Diretor explica reformulação e vê São Paulo mais atrativo que rivais

José Victor Ligero - São Paulo, SP
21/06/2017 09:00:20

Em: Brasileiro Série A, Futebol, Mercado da bola, São Paulo
Vinicius Pinotti apresentou o atacante Denilson na última terça-feira (Foto: Érico Leonan/SPFC)

A exemplo das últimas duas temporadas, o São Paulo de 2017 vai se desfazendo de alguns de seus principais jogadores em meio às competições. Na avaliação do diretor-executivo de futebol Vinicius Pinotti, o desalinhamento do calendário nacional em relação ao europeu e o fato de o Tricolor ser uma grande “vitrine” para o mercado estrangeiro dificultam o trabalho do clube em segurar os atletas.

“A janela de transferências nos pega no meio da temporada, o que é ruim para nós e para os concorrentes, e a gente tem que estar pronto para isso. Não posso falar do passado, só da minha gestão, e o que posso dizer é o que projetamos agora. Hoje não estamos satisfeitos com performance e com o que vem acontecendo, e é natural que com chegadas e saídas isso aconteça”, afirmou o dirigente, em entrevista coletiva.

Só neste ano, o São Paulo acertou as transferências de David Neres (R$ 50,7 milhões), Lyanco (R$ 20 milhões) e Luiz Araújo (R$ 38 milhões) ao Ajax-HOL, Torino-ITA e Lille-FRA, respectivamente. O clube ainda está na iminência de vender Maicon para o Galatasaray-TUR por R$ 25,7 milhões, aproveitando que o zagueiro deseja voltar à Europa.

“O São Paulo é uma grande vitrine na América Latina. Quando chega proposta a gente apresenta ao jogador, a gente quer que ele fique. Se jogador quer ir e a proposta é boa para todo mundo, acaba acontecendo”, acrescentou, não vendo influência das vendas no futebol da equipe.

“Qual jogador titular saiu até agora? Não estamos mexendo tanto na estrutura da equipe. Até agora, saiu Luiz Araújo. Janeiro saiu Lyanco e David Neres. Luiz foi criticado, não era titular absoluto, grande jogador que foi vendido por valor importante. Na mesma linha, jogador quer ir, proposta é boa para os dois lados, jogador mostra que quer ir embora, São Paulo não segura quem não quer ficar. Não vejo esse choque na equipe”, atestou.

Questionado por que, ao contrário de seus grandes rivais estaduais, o Tricolor não consegue na maioria das vezes vencer o assédio que vem de fora, Pinotti disse que o clube do Morumbi é mais atrativo em razão de sua tradicional vocação como revelador de jogadores.

“Se você olhar histórico de vendas do São Paulo, a gente vende muito mais que eles. Nossa vitrine é realmente mais atrativa, saiu tempo atrás um estudo do valor dos elencos e você naturalmente vê porque eles conseguem segurar e a gente não. O elenco é valioso, chegam propostas grandes aqui. Historicamente, a gente produz e exporta muito talento, e isso é uma diferença”, ressaltou, explicando que as vendas são resultado da crise financeira à qual o clube se colocou nos últimos anos.

“Não é simplesmente vender por vender. São Paulo vem de recuperação financeira, não vai ser do dia para a noite que vai melhorar 100%, mas estamos atentos ao ganho esportivo. Queremos voltar a vencer e esse é nosso objetivo. Tudo que é feito há racional por trás, ninguém está brincando de gestão de futebol. Última palavra é do presidente, mas temos um grupo de pessoas cuidando das coisas aqui”, explicou.

Se por um lado jogadores estão de saída, do outro o São Paulo está muito próximo de anunciar reforços. O zagueiro Robert Arboleda, da Universidad Católica de Quito e da seleção equatoriana, e o meia argentino Jonathan Gómez, do colombiano Independiente Santa Fe, estão praticamente acertados com o clube. O volante Petros e o defensor Aderlan Santos, dos espanhóis Betis e Valencia, também podem fechar com o Tricolor.

“A gente tem planejamento de reforçar o time, então chegarão mais do que sairão”, prometeu. “Nossa ideia é aproveitar a base, está aí a quantidade de jogadores da base, mas não dá para montar time só da base. São movimentos de mercado que temos de estar atentos”, concluiu.