Investigada no caso do camarote no Morumbis fica em silêncio em depoimento e desmaia

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(Foto: Léo Sguaçabia/Ag. Paulistão)

Por Thais Bueno

Rita de Cássia Adriana Prado compareceu à delegacia, na manhã desta terça-feira, para prestar depoimento. Aponta como possível intermediária, ela é investigada por suposto envolvimento no esquema ilegal da venda de ingressos para shows de um camarote no Morumbis, estádio do São Paulo Futebol Clube.

A oitiva estava agendada para as 10h (de Brasília) desta terça-feira. O advogado de Rita de Cássia chegou sozinho em um primeiro momento. Posteriormente, foi acompanhado pela cliente, que optou por permanecer em silêncio durante os questionamentos.

Ao sair da delegacia, Rita de Cássia desmaiou. Segundo soube a reportagem, ela decidiu permanecer em silêncio sob a alegação de problemas de saúde, mas não entregou nenhum atestado ou laudo médico aos promotores responsáveis pelo caso.

São Paulo

(Foto: Léo Sguaçabia/Ag. Paulistão)

Os responsáveis pela defesa da investigada, por sua vez, teriam prometido anexar os devidos atestados médicos aos autos do processo.

Agora, as autoridades darão sequência ao processo de recolher depoimentos e ouvirão os demais investigados — entre eles, Mara Casares, afastada do cargo de diretora feminina, cultural e de eventos, e Douglas Schwartzmann, afastado do cargo de diretor adjunto da base. Rita de Cássia Adriana Prado, por sua vez, não deve ser convocada a prestar esclarecimentos novamente.

As informações foram inicialmente divulgadas pelo ge e confirmadas pela Gazeta Esportiva.

O caso da suposta exploração ilegal de um camarote no Morumbis está sendo investigado pela Polícia Civil, por meio do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O processo corre sob segredo de Justiça.

Defesa se pronuncia

Em nota enviada ao ge, a defesa de Rita de Cássia Adriana Prado se pronunciou. Confira, abaixo, a manifestação:

"A defesa de Rita de Cássia Adriana informa que, na data de hoje, compareceu à Delegacia de Polícia competente para prestar depoimento no âmbito da investigação que se encontra em curso, conforme agendamento prévio realizado em conjunto com a delegacia de polícia.

Na ocasião, em razão de seu atual estado de saúde, encontrando-se sob acompanhamento médico, Rita de Cássia Adriana não tinha condições de prestar qualquer depoimento, o que foi devidamente justificado aos Promotores de Justiça da força-tarefa e ao Delegado de Polícia responsável pelo caso.

A defesa também informa que é falsa a informação veiculada em alguns canais de que Rita de Cássia não apresentou qualquer documentação médica capaz de comprovar o seu estado de saúde, pois, apesar de estar com toda a documentação em mãos, seguindo estritamente as orientações do Delegado de Polícia, anexará os documentos diretamente no sistema eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

De igual forma, prestará esclarecimentos e juntará documentos sobre os fatos apurados diretamente nos autos, também seguindo as orientações das autoridades que conduzem a investigação.

Por fim, a defesa reafirma sua confiança na condução técnica e isenta das apurações, permanecendo à disposição das autoridades para os esclarecimentos que se fizerem necessários, sempre com observância ao devido processo legal e às garantias constitucionais, e também com respeito à intimidade e à vida privada da Sra. Rita de Cássia".

Morumbis - (Foto: Staff Image/Conmebol)

Relembre o caso

Áudios entre Douglas Schwartzmann, diretor adjunto da base do São Paulo, e Mara Casares, ex-esposa do presidente Julio Casares e diretora cultural e de eventos, revelaram um esquema ilegal de comercialização de um camarote para shows realizados no Morumbis. Após o vazamento do caso, Schwartzmann e Mara pediram licença de seus cargos. O presidente Massis, inclusive, já não considera ambos como parte da gestão.

Na gravação, obtida e divulgada pelo ge, Schwartzmann admite que ele, Mara e outras pessoas ganharam dinheiro com o esquema. Ele afirma que Mara Casares recebeu do superintendente Marcio Carlomagno um camarote e comercializou ingressos do show da cantora colombiana Shakira, em fevereiro deste ano. Carlomagno, ex-superintendente geral do São Paulo, era considerado o braço direito de Julio Casares e tido como o principal nome da situação para eleição de 2026.

O camarote que motivou a gravação vazada, no centro de um processo judicial, foi o 3A, no setor leste do Morumbis. Em documentos do clube, esse espaço consta como "sala presidência" e fica em frente ao escritório do presidente.

Operação contra envolvidos

Ainda em janeiro, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação de busca e apreensão relacionada ao esquema de venda ilegal de ingressos de um camarote no Morumbis. A ação cumpriu quatro mandados em diferentes endereços ligados aos investigados.

Durante a operação, as autoridades apreenderam R$ 20 mil em espécie, documentos e uma CPU na casa de Mara. No endereço de Adriana, foram encontradas anotações, mas ela não estava no local.

Outros casos

Essa é a terceira investigação conduzida pelas autoridades envolvendo o São Paulo nos últimos meses. A Polícia Civil também instaurou inquérito para apurar uma possível corrupção no departamento social. O principal alvo da investigação é António Donizete Gonçalves, conhecido como Dedé, que atuava como diretor social do clube até deixar o cargo em janeiro deste ano, em comum acordo com o presidente Harry Massis.

Em outro braço da investigação, a Polícia ainda apura um possível desvio de dinheiro em vendas de atletas, além da retirada de R$ 11 milhões em dinheiro em espécie, dos cofres do clube, entre 2021 e 2025. Ex-presidente do São Paulo, Júlio Casares também é alvo das autoridades por ter supostamente recebido R$ 1,5 milhão, em dinheiro vivo, entre janeiro de 2023 e maio de 2025.

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