De guarda baixa, Muricy será blindado até "decisão" na Argentina

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A decisão da diretoria do São Paulo em não aceitar a oferta de Muricy Ramalho de entregar o cargo foi dividida. Ao mesmo tempo em que não enxergam no mercado uma opção que resolva os problemas do time em meio à reta final da fase de grupos da Copa Libertadores, os dirigentes estão preocupados com o abatimento do treinador depois de nova derrota em um grande jogo, desta vez para o Palmeiras.

Ao menos até o duelo de quarta-feira que vem, contra o San Lorenzo, ele seguirá com respaldo total do departamento de futebol para se concentrar apenas no trabalho do dia a dia. É possível, inclusive, que sua tradicional entrevista coletiva de sexta-feira seja cancelada, e algum jogador converse com a imprensa em seu lugar, na antevéspera do duelo com o Linense, pelo Campeonato Paulista.

O diagnóstico dos dirigentes é que a continuidade de Muricy, apesar da falta de identidade da equipe, é ainda a melhor opção no momento. Por isso, além de propagar a ideia de que ele tem grande importância e não pode sair "em hipótese alguma", vão blindá-lo ao máximo. "Ele está desgastado", reconheceu o vice-presidente de futebol do clube, Ataíde Gil Guerreiro, depois de longa reunião com o comandante do time, da qual também participaram o gerente executivo Gustavo Vieira e os auxiliares do treinador.

Muricy conta com respaldo da diretoria tricolor, ao menos, até decisão contra San Lorenzo na Argentina

Muricy conta com respaldo da diretoria tricolor, ao menos, até decisão contra San Lorenzo na Argentina - Credito: Djalma Vassão/Gazeta Press

A maior dificuldade para dar tranquilidade a ele e aos jogadores é o protesto agendado pela maior torcida uniformizada tricolor, que quer sua demissão e promete ir ao CT da Barra Funda na manhã deste sábado. Da última vez, Ataíde conseguiu alterar o local do treinamento e abriu os portões do Morumbi, fazendo com que a ação organizada não fosse tão próxima e perdesse força. Depois disso, a viagem à Argentina, na terça-feira, facilitará a blindagem do time. Uma derrota para o San Lorenzo, porém, colocaria tudo isso a perder novamente.

Fato é que o técnico tricampeão brasileiro pelo São Paulo (2006, 2007 e 2008) parece não encontrar soluções para reerguer o grupo que foi vice-campeão brasileiro na temporada passada. Um grupo que, a não ser pela saída de Kaká, só foi reforçado. "É verdade, contrataram jogadores que a gente precisava, principalmente os laterais", admitiu, na quarta-feira, depois do revés no Palestra Itália.

"O Muricy é um excelente profissional, trabalhador. Tenho certeza de que vai encontrar o que fazer com o elenco, que reputo ser muito bom, para agradar à torcida. Ela ataca dirigente, com razão, o técnico, com razão, e temos que dar resposta. Não adianta retórica, querer agradar com palavras. Torcida só vai ficar satisfeita se ganharmos do San Lorenzo e, nas fases próximas do Paulista, derrubar Palmeiras, Corinthians e Santos", alertou Ataíde.

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