Renato ganhou dois títulos Brasileiros e dois Paulistas com a camisa do Santos (Foto: Ivan Storti)
Aos 36 anos, Renato tem experiência de sobra para passar aos jogadores do elenco santista. Mais uma vez campeão com a camisa alvinegra, o volante admitiu à Gazeta Esportiva que dessa vez o sentimento foi diferente. O fato do Audax, uma equipe modesta e fundada há apenas 11 anos, ter controlado uma final de campeonato em plena Vila Belmiro colocou o Peixe em uma situação rara e inusitada, a ponto de ter de reconhecer a superioridade do adversário e se conformar em apostar apenas nos contra-ataques. “A gente sabia a dificuldade que ia encontrar”, disse o camisa 8.
Obedientes ao sistema implantado por Fernando Diniz, os jogadores da equipe de Osasco ficaram com a bola em 67% do tempo, finalizaram 16 vezes a gol, seis conclusões a mais que os mandantes, e trocaram 527 passes. O número é mais que o dobro do que o Peixe fez e ainda com um índice de acerto de 92%.
“No começo do jogo, acabamos não acertando nossos passes para ter o contra-ataque como arma. Acabamos acertando um e o Ricardo acabou fazendo gol. Mas é uma equipe que a filosofia não é de hoje. Eles fazem isso há quatro”, ressaltou Renato, ciente deque o time sofreria mais do que está acostumado para chegar ao título Paulista.
“O torcedor empurra e quer que a gente saia, mas existem certos jogos que a gente tem que ter essa inteligência, essa análise. A gente sabia da nossa estratégia. Até porque se a gente ficasse muito em cima, eles iam encontrar os espaços, que é o que eles querem e é o que as outras equipes acabaram sofrendo. Deixaram espaço e eles conseguiram passar pelo São Paulo e pelo Corinthians”, lembrou Renato.
Renato usou sua experiência no Sevilla para explicar como o Santos deveria jogar no domingo (Foto: Ricardo Saibun)
Mas se a decisão do Paulista teve um confronto, ao menos tático, inédito para muitos santistas, para Renato não foi a primeira vez. O volante viveu algo parecido há dez anos, quando teve de encarar o Barcelona na final da Supercopa Europeia daquele ano defendendo o Sevilla. E o aprendizado do veterano foi passado antes da final contra o Audax.
“Eu comentei que eles gostam de ter a bola. É uma posse de bola diferente da do Barcelona. O Barcelona não coloca tantos jogadores no ataque como eles colocam. O Barcelona não arrisca tanto. Tem uma sobra”, comparou.
“E eu falei que mesmo que a gente não tivesse tanta posse de bola, a gente tinha que acertar os passes para aproveitar a oportunidade. É o que a gente fez no Sevilla. Ganhamos uma Supercopa de 3 a 0 em cima do Barcelona. Saímos no contra-ataque e fizemos os três gols. Aquilo serviu de lição”.
Renato, que chegou a ser companheiro de Fernando Diniz no Guarani, quando o treinador do Audax ainda era jogador, não deixou de manifestar sua admiração pelo trabalho realizado a longo prazo, mas ficou em cima do muro ao ser questionado sobre a chance de Diniz dar certo, com o mesmo estilo de jogo, em um clube grande.
“A gente só vai descobrir se ele for, se ele tentar. Porque fica uma incógnita. No clube grande, se você erra a responsabilidade é maior, o torcedor pode não entender a filosofia. A gente espera que ele tenha a oportunidade. Eu torço por ele”, comentou o volante do Peixe, receoso pela cultura do futebol brasileiro.
“Nós só vamos saber se ele fizer o mesmo trabalho e se derem tempo, porque ele está há quatro anos nessa filosofia. Aqui no Brasil, infelizmente, é muito resultado. Talvez ele pegue uma sequência ruim e não tenha o tempo necessário para mostrar o trabalho dele. Infelizmente aqui é assim. Eu desejo toda sorte do mundo para ele”, finalizou Renato.