Entenda como irá funcionar a votação do novo estatuto do Santos

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(Foto: Fernanda Luz/Ag. Paulistão)

Por Thais Bueno e Murilo Gomes

A votação do novo estatuto do Santos acontecerá de forma escalonada no Conselho Deliberativo, com análise de artigo por artigo, além dos trechos que receberam emendas. A sessão, que começa nesta segunda-feira, será permanente e poderá se estender ao longo da semana até a conclusão das discussões. Ao todo, o novo texto possui 105 artigos e recebeu 89 propostas de alteração, estas apresentadas pelos conselheiros.

Como funcionará a votação?

Os artigos que não sofreram emendas serão votados em bloco, em uma decisão simples de “sim” ou “não”. Já os pontos alterados serão debatidos individualmente, seguindo a ordem numérica do estatuto.

Primeiramente, os conselheiros votarão a redação proposta pela Comissão de Estatuto. Caso ela seja aprovada, as emendas relacionadas ao mesmo trecho são automaticamente descartadas. Caso sejam rejeitadas, as emendas passam a ser apreciadas uma a uma.

“Nós vamos, então, nos termos do que determina o estatuto, botar em votação a proposta da comissão de estatuto de dois mandatos. Se for rejeitada, coloca-se então a proposta de um mandato e, se for rejeitada também, fica para votação a proposta de nenhum mandato. Cada proponente destas emendas terá oportunidade de ir à tribuna para fazer as suas ponderações, levar os seus argumentos e convencer os demais conselheiros acerca da sua proposta”, explicou Fernando Akaoui, presidente do Conselho Deliberativo do Santos.

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A reunião seguirá o modelo de sessão permanente, previsto no estatuto para debates extensos. Com isso, a votação iniciada no dia 18 poderá continuar nos dias 21, 22 e até em outras datas, se necessário. Os dias 19 e 20 não estão inseridos no processo devido ao jogo do Santos contra o San Lorenzo, pela Copa Sul-Americana, na Vila Belmiro.

Cada encontro pode ter duração inicial de três horas, com possibilidade de prorrogação.

A proposta de reforma começou a ser debatida ainda em janeiro, embora a Comissão de Estatuto trabalhe no tema há mais de dois anos. O objetivo do novo texto é atualizar artigos considerados dúbios, ajustar pontos da estrutura organizacional do clube e adaptar regras ligadas à SAF, introduzida no estatuto santista em 2023.

Entre os temas mais discutidos estão o tempo mínimo de associação para participação política no clube. A proposta inicial previa aumentar de três para cinco anos o prazo necessário para um sócio votar. Após as emendas apresentadas pelos conselheiros, a comissão voltou atrás e decidiu manter a regra atual.

O mesmo aconteceu com o período exigido para candidatura ao Conselho Deliberativo. A ideia inicial era aumentar o prazo mínimo de cinco para dez anos de participação para que um sócio possa ser candidato a conselheiro, mas a sugestão foi revertida após discussão interna.

“A comissão se convenceu dos argumentos das emendas e acabou acolhendo as propostas no sentido de manter os prazos hoje previstos no estatuto”, disse Fernando Akaoui.

Regras para candidatura à presidência

Já para disputar a presidência do Santos, a proposta original previa três mandatos completos no Conselho Deliberativo como requisito obrigatório. O texto recebeu emendas propondo dois mandatos, um mandato ou nenhuma exigência. A comissão acolheu a proposta de dois mandatos, que será a primeira colocada em votação.

“Quem vai deliberar sobre isso são os mais de 200 conselheiros que têm direito a voto”, explicou Akaoui.

Outro ponto que promete gerar debate é a SAF. A proposta prevê aumentar de 49% para até 90% o limite de participação que poderá ser negociado com investidores, seguindo o teto permitido pela Lei da SAF (Lei 14.193/2021).

“O que temos hoje no estatuto é uma possibilidade de negociação de até 49% das cotas sociais. O Santos não recebeu nenhuma proposta porque quem viesse não poderia adquirir mais do que isso”, pontuou.


Segundo o Conselho, o rito para uma eventual transformação em SAF continuará o mesmo: análise inicial do Comitê de Gestão (caso este não seja extinto), votação no Conselho Deliberativo e decisão final em Assembleia Geral dos sócios.

A reforma também prevê antecipar as eleições presidenciais de dezembro para outubro. O argumento apresentado pela comissão é dar mais tempo de planejamento para a gestão eleita antes do início da temporada seguinte.

Próximos passos após a votação

Para que o pleito aconteça no Conselho Deliberativo, será necessária presença mínima de 50% dos membros, e maioria simples dos votos para aprovação.

Caso o texto seja aprovado, o presidente do Conselho terá até 30 dias para convocar a Assembleia Geral dos sócios, etapa final para consolidação do novo estatuto. É necessário 2/3 dos votos para aprovar o novo regimento santista.

Por que um novo estatuto?

O Santos, nos bastidores, identificou alguns pontos no estatuto que não contemplariam as mudanças do futebol atual, como a própria questão de se transformar em uma SAF, por exemplo. Os membros do órgão, então, se debruçaram no assunto até chegarem ao documento final.

Além disso, a Comissão e a presidência do CD querem montar um Estatuto que possa ser usado como base por muitos anos e dê estabilidade ao clube.

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