Futebol

Com a 20, Centurión pede para ser Ricky e tem apoio de Richarlyson

Tossiro Neto - São Paulo , SP - Brasil
05/03/2015 07:00:07

Em: Chapecoense, Futebol, São Paulo

Muricy Ramalho e os demais jogadores do elenco o chamam pelo sobrenome, mas Adrián Ricardo Centurión prefere que as pessoas se refiram a ele como Ricky, um diminutivo carinhoso de Ricardo. Assim é que foi inscrito pelo São Paulo na Copa Libertadores o recém-contratado meia-atacante argentino, de 22 anos. Assim também era chamado Richarlyson – que usou a mesma camisa 20 agora dada ao reforço – em sua vitoriosa passagem pelo clube.

No caso de Richarlyson, o apelido surgiu porque o zagueiro uruguaio Lugano não conseguia pronunciar seu nome corretamente. “Mas, depois de um grande tempo, todos começaram a me chamar assim. Achei que seria bacana colocar na camisa justamente por isso, por todos me chamarem desse jeito. Aí ficou”, recorda o volante, atualmente na Chapecoense, clube que o fez rever a decisão de se aposentar do futebol, no final da temporada passada. No começo deste ano, ele chegou a treinar e a jogar vôlei em Taquarituba, cidade do interior paulista.

Richarlyson virou Ricky definitivamente em 2007, muito tempo depois de ser assim chamado por Lugano
Richarlyson virou Ricky definitivamente em 2007, muito tempo depois de ser assim chamado por Lugano – Credito: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Embora o São Paulo tenha incluído “Ricky” no registro enviado à Conmebol, Centurión deve continuar atuando apenas com seu sobrenome nas costas da camisa com a qual foi apresentado. A diretoria tem evitado fazer exigências à Penalty a fim de facilitar o trabalho da fornecedora de material esportivo em meio à arrastada substituição pela empresa americana Under Armour. Fica, no mínimo, a coincidência com a numeração que Richarlyson usou em grande parte de sua passagem pelo Morumbi, na qual foi campeão mundial de 2005 e, sob comando de Muricy, tricampeão brasileiro de forma consecutiva (2006, 2007 e 2008).

Fernando Dantas/Gazeta Press
INÍCIO TÍMIDO FORA DE CAMPO

O argentino, que já se ajeitou em um apartamento na capital paulista, ainda não está totalmente confortável no clube. Apresentado no início de fevereiro, ele ainda conversa pouco com os colegas de elenco, até mesmo com o zagueiro Dória, seu parceiro de quarto na primeira vez em que ficou concentrado. A timidez também ficou clara na entrevista de quarta-feira, com voz baixa e respostas curtas.

Em seu país, é conhecido por ser provocador, tanto em campo quanto em declarações. Além disso, já chegou a fechar as portas de clubes interessados em sua contratação por aparecer armado em uma fotografia, aos 16 anos. Nos treinos, afora a qualidade técnica, tem chamado atenção pelas tatuagens – uma delas, na panturrilha esquerda, é um desenho de Maradona fazendo embaixadinha.

O treinador, recontratado pelo São Paulo em 2013, foi quem pediu a contratação do novo Ricky, dez mais anos mais novo e um dos destaques na campanha do Racing campeão argentino do ano passado. “Com ele, “é trabalho, meu filho””, avisa Richarlyson, bem humorado, repetindo bordão do ex-comandante. “O Centurión já deve saber da qualidade, do que ele fez pelo São Paulo. Mas, além do Muricy profissional, ele pode tê-lo como amigo, porque ele nunca vai ser traíra, falso. Ele sempre vai fazer as coisas olhando nos olhos das pessoas, porque gosta muito de confiança, de você passar isso para ele. A dica é trabalhar e sempre falar olhando nos olhos do Muricy, que não vai ter problema nenhum. Ele é verdadeiro demais”.

O argentino não é muito de falar, mas percebeu rapidamente como é o trabalho do técnico. Na quarta-feira, quando ensaiou entre os titulares que enfrentarão o Corinthians pelo Campeonato Paulista, Centurión foi um dos jogadores que mais receberam atenção de Muricy. No domingo, ele entrará no time para substituir Alexandre Pato (mais uma vez impedido de enfrentar o rival por força de contrato), depois de ter ficado fora do clássico na estreia da Libertadores por conta de suspensão. “Ele me pediu para jogar por fora, pela esquerda, e me pediu marcação”, resumiu o jogador, ao ser questionado sobre as orientações do chefe.

Até aqui, foram três jogos no Estadual (contra Bragantino, Audax e Rio Claro), o suficiente para se fazer notar. “Eu o vi jogar contra o Bragantino, na estreia, quando ele até fez gol. É um grande jogador, percebo que tem qualidades técnicas diferenciadas. É um cara muito rápido e inteligente”, elogia Richarlyson, antes de incentivar e desejar sorte ao xará de apelido. “A 20 é sorte. A 20 tem uma história bacana no São Paulo. Espero que ele possa ser vitorioso no clube tanto quanto fui ou até mais. Mas, acima de tudo, que ele possa representar bem essa camisa, porque essa camisa me traz saudades, me traz lembranças muito boas”, diz a principal referência da Chapecoense, onde agora veste a camisa 10.




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