Análise: São Paulo não se acha em campo, e Dorival também merece ser cobrado

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(Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC)

A derrota por 2 a 0 para o Cruzeiro na última quarta-feira escancarou problemas que vão além dos desfalques e reforçou a falta de identidade do São Paulo sob o comando de Dorival Júnior. O treinador ainda não conseguiu fazer seu trabalho engrenar nesta terceira passagem. Prova disso é que ainda não venceu jogos fora de casa, com seis derrotas e dois empates no recorte. Diante de um cenário de crise, o futebol também está sendo afetado, mas o técnico precisa ser cobrado pelo desempenho abaixo da equipe, sobretudo na última quarta-feira, no Mineirão, pela 29ª rodada do Brasileirão. E não só isso, o time tem de religar o alerta da briga contra o rebaixamento.

Como foi o jogo?

Primeiro tempo

Dorival Júnior fez mudanças na escalação tricolor diante da nova leva de desfalques. O técnico decidiu preencher o meio-campo em meio à ausência de Luciano, que sofreu uma lesão muscular no adutor direito. Com isso, o setor foi formado por três volantes, com Pablo Maia, Bobadilla e Marcos Antônio. Na zaga, Sabino voltou a integrar o trio titular, enquanto Wendell substituiu Iago, também lesionado, na ala esquerda. Por fim, no ataque, o São Paulo ganhou o reforço de Calleri, de volta após cumprir suspensão.

O duelo começou equilibrado no Mineirão. O São Paulo veio a campo com a proposta de pressionar a saída de bola do Cruzeiro, mas conseguiu exercer tal estratégia por pouco tempo. Com um minuto de jogo, em um bate e rebate, quase sofreu um gol. Contudo, respondeu com cinco minutos em bom lance de Wendell. Depois disso, a partida voltou a esfriar, com uma postura mais cautelosa de ambas as equipes. O Tricolor teve menos a posse, mas apresentou uma marcação intensa e organizada nos primeiros 15 minutos.

Depois dos 15 minutos iniciais, a coisa começou a desandar, com o Cruzeiro encontrando mais espaços diante da qualidade técnica de seus atletas. A incógnita também ficou quanto ao posicionamento de Marcos Antônio, ora mais avançado na pressão, ora mais recuado. O sentimento era de que o setor do meio-campo, mesmo com três volantes, não conseguiu participar do jogo, seja para criar oportunidades ou para marcar. Do trio, quem mais se fez presente foi Bobadilla, mesmo com uma atuação mais discreta.

O São Paulo também produziu muito pouco em termos ofensivos. O meio-campo, lento e desatento, não conseguiu se conectar com os alas e com os atacantes. Nas tentativas de armar jogadas e até mesmo contra-ataques, o time também cometeu muitos erros técnicos, parecendo ansioso e tomando decisões precipitadas. Um exemplo claro foi aos 40 minutos, quando Bobadilla tentou um passe forçado para Calleri dentro da área, mas facilmente cortado pela defesa cruzeirense.

A equipe são-paulina deixou o ritmo cair e não conseguiu manter a mesma intensidade da marcação inicial. Com isso, começou a ceder mais espaços e deixou Matheus Pereira, em um lance de genialidade, criar uma grande oportunidade para Kaio Jorge que, de dentro da área, não desperdiçou. O São Paulo, no que foi sua melhor arma no primeiro tempo, respondeu na bola parada e quase empatou com Sabino, mas viu a bola ir para fora. Na reta final, ainda foi salvo por Coronel, que fez grande defesa após cruzamento que atravessou toda a área tricolor.

Em resumo, o São Paulo começou bem em um primeiro tempo de muita trocação. Contudo, foi se desmontando conforme o Cruzeiro criava oportunidades e cedendo cada vez mais espaços, principalmente pelos lados do campo. Mais uma vez, em um erro de marcação de um zagueiro, que saiu para dar o bote e não conseguiu interceptar a jogada, levou um gol. Ofensivamente, o time também deixou a desejar, com poucas grandes chances criadas e um baixo volume ofensivo, diferente da etapa inicial do clássico contra o Santos, por exemplo.

Segundo tempo

Dorival voltou do intervalo com uma mudança para tentar tornar o time mais ofensivo: Sabino deixou o campo para a entrada de Ferreirinha, que fez um hat-trick no jogo do primeiro turno. O sistema tático, porém, não mudou. Wendell passou a exercer a função de um zagueiro pelo lado esquerdo, com Ferreira sendo o responsável por atuar como um ala esquerdo mais ofensivo, tendo a capacidade do drible e do um contra um.

Mas quando o São Paulo tentava voltar a esboçar uma reação, a desorganização de tais movimentos levava o Cruzeiro a encontrar muitas brechas na marcação para sair jogando. Um grande exemplo foi um passe entrelinhas de Otávio para Felipe Morais, que teve muita liberdade para conduzir, mapear a melhor jogada e avançar com a bola, sem nenhuma pressão sequer do Tricolor. No jogo desta quarta-feira, além da desorganização, o problema também foi a postura dos jogadores, que se mostraram um tanto apáticos dentro de campo.

Isso ficou explícito na construção do segundo gol do Cruzeiro. Zé Lucas tabela, recebe na frente, e a marcação demora a encostar. Com isso, os jogadores do time mineiro ganham mais tempo para pensar. Além disso, também ficou evidente o mau posicionamento dos atletas da linha defensiva do São Paulo no rebote de Coronel. De modo geral, o Tricolor paulista assistiu o rival jogar no segundo tempo, sem fechar os espaços entrelinhas e dando campo para jogadores de muita qualidade, como Matheus Pereira e Kaio Jorge, tomarem as melhores decisões.

Dorival ainda tentou mexer no time. Depois de Ferreira, que sentiu dores e precisou ser substituído, promoveu as entradas de Victor Sá, Newton e Pedro Ferreira. As trocas pouco melhoraram o desempenho da equipe em campo. Em diversos momentos, o Cruzeiro trocava passes sem sequer ser incomodado. Mais uma vez, Dorival não soube ler o jogo, o que se somou a uma postura apática, muito diferente de quando o São Paulo jogou no Morumbis, por exemplo, e pressionou o Santos a quase todo momento.

Em resumo, o São Paulo foi, sim, afetado pelos desfalques. Nenhum dos reservas que entrou em campo conseguiu exercer a mesma função de Luciano, Iago ou Rafael. A diretoria tricolor, que decidiu pela demissão de Crespo em março deste ano, é uma das culpadas pela campanha frustrante no Brasileiro, mas Dorival Júnior também merece ser cobrado. O treinador ainda não conseguiu implementar suas ideias, e o time não apresenta um padrão de jogo, com uma oscilação gigantesca. O trabalho, até aqui, é decepcionante. Agora, resta saber o que o treinador conseguirá extrair do elenco até o final da temporada e, ao torcedor são-paulino, para que a irregularidade não leve o time à Segunda Divisão.

Situação na tabela

Com o resultado, o São Paulo acumulou a segunda derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro e estacionou na 11ª colocação, com os mesmos 36 pontos do início da rodada, a cinco pontos do Internacional, primeiro time na zona de rebaixamento. O Tricolor paulista ainda amargou o 12º jogo de jejum como visitante no torneio nacional.

Próximos jogos do São Paulo

São Paulo x Vitória (30ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: 10/10 (sábado), às 21h (de Brasília)
Local: Morumbis, em São Paulo (SP)

São Paulo x Vasco (31ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: 17/10 (sábado), 21h (de Brasília)
Local: Morumbis, em São Paulo (SP)

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