O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, e o Cuiabá protagonizaram uma troca de farpas nesta sexta-feira, motivada por uma dívida de R$ 18,6 milhões do clube paulista pela negociação do zagueiro Joaquim. Após o mandatário santista chamar Cristiano Dresch, presidente do clube mato-grossense, de "desqualificado" e "irresponsável", o Dourado respondeu por meio de uma nota oficial e voltou a cobrar o pagamento.
A discussão começou após Dresch fazer cobranças públicas a clubes brasileiros que possuem débitos com o Cuiabá. Em entrevista ao canal De Olho no Peixe, Marcelo Teixeira criticou a postura do dirigente e fez referência à situação esportiva da equipe mato-grossense, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro.
"É um desqualificado de um presidente irresponsável que dá um depoimento como esse. É por isso que talvez estejam onde estão, com todo respeito à tradição de um clube como esse", declarou Teixeira.
A resposta do Cuiabá veio por meio de um comunicado intitulado "Adjetivos não quitam dívidas". O clube afirmou que o Santos foi condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) a pagar R$ 18.616.377,46 pela negociação de Joaquim.
"Há uma inversão de valores quando quem deve se sente à vontade para adjetivar quem cobra. Cobrar publicamente um crédito reconhecido pela CNRD não é desrespeito entre clubes co-irmãos. Entre clubes co-irmãos, a primeira forma de respeito é pagar o que se deve", afirmou o Cuiabá.
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Cuiabá cita Série B e problemas financeiros do Santos
O clube mato-grossense também rebateu a declaração de Marcelo Teixeira sobre sua situação no futebol brasileiro. Na nota, lembrou que o próprio Santos disputou a Série B em 2024, primeiro ano da atual gestão santista.
"Quanto à Série B: a divisão em que um clube joga não mede a honra de quem o dirige. O próprio Santos disputou a Série B em 2024, primeiro ano da atual gestão", destacou.
O Cuiabá ainda mencionou as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Peixe e citou que o clube chegou recentemente a acumular sete transfer bans na Fifa. Três dessas punições estavam relacionadas a pagamentos do mecanismo de solidariedade a clubes formadores, enquanto outras envolviam débitos com integrantes de uma antiga comissão técnica.
As três sanções referentes ao mecanismo de solidariedade, no entanto, já foram retiradas após o Santos regularizar os pagamentos nesta semana.
O comunicado também destacou que o Cuiabá quitou recentemente uma dívida de aproximadamente R$ 5,5 milhões com o ex-técnico Petit e sua comissão técnica, encerrando uma punição da Fifa que impedia o registro de novos jogadores.
"Seguir contratando para a Série A enquanto os credores esperam não é mérito esportivo: é custo transferido para quem cumpre contratos", criticou o clube mato-grossense.
Cuiabá avalia medidas jurídicas
Além de cobrar o pagamento, o Cuiabá informou que as declarações de Marcelo Teixeira serão analisadas por seus advogados, sem especificar quais medidas poderão ser adotadas.
"O Cuiabá não responderá a adjetivos com adjetivos. As declarações dirigidas ao presidente do clube serão avaliadas por seus advogados. Adjetivos não quitam dívidas", afirmou.
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Na parte final do comunicado, o Dourado reforçou que continuará buscando o recebimento do valor pelos meios legais e cobrou uma definição sobre o pagamento.
"O clube seguirá cobrando, nos foros competentes, cada real que lhe é devido, e espera do Santos não uma opinião sobre a gestão do Cuiabá, mas a data do pagamento. Com todo o respeito à tradição de um clube como esse", concluiu.
Veja a nota do Cuiabá na íntegra
"O Cuiabá Esporte Clube SAF tomou conhecimento das declarações do presidente do Santos Futebol Clube, Marcelo Teixeira, que chamou o presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, de “desqualificado” e “irresponsável”. Teixeira também sugeriu que talvez seja por isso que o Cuiabá está onde está, “com todo o respeito à tradição de um clube como esse”.
Nesta semana, o Cuiabá quitou integralmente a condenação imposta pela FIFA no caso Petit, de cerca de R$ 5,5 milhões, com recursos próprios e o esforço de seus acionistas. Hoje, recebeu adjetivos ofensivos do presidente de um clube condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá, pela negociação do zagueiro Joaquim.
Há uma inversão de valores quando quem deve se sente à vontade para adjetivar quem cobra. Cobrar publicamente um crédito reconhecido pela CNRD não é desrespeito entre clubes co-irmãos. Entre clubes co-irmãos, a primeira forma de respeito é pagar o que se deve.
Quanto à Série B: a divisão em que um clube joga não mede a honra de quem o dirige. O próprio Santos disputou a Série B em 2024, primeiro ano da atual gestão. Fundado em 2001, o Cuiabá ainda está construindo a sua tradição. Chegou à elite em 2021, disputou quatro edições seguidas da Série A e ergueu, com recursos próprios, uma das estruturas de treinamento mais modernas do país. Voltará pelo caminho do campo, honrando seus compromissos, mesmo quando isso custa caro, como custou ontem.
A gestão do Santos, por sua vez, tem sido notícia por outros números. Recentemente, o clube chegou a 7 transfer bans ativos na FIFA. Três deles envolvem o mecanismo de solidariedade, isto é, valores devidos a clubes que formaram atletas. Há ainda uma sanção por dívidas com o ex-treinador do Santos e sua comissão técnica, obrigação da mesma natureza da que o Cuiabá acaba de quitar. Seguir contratando para a Série A enquanto os credores esperam não é mérito esportivo: é custo transferido para quem cumpre contratos.
O Cuiabá não responderá a adjetivos com adjetivos. As declarações dirigidas ao presidente do clube serão avaliadas por seus advogados. Adjetivos não quitam dívidas. O clube seguirá cobrando, nos foros competentes, cada real que lhe é devido, e espera do Santos não uma opinião sobre a gestão do Cuiabá, mas a data do pagamento.
Com todo o respeito à tradição de um clube como esse."