Menos de uma semana após rescindir seu contrato com o São Paulo, o volante Luan abriu o coração e falou sobre os momentos mais difíceis que viveu nos últimos anos no clube. Revelado em Cotia e campeão paulista em 2021, o jogador afirmou em entrevista ao ge que os sucessivos afastamentos dos treinamentos com o elenco contribuíram para o desenvolvimento de um quadro de depressão, além de crises de pânico e de choro.
O São Paulo acertou a rescisão de contrato do volante Luan, que tinha vínculo com o clube até 31 de dezembro de 2026.
Antes do treino desta quinta-feira (15), o jogador esteve no CT da Barra Funda para se despedir.
Hoje com 27 anos, o meio-campista chegou a Cotia aos 11, disputou 186 jogos pela equipe principal, marcou seis gols, deu quatro assistências e foi campeão do Campeonato Paulista de 2021, da Copa do Brasil de 2023 e da Supercopa Rei de 2024 pelo Tricolor.
O São Paulo Futebol Clube deseja sucesso na sequência de sua carreira.
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) October 15, 2026
"Treinar separado foi o que despertou a depressão"
Segundo Luan, a situação começou a se agravar após a renovação de contrato assinada em 2023. O volante contou que recusou propostas financeiramente mais vantajosas para permanecer no Tricolor, mas que, pouco tempo depois, foi informado de que seria emprestado e passou a treinar separado do restante do grupo.
“Eu fui afastado porque não tinha renovado o contrato. Depois renovei e me reintegraram. Um mês depois, me avisaram que eu seria emprestado. A partir dali, entendi que ia ser uma guerra. Não dentro de campo, mas fora dele”, afirmou.
“De 2023 para frente, não teve o ‘Luan não voltou a ser o que era’. Teve mais o fato de não me darem oportunidades para jogar”, completou.
Luan revelou ainda que o período treinando em horários alternativos foi o principal gatilho para o quadro depressivo. De acordo com o volante, a exclusão da rotina do elenco era mais dolorosa do que a falta de minutos dentro de campo.
“Treinar separado foi o que despertou a depressão. Eu entrei no São Paulo com 11 anos, fui campeão, fiz gol em final, ajudei o clube. O mínimo que eu pedia era continuar treinando com o grupo”, desabafou.
Isolamento
O jogador contou que chegou a se isolar completamente durante a fase mais complicada. Em um dos episódios relatados, recusou até mesmo uma visita de companheiros de equipe, entre eles Luciano, Alan Franco, Jandrei e Alisson.
“Eu me tranquei no quarto e fiquei chorando. Não recebi eles. Muitas vezes eu não queria sair de casa. Quando tinha jogo do São Paulo eu assistia, mas tinha crise de pânico, crise de choro”, revelou.
Durante a entrevista, Luan também admitiu que enfrentou problemas com álcool e peso em meio ao período de depressão. Segundo ele, as dificuldades extracampo aconteceram justamente nos momentos mais delicados de sua recuperação física e emocional.
Livre no mercado após o encerramento de sua passagem pelo São Paulo, o volante afirmou que já conversa com outros clubes e garantiu estar focado em recuperar a melhor forma para dar sequência à carreira. Apesar dos atritos vividos nos últimos anos, reforçou que não guarda mágoas do clube e definiu o Tricolor como “família”.
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