Análise: São Paulo esbarra na própria ansiedade e dá adeus à última esperança de título

Imagem ilustrativa para a matéria
Foto por MIGUEL SCHINCARIOL / AFP

Empurrado por mais de 55 mil torcedores no Morumbis e precisando de uma vitória para seguir vivo na Copa Sul-Americana, o São Paulo esbarrou na própria ansiedade e foi eliminado nas quartas com uma atuação irreconhecível. Nervoso desde os primeiros minutos, dominado no meio-campo e incapaz de transformar posse de bola em pressão efetiva, o Tricolor empatou em 1 a 1 com o Boca Juniors e deu adeus à competição na última terça-feira. A eliminação não foi fruto de um detalhe isolado, mas o retrato de uma equipe que produziu pouco, sofreu com falhas de concentração e encerrou sua última chance de título em um ano marcado por instabilidade e frustração.

Como foi o jogo?

Primeiro tempo: São Paulo errático e irreconhecível

O técnico Dorival Júnior colocou em campo o que o São Paulo tinha de melhor à disposição. Depois de preservar os titulares no fim de semana, o Tricolor teve força máxima e contou com peças importantes para a decisão. Iago, após sofrer dura entrada no clássico, saiu jogando. No meio, o treinador surpreendeu e sacou Pablo Maia para escalar Danielzinho. Luciano, preservado no sábado devido a um edema na coxa esquerda, foi para o sacrifício. Por fim, Gustavo Santana substituiu Calleri, suspenso pelo acúmulo de cartões amarelos.

O duelo começou muito disputado no Morumbis. Se o São Paulo esperava um Boca Juniors que viria somente para se defender, se enganou. O jogo começou um pouco mais truncado, com disputas no meio-campo e com o time argentino dividindo a posse de bola com o Tricolor. A equipe mandante se mostrou um pouco ansiosa na saída de bola, tomando algumas decisões precipitadas e apostando em lançamentos longos para Gustavo Santana, facilmente cortados pelo rival.

O São Paulo pareceu começar a partida um muito nervoso, errando passes e lançamentos no campo de defesa. Os passes lomgos viraram alternativa do Tricolor, que não conseguia se aproximar para trocar passes curtos diante da forte marcação do Boca no meio-campo. Fato é que foram 20 minutos de um Boca Juniors muito confortável em campo. A pressão tricolor não surtiu efeito e o Boca teve muita tranquilidade para retomar a posse com os erros cometidos pelo próprio São Paulo. Foi um início de jogo muito pobre dos donos da casa, que não criaram absolutamente nada antes da parada técnica.

"Tudo que poderíamos errar, nós já erramos. Calma agora, calma". Esta foi uma fala de Dorival Júnior que sintetizou o que foram os primeiros 25 minutos do São Paulo. A situação esteve tão ruim que a primeira finalização do time na partida saiu somente aos 29 minutos do primeiro tempo e veio de uma bola parada. Artur cobrou falta na primeira trave e Gustavo Santana cabeceou por cima do travessão. Um dos grandes problemas da equipe na partida foi o meio-campo, 'engolido' pelos jogadores do Boca.

Mesmo precisando do resultado, o São Paulo se viou encaixotado pela forte marcação do Boca e encontrou dificuldades para fugir dela, sobretudo em uma noite muito abaixo tecnicamente de suas principais referências técnicas. Foi somente aos 37 minutos que o time enfim criou sua grande chance. Lucas Ramon cruzou e Gustavo Santana cabeceou para defesa de Montero. A bola ainda bateu no travessão, e a zaga do Boca afastou.

Se por um lado o ataque do São Paulo foi quase inoperante, a defesa pouco sofreu. A equipe levou alguns sustos com as subidas em velocidade do Boca, mas Rafael não sujou o uniforme nos primeiros 47 minutos. De modo geral, foi um primeiro tempo decepcionante do Tricolor paulista. O time, que precisava da vitória, mais assistiu ao Boca Juniors jogar e não conseguiu efetuar um momento de grande pressão, deixando o campo sob algumas vaias da torcida. A equipe são-paulina saiu com somente uma chance criada e um desanimou os torcedores, que fizeram uma bela festa na recepção ao ônibus.

Segundo tempo: Tricolor melhora, mas não consegue classificação

O São Paulo voltou do intervalo com somente uma mudança. Djhordney, que foi bem no clássico no fim de semana, entrou no lugar de Danielzinho com o objetivo de trazer mais dinâmica ao meio-campo tricolor. A equipe são-paulina retornou um pouco melhor para a segunda etapa e pareceu ter um pouco mais de objetividade em busca do gol, tendo mais a posse de bola do que o Boca e rondando mais a área do rival, arriscando um pouco mais e variando as formas de tentar agredir o Boca Juniors.

No entanto, a falta de sintonia voltou a aparecer no São Paulo. Uma jogada que resumiu bem a situação aconteceu por volta dos 13 minutos do segundo tempo, quando Marcos Antonio procurou a opção de passe em profundidade com Artur e Lucas Ramon do lado direito, mas nenhum deles apareceu para receber no ponto futuro. E se não merecia abrir o placar, o Tricolor voltou a ser punido em um momento de desatenção completa da defesa. Lozano recebeu sem marcação, com um grande espaço para correr em velocidade, invadiu a área e marcou. Domingos Duarte não conseguiu correr atrás do lateral.

Dorival Júnior, então, partiu para o desespero. Tirou Lucas Ramon para colocar Victor Sá para atuar como um ala pela direita, puxando Ferreira para jogar pelo lado esquerdo e dando até mesmo uma oportunidade para o jovem Ryan Francisco. O time tricolor até conseguiu empatar o jogo em uma jogada de sorte, na qual Luciano cruzou rasteiro para o jovem que havia acabado de entrar empurrar para o gol, mas o gol foi anulado por um impedimento do camisa 10 no início da jogada.

O gol havia inflamado o Morumbis, que murchou rapidamente após a anulação. E a equipe também pareceu sentir isso em campo. Depois do gol anulado, o São Paulo pareceu desistir e caiu na pilha do Boca Juniors. O time voltou a cometer os mesmos erros de desatenção e perdeu bolas perigosas na defesa, falhando na saída com a posse, abusando dos lançamentos e errando passes simples.

Na reta final, o São Paulo conseguiu empatar com Domingos Duarte na bola parada, no que foi a única grande chance criada pelo time no segundo tempo além do gol anulado. A decepção no Morumbis ao apito final foi total. O Tricolor não conseguiu devolver a classificação à torcida, que fez uma linda festa e compareceu em peso mesmo sob chuva. A equipe são-paulina deu adeus a sua última chance de título na temporada, perdeu R$ 4,1 milhões de premiação e, agora, focará inteiramente em atingir os 45 pontos no Campeonato Brasileiro. Será um fim de ano um tanto melancólico para o clube, que infelizmente viu seus problemas extracampo atingirem o futebol.

Próximos jogos do São Paulo

São Paulo x Internacional (28ª rodada do Brasileirão)
Data e horário: 19/09 (sábado), às 21h (de Brasília)
Local: Morumbis, em São Paulo (SP)

Cruzeiro x São Paulo (98ª rodada do Brasileirão)
Data e horário: 07/10 (quarta-feira), às 21h30 (de Brasília)
Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)

Conteúdo Patrocinado