-atacante de 24 anos, que poderá fazer boa parceria com o peruano Christian Cueva no meio-campo.
Em meio a isso, Rogério dará continuidade ao processo de transição para o profissional de alguns jovens valores da base tricolor, como David Neres e Luiz Araújo, hoje titulares da equipe. Caso o clube não consiga trazer jogadores de renome, o ex-goleiro terá de dosar a pressão sobre os atletas mais novos.
Já o setor defensivo não deverá trazer tantas preocupações para Ceni. Apesar de Rodrigo Caio ter grandes chances de ser alvo dos clubes europeus durante a janela de transferências do início do ano, o zagueiro campeão olímpico deve ser procurado para ter seu contrato renovado, até porque o Tricolor almeja vendê-lo por um bom preço futuramente. Maicon, Wellington, João Schmidt e Thiago Mendes podem dar à defesa a segurança necessária para o início de trabalho do novo treinador.
Em seu ano de estreia na nova função, Rogério Ceni deve ser o elo entre a situação, liderada pelo presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, e a oposição dentro do clube. Embora esse não tenha sido o motivo principal de sua contratação, o campeão da Copa Libertadores e do Mundial de 2005 é consenso entre as duas partes e isso pode acalmar os ânimos nos bastidores do Morumbi.
Por fim, a principal meta: colocar o Tricolor novamente na rota dos títulos. O clube, que não levanta uma taça desde a Copa Sul-Americana de 2012, viu seus principais rivais serem campeões nos últimos anos. Como o São Paulo não se classificou para a Libertadores 2017, o time deve priorizar o Campeonato Paulista no primeiro semestre do ano que vem, podendo inclusive voltar a vencer o torneio depois de 12 anos. No âmbito nacional, o São Paulo também irá correr atrás do inédito título da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro, competição que Ceni faturou em 2006, 2007 e 2008, como jogador.
Para atingir todas essas metas, a diretoria são-paulina lhe concedeu um contrato de dois anos. Sua apresentação oficial à imprensa aconteceria na tarde desta terça-feira. Contudo, devido ao trágico acidente com o avião da Chapecoense, a primeira coletiva de Ceni como técnico foi adiada e não tem data definida para ocorrer.