Por DM forte, Peixe alia plano de carreira, interação e tecnologia

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O torcedor, a paixão que move multidões, o amante de futebol, seja ele jogado onde e por quem for, tudo é motivado pelo que acontece no campo, com a bola em jogo. Os atletas vão de heróis a vilões em segundos, podem ficar marcados para a história de uma geração em um único lance. Mas, para isso, têm, obrigatoriamente, de estar preparados, principalmente devido a evolução que o esporte sofreu nos últimos anos, fato que reflete nas partidas disputadas em pouco mais de 90 minutos, agora com mais intensidade, velocidade e de um alto comprometimento de cada um dos 22 profissionais que iniciam um confronto.[gad-samba:[idmidia=9379,tipo=video,width=620,height=349]]Preocupado não apenas com esta preparação, mas também com a prevenção e manutenção de um elenco saudável e que reúna condições de se manter forte durante toda a desgastante temporada brasileira, o Santos resolveu criar para a temporada 2015, após a mudança de diretoria, novos mecanismos em seu departamento de fisioterapia, parte crucial de todo o trabalho que é realizado pelo departamento de futebol como um todo.

A primeira aposta: realizar um trabalho em conjunto entre as categorias de base e o grupo principal de jogadores. “Temos um plano de carreira para os fisioterapeutas. O cara começa nas categorias de base e sabe que é possível chegar ao profissional. Além da troca de informações com os profissionais da base, alguns estão terminando a faculdade, estão no momento certo de ir atrás das coisas, com vontade de fazer a diferença, vão chegar a algum lugar”, conta Avelino Buongermino, coordenador da equipe de fisioterapeutas do clube. “Hoje, no Santos, somos um total de sete fisioterapeutas. São três na base, três no profissional e um que atende a todas as categorias desde o sub-8 ao profissional do futebol de salão. Existe uma interação”, explica.

Apesar de recente, o Peixe já pode colher alguns frutos com a implementação da ideia. Antônio Lucas Pierin, conhecido apenas como Tom, é um exemplo. Aos 32 anos, o fisioterapeuta iniciou sua carreira nas categorias de base, na quais ficou de 2010 até o ano passado, quando chegou ao patamar de fisioterapeuta fixo do elenco profissional.

“Da mesma forma que é importante que um atleta tenha projeção para chegar bem ao time profissional, nós fisioterapeutas também. Acredito que o período que fiquei na base me deu experiência, o cara que está lá sabe que só depende dos esforços dele para subir e que ele pode se preparar que a chance chegará”, relata Tom.

Apesar da mesma seriedade e das cobranças semelhantes, Tom explica as principais diferenças entre o trabalho nas categorias iniciais e diante de atletas como Robinho e Ricardo Oliveira.

“A abordagem na base e no profissional é completamente diferente. Na base, a pressão é bem menor, temos que pensar no futuro do jogador e não no retorno rápido dele ao campo, temos que fazer de tudo para que ele não volte a se lesionar, tenha o menor histórico possível. No profissional, há cobrança do torcedor, da imprensa, ele recebe salário, diretoria em cima. Não digo acelerar, mas precisamos usar o máximo de tempo possível. Quando ele volta, já volta direto para o jogo”, comenta.

Apostando em tecnologia e confiando em seus profissionais, Santos inova no Departamento Médico do clube

Apostando em tecnologia e confiando em seus profissionais, Santos inova no Departamento Médico do clube - Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press

Tecnologia
Mesmo com todo empenho e profissionalismo dos fisioterapeutas do clube é sabido que, nesta área, uma boa estrutura tecnológica, com aparelhos modernos, é fundamental. Desta forma, o Santos  adquiriu o aluguel de uma esteira que pode colaborar na prevenção e no diagnóstico de lesões.

“A esteira é italiana, faz avaliação da pisada, da corrida. Eles fazem avaliações específicas da palmilha. É mais dinâmico. É preciso caminhar para fazer a avaliação da melhor maneira possível. O Tom foi o responsável pelo contato. Em uma corrida de 30 segundos conseguimos detectar algumas alterações na pisada durante o movimento”, explica Avelino.

O primeiro rastreamento do elenco já foi feito no início do ano. Após esta etapa, alguns jogadores já passaram a usar palmilhas personalizadas. Novos exames devem ser feitos no meio da temporada, se necessário ou então no começo da próxima.

“É um dos métodos de prevenção de lesão. A palmilha só vai ser utilizada apenas para quem realmente precisa usar. Não falamos nomes, mas temos alguns jogadores que usam e vimos que o rendimento melhorou a partir do momento em que começaram a usar. Para nós está sendo muito satisfatória a utilização da palmilha com o reforço muscular. Hoje, temos de oito a dez atletas usando”, revela o coordenador da equipe de fisioterapeutas do Peixe.

Caso Alison
Aos 22 anos, Alison rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito e teve de reconstruir o ligamento em fevereiro. Esta foi a terceira cirurgia do jogador no mesmo local, o que deve postergar seu retorno por até oito meses. Hoje, dar condições para o camisa 5 retornar com o mesmo preparo de sempre é o principal desafio da equipe de fisioterapeutas do Alvinegro.

“Olha, é um momento complicado para o jogador. Eu acho que o que ajuda bastante é o relacionamento bom que temos com o pessoal da fisioterapia”, conta o atleta, em meio a uma de suas sessões do CT Rei Pelé. “Conheci o Tom na base, já tinha um relacionamento bom com ele lá, eles já conhecem o atleta”, diz, confiante de que mais uma vez dará a volta por cima.

“Como eu já tinha passado por outras duas cirurgias, sei que vou voltar bem. Confio nos profissionais do Santos e vou deixar minha cabeça tranquila. Meu esforço e a competência deles vão fazer com que tudo dê certo”, garante o defensor.

Tom admite a peculiaridade no caso do volante cria do Peixe e revela os momentos que sucederam o lance da lesão, sofrido nos últimos minutos do clássico contra o São Paulo, válido pela primeira fase do Campeonato Paulista.

Atualmente, Alison é a maior preocupação do DM santista; na foto, volante está sob os cuidados de Tom Pierin e Thiago Lobo

Atualmente, Alison é a maior preocupação do DM santista; na foto, volante está sob os cuidados de Tom Pierin e Thiago Lobo - Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press

“Quando ele entrou no vestiário ele já sabia que estava machucado. E nós, através da avaliação clínica, já sabíamos que ele estava lesionado. Apenas esperamos pelo resultado dos exames. Mas, um atleta que já passou por isso outras vezes, já tem a maturidade de entender como é o processo, ele respondeu bem. Vai se desenvolver, é muito forte psicologicamente, ele sabe que é questão de paciência e fé no nosso trabalho ele tem”, projeta Tom.

Para que Alison consiga se recuperar ainda mais rápido, o Santos resolveu investir na compra de um aparelho moderno que pode ajudar na reabilitação de seu atleta. Desde os primeiros dias de tratamento, os fisioterapeutas já estão utilizando o novo equipamento, chamado de Game Ready.

“É uma bota de drenagem com compressão e gelo associados, ajuda na recuperação não só do Alison, mas também de outros atletas que venham a ter uma entorse de tornozelo ou joelho. Ela faz essa drenagem e isso ajuda muito a reabsorver o derrame, o edema, o inchaço articular”, explica Avelino.

*Especial para a GE.Net

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