À espera de salário, Michel lembra: "Diziam que nunca atrasavam"

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O atraso de quase quatro meses no pagamento de vencimentos do São Paulo é motivo de espanto para Michel Bastos. O meia se diz surpreso, já que, ao procurar referências sobre o clube no ano passado, quando foi contratado, ouviu apenas comentários positivos, inclusive sobre a parte financeira.

"Quando vim para cá, todos me falaram que o São Paulo nunca foi clube de atrasar salário, sempre arcou com seus compromissos. Se eu soubesse, tinha colocado tudo na carteira para receber meu dinheiro", riu o jogador, que não recebe todo o dinheiro por contrato em carteira (CLT), mas grande parte através de direitos de imagem.

A medida, uma forma de diminuir encargos fiscais - tanto do clube quanto do atleta -, é prática comum no futebol. "Na carteira, desde que cheguei, está tudo certo. O que está faltando é imagem. Não sei qual jogador que recebe só em carteira. Se tiver, são poucos. Vai do jogador na hora de fazer o contrato", comentou.

Meia são-paulino está surpreso com a situação financeira do clube, o qual imaginava não atrasar salário

Meia são-paulino está surpreso com a situação financeira do clube, o qual imaginava não atrasar salário - Credito: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Descontentes, os jogadores se reuniram com o vice-presidente de futebol são-paulino, Ataíde Gil Guerreiro, na sexta-feira passada, dois dias antes do clássico contra o Palmeiras. Ouviram dele que tudo será quitado em breve, quando a diretoria receber pelas vendas dos zagueiros Rodrigo Caio e Paulo Miranda e do volante Denilson. Não foi a primeira promessa, contudo.

"Pelo pouco tempo em que estou aqui, não vejo má fé em ninguém aqui dentro, muito pelo contrário. De uma forma ou de outra, estão tentando dar jeito para regularizar a situação. A gente escuta certas coisas na imprensa, o que acaba criando certa esperança de receber, mas a gente já conversou com o Ataíde. Ele disse para a gente que estão tentando pagar o que estão devendo o mais rápido possível", opinou Michel Bastos, ao negar que o atraso comprometa o rendimento da equipe.

"Somos trabalhadores, queremos receber. Mas isso não está influenciando dentro de campo, até porque somos profissionais. É lógico que a gente quer que a situação volte ao normal. Na hora, em campo, você deixa um pouco de lado. Durante a semana, a gente conversa para ver como vai ser", frisou, nesta segunda-feira, um dia depois da goleada de 4 a 0 para o Palmeiras.

A principal esperança da diretoria é quanto à venda de Rodrigo Caio, que chegou a ser divulgada de forma oficial, mas está travada devido a desacerto entre o zagueiro e o Valencia. Se confirmado o negócio, o São Paulo terá direito a 90% dos € 12,5 milhões (R$ 44 mi), dos quais até R$ 3.119.479,69 já estão penhorados judicialmente por conta de dívida antiga referente à transação de Jorginho Paulista.

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