Aidar vê Leco alienado no poder e espera por novo mandatário em 2017

São Paulo, SP

20-12-2015 09:19:15

Aidar vê decisões de Leco dependente de crivo de gestores e desaprova situação política (Foto:Fernando Dantas/Gazeta Press)
Aidar vê decisões de Leco dependente de crivo de gestores e desaprova situação política (Foto:Fernando Dantas/Gazeta Press)

Destituído do cargo de presidente do São Paulo há mais de dois meses, o nome de Carlos Miguel Aidar ainda ronda os bastidores do São Paulo. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o ex-presidente, que já teceu críticas a Rogério Ceni recentemente, disparou agora contra Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que tomou posse como presidente após a sua renúncia.

Curtindo os netos e planejando reinaugurar o próprio escritório de advocacia a partir de janeiro, Aidar ainda não conseguiu se separar definitivamente do São Paulo. Seja pelo próprio interesse, ou pelos indícios que ligam seu nome a esquemas ilícitos deflagrados a partir da gravação feita por Ataíde, o ex-mandatário continua presente nos bastidores.

Para Aidar, Leco não tem autonomia suficiente para tomar decisões por si. “A palavra final é do Leco, mas parece que ele não decide nada sem consultar duas ou três pessoas ao seu redor. Uma delas eu creio que é o Abílio [...] A gestão atual tem deixado muito a desejar, tem muito discurso e pouca atitude concreta. 2017 está aí. Teremos novas eleições e espero que não seja o Leco novamente, porque acho que o São Paulo não está em boas mãos”, declarou.

Arrependido de ter renunciado ao cargo, o ex-presidente acredita que o clube seguiu na mesma rota de colisões internas que vinha desgastando as relações desde seu mandato. Alegando inocência ao falar sobre as gravações, Aidar revelou que teve outra opção, que não a renúncia, para controlar a crise durante o seu ápice.

“Deveria ter aceito o conselho que recebi de construir uma diretoria formada por opositores, para que eles investigassem minha vida em um prazo de três meses e, se nada fosse encontrado, eu voltaria ao cargo. Estou arrependido. Infelizmente me cerquei de pessoas que estavam muito mais preocupadas em manter o cargo do que com o clube, essas pessoas não corresponderam minhas expectativas”, contou.

Ex-presidente reforça existência de norte-americano Jack – O nome Jack, de origem estrangeira, passou a ser muito falado no São Paulo a partir da divulgação do áudio que envolve as figuras de Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro, durante esta última semana. No diálogo entre os dois, ficou até subentendido que Jack seria um codinome de Douglas Schwartzmann, ex-vice de comunicações do Tricolor.

O norte-americano Jack seria um representante da Far East, empresa sediada em Hong Kong e que foi mediadora das negociações entre o São Paulo e a Under Armour, fornecedora de material esportivo que assinou contrato neste ano de 2015. E-mails trocados entre Aidar e o possível intérprete Jack mostraram que o empresário chegou a perdoar uma dívida de R$ 18 milhões do Tricolor.

À Rádio Bandeirantes, Aidar reafirmou a existência de Jack, sem maiores explicações sobre sua pessoa. “O cidadão não só existe como eu entreguei ao Leco as cópias dos documentos que autenticam a existência dele. Óbvio que o cidadão existe, ele esteve no Morumbi. Fizemos reuniões, discutimos comissões. Era uma figura conhecida daqueles que participavam da gestão”, comentou.

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