O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, admitiu nesta segunda-feira que o clube possui pendências relacionadas aos direitos de imagem dos jogadores. Segundo o dirigente, os salários estão em dia, mas o departamento financeiro ainda trabalha para quitar os valores referentes às imagens e não há uma data definida para a regularização. O clube chega, portanto, ao segundo mês de atraso.
Ao abordar a situação, Marcelo relacionou o planejamento financeiro ao desempenho esportivo do Santos na temporada. O presidente citou as receitas previstas com a Copa Sul-Americana, especialmente por meio das premiações, como uma das fontes consideradas pelo clube. O Peixe, porém, não conseguiu avançar tanto quanto esperava na competição continental, o que frustrou também as projeções de arrecadação.
“Está sendo um esforço dentro do planejamento financeiro. O salário está em dia, agora vencendo o direito de imagem. Há um trabalho do departamento financeiro para quitar as imagens. Estamos trabalhando para pagar, o financeiro está trabalhando, mas ainda não há uma data concreta”, afirmou Marcelo Teixeira em coletiva após a inauguração do Instituto Leão do Mar.
Mais uma marca importante para o Peixão na temporada. Continuamos subindo no #Brasileirão e sonhando com objetivos maiores. Vai pra cima deles! 🐳 pic.twitter.com/GwEOjKKL3U
— Santos FC (@SantosFC) September 20, 2026
Desempenho esportivo influencia planejamento financeiro
A relação entre desempenho dentro de campo e receitas é um dos pontos considerados pela diretoria no orçamento. Ao falar sobre os direitos de imagem, Marcelo mencionou justamente a expectativa criada em torno das premiações da Sul-Americana. O Peixe caiu nas quartas de final, nos pênaltis, contra o Atlético-MG.
“Com os objetivos de receitas na Sul-Americana, por exemplo, como a premiação, não podemos ter e já estava previsto”, disse o presidente.
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A declaração evidencia uma das dificuldades enfrentadas pelo Santos no planejamento da temporada: resultados esportivos também representam novas fontes de receita, principalmente em competições eliminatórias. Assim, avançar de fase significaria não apenas manter o clube na disputa por um título, mas também ampliar a entrada de recursos. Na Copa d Brasil, por exemplo, o Alvinegro foi eliminado pelo rival Palmeiras, também nas quartas de final.
A diretoria trabalhava com a possibilidade de chegar mais longe na Sul-Americana e, consequentemente, obter receitas maiores com a competição. Com a campanha encerrada antes do objetivo projetado, o clube deixou de contar com valores adicionais que poderiam auxiliar no fluxo financeiro.
Apesar do cenário, Marcelo reforçou que o Santos trabalha para regularizar os direitos de imagem. O mandatário não estabeleceu um prazo para que os valores pendentes sejam integralmente pagos.
Marcelo critica possíveis restrições às bets
Ainda no aspecto financeiro, Marcelo Teixeira comentou as discussões sobre possíveis restrições ao mercado de apostas no Brasil. Na última semana, clubes e federações divulgaram um manifesto em defesa do mercado regulamentado e alertaram para os impactos que mudanças abruptas poderiam provocar nos contratos e nas receitas do futebol. O Santos esteve entre os clubes paulistas que participaram da manifestação.
O presidente santista revelou que o clube conversou com a CBF sobre o assunto e defendeu que eventuais mudanças sejam discutidas com a participação das entidades e das equipes.
“Conversamos essa semana com a CBF sobre isso também, porque acho que deve haver, com a participação de todos, clubes, entidades, federação, CBF, medidas que sejam adotadas pelo governo. Nós respeitamos, mas acredito que elas devam ser tomadas de uma forma planejada. Não interromper algo que hoje tem vigência”, afirmou.
Marcelo também ressaltou que os clubes possuem contratos em andamento com empresas do setor e pediu equilíbrio na discussão.
“Você tem contratos com as bets em vigência, com valores, e os clubes devem respeitar esses contratos. Então, se nós tivermos o futebol, você tem envolvimento com bebidas, você tem envolvimento com tabaco, você tem envolvimento com os próprios jogos, com outros tipos de jogos. Então, nós temos que ter um equilíbrio nessas decisões.”
O mandatário classificou o momento da discussão como “eleitoreiro” e defendeu que os clubes participem diretamente do debate sobre eventuais alterações. A avaliação sobre a motivação política é de Marcelo Teixeira.
“Creio, vou até me atrever, acho que o que está acontecendo nesse assunto é muito eleitoreiro. É uma situação que querem se aproveitar desse momento, com véspera de eleição, para se adotar medidas. Sejam justas, corretas, melhores para o futebol, eu acho que têm que ser discutidas. Elas devem ser com aqueles que estão envolvidos, no caso os clubes de futebol.”
Por fim, o presidente reconheceu a preocupação com o envolvimento de crianças, adolescentes e jovens com jogos, mas defendeu ações preventivas e campanhas de conscientização em vez de uma interrupção brusca dos contratos existentes.
“Pode ser até que a gente tenha um aumento de faixas etárias que estejam se envolvendo em jogos, pode acontecer, sim. Mas eu acho que a gente tem situações preventivas, a própria cultura, e a gente pode preparar certas campanhas que possam melhorar essa situação, com vistas a não interromper só de uma forma assim muito radical os contratos que estão em vigência.”