Santos é condenado a pagar R$ 18,6 milhões ao Cuiabá por negócio de Joaquim

Imagem ilustrativa para a matéria
Foto: Raul Baretta/ Santos FC

O Santos foi condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, a pagar R$ 18,6 milhões ao Cuiabá. A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo clube mato-grossense, que detalhou a existência de uma dívida relacionada à contratação do zagueiro Joaquim, acertada em 2023.

Embróglio

Segundo o Cuiabá, a cobrança também inclui valores referentes ao mecanismo de participação na revenda do defensor ao Tigres, do México. De acordo com o Dourado, a última parcela do acordo original venceu em janeiro de 2025.

O clube mato-grossense afirmou ter renegociado os valores para facilitar o pagamento, mas alegou que o Santos quitou apenas a primeira das cinco parcelas previstas no novo acordo. Diante da situação, o Cuiabá acionou a CNRD em maio de 2025.

Na nota oficial divulgada nesta terça-feira, o Dourado informou que a sentença determinou o pagamento de R$ 18.616.377,46.

Apesar da condenação, o caso ainda não está encerrado. O Santos pode recorrer ao Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA), instância responsável por analisar eventuais contestações à decisão.

O Cuiabá também afirmou que espera receber os valores imediatamente e criticou a demora na resolução do caso. Além disso, citou outros débitos que tem a receber de clubes brasileiros, alegando possuir mais de R$ 40 milhões em créditos no mercado nacional. Um desses times é o Corinthians, que, segundo a equipe do Mato Grosso, não pagou a parcela de julho da compra de Raniele.

Confira a nota na íntegra

"NOTA OFICIAL

O Cuiabá Esporte Clube informa que, nesta data, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF condenou o Santos Futebol Clube a pagar ao Cuiabá R$ 18.616.377,46.

A dívida vem da venda do zagueiro Joaquim ao Santos, em fevereiro de 2023, e da participação do Cuiabá na revenda do atleta ao Tigres, do México. A última parcela venceu em janeiro de 2025. Para facilitar o acerto, o Cuiabá renegociou e abriu mão de parte relevante do que tinha a receber. Mesmo assim, o Santos pagou apenas a primeira das cinco novas parcelas. O Cuiabá acionou a CNRD em maio de 2025, e a sentença levou dezesseis meses para sair.

O Cuiabá recebe a decisão com respeito, mas não com alívio. Sentença não paga salário. O que o clube espera agora é o pagamento imediato. O Santos ainda pode recorrer ao CBMA. O Cuiabá deixa registrado desde já que não aceitará em silêncio o uso de recursos e expedientes processuais com o único objetivo de adiar mais uma vez o que é devido há quase dois anos. O histórico recente preocupa: nas cobranças movidas pelo Arouca e pelo Mônaco perante a FIFA, o Santos só pagou depois de receber transfer ban, embora já estivesse condenado havia meses. No mesmo período, seguiu contratando.

O caso Santos não é isolado:

Corinthians: a dívida pela venda do volante Raniele foi incluída pela própria CNRD em plano coletivo de 24 parcelas trimestrais, até 2031, corrigidas apenas pela inflação e sem juros. São condições extremamente favoráveis ao devedor e duríssimas para o credor. Mesmo assim, a parcela vencida em 17 de julho segue em aberto.
Sport: deve cerca de R$ 6 milhões pela venda do lateral Matheus Alexandre.
Grêmio: o Cuiabá aguarda julgamento sobre a inclusão de um crédito de aproximadamente R$ 900 mil em plano de pagamento coletivo.
Outros clubes também devem valores menores.

Somados, os créditos do Cuiabá contra clubes brasileiros ultrapassam R$ 40 milhões.

Por isso, o Cuiabá disputa a reta final do Campeonato Brasileiro com o caixa severamente comprometido. Isso não é resultado de má gestão. É consequência de contratos que outros assinaram e não cumprem. Enquanto isso, clubes devedores seguem no mercado, contratando e ampliando folhas salariais. No futebol brasileiro de hoje, quem paga em dia financia quem não paga.

O Cuiabá não pede favor. Pede que contratos sejam cumpridos e que as decisões sejam executadas com a mesma rapidez com que a FIFA cobra os mesmos devedores. O clube reafirma sua confiança nas instituições do futebol e seguirá cobrando, por todos os meios regulamentares, cada valor que lhe é devido."

Veja também:
Todas as notícias da Gazeta Esportiva
Canal da Gazeta Esportiva no YouTube
Siga a Gazeta Esportiva no Instagram
Participe do canal da Gazeta Esportiva no WhatsApp

Conteúdo Patrocinado